PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA UMA HOMEOPATIA EFICAZ



PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA UMA HOMEOPATIA EFICAZ


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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INTRODUÇÃO

1. PARCERIA.

1.1 Médico Veterinário: Clínico Geral ou de outra Especialidade.

1.2 Sinergia.

1.3 Afinidades de Filosofias e Objetivos.

1.4 Ética.

1.5 Credibilidade.

1.6 Transparência.

2. CLIENTE.

2.1 Contato Inicial.

2.2 Apresentação Prévia.

2.3 Informações Sobre o Paciente.

3. PACIENTE.

3.1 Tratamento de Doenças Crônicas e Distúrbios Comportamentais em Cães e Gatos.

3.2 Concepção de Saúde e Doença.

3.3 Sintomas como Parâmetros para a Compreensão e Tratamento do Doente.

3.4 Paciente é um Indivíduo Único.

3.5 Antropomorfismo.

3.6 Estudo Profundo e Minucioso do Doente.

3.7 Considerar Conhecimento em Homeopatia: Diferentes Correntes, Escolas e Metodologias.

3.8 “Minha” Compreensão do Doente.

3.9 Prescrição Medicamentosa: Repertorização e Matéria Médica.

3.10 Medicina Complementar: Corroborar Diagnóstico e Tratamento.

4. BASE CIENTÍFICA.

4.1 Fundamentação Científica: Física Moderna e Ciências Médicas.

4.2 Ação do Medicamento Homeopático.

4.3 Evidências: Pesquisa Clínica – Alta Eficácia.

5. ATENDIMENTO.

5.1 Triagem Preliminar – Projeção Inicial: Beneficiar o Paciente e Atender as Expectativas de seu Responsável.

5.2 Priorizar a Qualidade.

5.3 Questionário Prévio.

5.4 Atendimento Domiciliar.

5.5 Sequência no Tratamento.

6. AVALIAÇÃO.

6.1 Cronograma de Avaliações.

6.2 Parâmetros de Avaliação da Evolução: Sintomas.

7. FLEXIBILIDADE.

7.1 Escolha da Metodologia de Tratamento.

7.2 Mudança de Método.

7.3 Adequações Conforme a Ampliação do Conhecimento e da Experiência.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS.


INTRODUÇÃO

O título "Proposta de metodologia para uma Homeopatia eficaz" pode até transparecer, em um primeiro momento, uma certa soberba, arrogância... Se isso realmente ocorreu, peço desculpas, não foi essa a minha intenção.

Procuro descrever aqui, em detalhes, a forma como venho desenvolvendo o meu trabalho com Homeopatia, desde 1992, primeiro ano de meu curso de especialização, que considero o marco inicial de minha jornada.

Daquela época, já passaram-se 25 anos! Muita coisa aconteceu neste período: diversas perdas, várias frustrações e decepções, amadurecimento e muito aprendizado. E, principalmente, a consolidação de minha convicção de que possuo plenas condições de proporcionar um alto grau de eficácia em meu trabalho com Homeopatia em Medicina Veterinária.

Entretanto, não foi uma trajetória linear, somente de progressos. Pelo contrário, sendo repleta de dificuldades, reflexões e obstáculos. Várias "idas e vindas", recheadas de ajustes e mais ajustes, compõe, para quem olha de fora, uma trajetória que mais parece caótica. Entretanto, após ler (e estudar!) o livro "A Teia da Vida", de Fritjof Capra, que considero fundamental para a compreensão do pensamento sistêmico, aprendi que existe ordem no caos!

E é precisamente isso que almejo fazer ao escrever este artigo: colocar "ordem no caos", nesses 1/4 de século de estudo, aprendizado, prática clínica e pesquisa em Homeopatia. E também de muitas dúvidas, incertezas, indagações, descontentamentos e contestações, fatores que julgo essenciais para o aprendizado e a evolução, seja em qual área for.

Esta metodologia nasceu espontaneamente, sendo baseada em tudo o que estudei e aprendi até aqui, principalmente em Homeopatia. Mas, também, em medicina complementar, na clínica veterinária tradicional e, principalmente, no que aprendi pela vida e experiência.

Foi a forma que encontrei de me sentir mais confortável para desenvolver meu trabalho, tendo por objetivo maior proporcionar o máximo de benefícios aos meus pacientes. E com a maior segurança possível, em termos de resultados satisfatórios! É um método que foi sendo adaptado para mim, pela minha maneira de ser, pela minha filosofia de vida e forma de ver o mundo que nos cerca. Também em função de minhas qualidades e limitações, que são atributos inerentes a qualquer ser humano, desde aquele que não teve a oportunidade de ser alfabetizado, até os que galgaram a condição de "mestres" e "doutores". Na minha opinião, possuir o discernimento e a humildade para ter essa compreensão é um fator essencial para ampliarmos o nosso nível de consciência.

Admito que tenho uma personalidade contestadora, possuindo extrema dificuldade em submeter-me a convenções pré-estabelecidas, com as quais eu não concorde. Por apresentar uma visão, digamos, "não-convencional" da vida e do mundo, acabei enfrentando inúmeras dificuldades, tanto na questão pessoal quanto profissional. É o preço a ser pago pela autenticidade! Por outro lado, ganho espaço e a liberdade para criar e inovar, sempre dentro dos limites do respeito, educação e consideração pelo próximo. E este foi um dos fatores preponderantes que me levaram a realizar uma pesquisa clínica para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos (minha área de atuação), com resultados altamente satisfatórios. Nesta pesquisa, propus alguns parâmetros para a avaliação da evolução dos pacientes e utilizei esta metodologia própria, que estou desenvolvendo e aprimorando há mais de duas décadas.

Apesar de estar sendo adaptada para mim, creio que esta metodologia tem o potencial de ser útil para outros colegas homeopatas, sejam médicos veterinários ou humanos. Se não em sua totalidade, ao menos parcialmente. E isto dependerá da avaliação pessoal de cada profissional.

Durante o texto, remeto a vários links direcionados a artigos e outras páginas do meu site, que servem de subsídios adicionais para uma compreensão mais apropriada desta metodologia.

Obrigado e uma boa leitura.


1. PARCERIA.

1.1 Médico Veterinário: Clínico Geral ou de outra Especialidade.

Minha proposta é atender exclusivamente pacientes encaminhados por colegas médicos veterinários parceiros, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades, atuando de uma forma complementar e integrada com o colega parceiro. E, ao mesmo tempo, independente, cada um atuando em sua área. Assim, o paciente continuará sob orientação e tratamento do colega parceiro. Clique aqui para saber mais.

Diversas vezes recebi este questionamento: "Mas a Homeopatia não é incompatível com o tratamento clássico?" Quando realizei meu curso de especialização, a informação passada, de forma preponderante, foi de que seria contraindicado utilizar a medicação alopática juntamente com o tratamento homeopático. O próprio Hahnemann, criador do sistema de tratamento pelos semelhantes, deixa esta questão bem clara no Organon:

“Toda a experiência pura, contudo, e toda a pesquisa perfeita nos convencem que sintomas pertinazes de moléstias estão longe de ser removidos e eliminados por sintomas opostos de medicamentos (como no método antipático, enantiopático ou paliativo), que, ao contrário, após alívio aparente e transitório, recrudescem com denodado vigor e agravam-se manifestamente.” (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, & 23)

Hahnemann adverte, inclusive, sobre os riscos do tratamento alopático:

"Muito mais frequente que as moléstias naturais que se associam e complicam no mesmo organismo são as complicações mórbidas que o tratamento médico inadequado (o método alopático) pode produzir pelo emprego prolongado de drogas inadequadas. À moléstia natural, que se propõe curar, acrescentam-se então outras pela repetição constante do agente medicinal inadequado; outras de condições mórbidas, muitas vezes renitentes, correspondentes à natureza deste agente; esses pouco a pouco unem-se e complicam-se com a moléstia crônica que lhes é dessemelhante (que não puderam curar por semelhança de ação, isto é, homeopaticamente), aliando à moléstia antiga outra nova, diferente, artificial, de natureza crônica, dando, assim, ao paciente uma doença dupla, em vez de uma única, isto é, agravando-lhe e dificultando-lhe a cura, às vezes impossível, podendo até leva-lo à morte." (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, & 241)

No começo de minha carreira como médico veterinário homeopata, a partir de 1992, procurei, na medida do possível, seguir esta recomendação. Com o passar do tempo, fui percebendo que, pelo menos em minha prática, este não seria o melhor caminho. Costumo dizer que o tempo, a experiência e a vida me ensinaram que a trilha mais adequada e segura para a manutenção e/ou o restabelecimento da saúde de meus pacientes, seria atuar de uma forma complementar ao colega que trabalha com a medicina veterinária convencional. Em um primeiro momento, passei a recomendar aos proprietários de pacientes que mantivessem o atendimento por parte do colega "alopata". De uns anos para cá, passei a atender exclusivamente pacientes encaminhados por colegas parceiros, que é a forma como trabalho atualmente.

Até porque considero que seria um grande equívoco de minha parte desprezar os extraordinários avanços da medicina veterinária tradicional, em termos de conhecimento, tecnologia e capacitação profissional. Bem como é um estrondoso erro ignorar os exuberantes benefícios do tratamento pelos semelhantes, pois, embora muitos possam pensar o contrário, a Homeopatia não é um sistema terapêutico arcaico, possuindo o potencial de ser altamente eficaz.

1.2 Sinergia.

Como falei anteriormente, a minha proposta é de atuar de uma maneira complementar, integrada e independente ao colega parceiro, a fim de trabalharmos em sinergia, em prol de nossos pacientes.

Sinergia é a ação conjunta, complementar, sendo que esta união de sistemas terapêuticos diferentes apresenta um resultado bastante superior, quando comparada à situação em que estes mesmos sistemas terapêuticos são empregados isoladamente. Por isso, a minha opção de atender exclusivamente pacientes encaminhados por colegas médicos veterinários parceiros, com os quais eu tenha afinidades, de filosofias e objetivos, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades. Como é o caso, por exemplo, da Dermatologia, de Comportamento, da Neurologia e da Ortopedia, sendo que a Homeopatia pode potencializar a Acupuntura e a Fisioterapia.

Na verdade, meu objetivo é colocar-me à disposição do colega parceiro, a fim de auxiliá-lo, através de meu trabalho com Homeopatia, especialmente na solução daqueles casos que não estão evoluindo de um modo adequado. Nos casos em que o tratamento clássico apresenta resultados parciais ou insatisfatórios, em que a medicina veterinária convencional acaba, muitas vezes, esgotando os seus recursos terapêuticos, até desenganando os pacientes. Particularmente, considero ser este o grande diferencial de meu trabalho com Homeopatia.

Considero que, assim, atuando de uma forma complementar ao colega parceiro, e ao mesmo tempo independente, cada um atuando em sua área, mas de uma maneira integrada, terei condições de proporcionar, junto com o colega parceiro, um atendimento altamente qualificado e de excelência, trazendo extraordinários benefícios aos nossos pacientes, proporcionando aos mesmos saúde, bem-estar e qualidade de vida. Consequentemente, seus responsáveis ficarão felizes e plenamente satisfeitos.

1.3 Afinidades de Filosofias e Objetivos.

O principal objetivo de meu trabalho com Homeopatia é beneficiar os nossos pacientes, proporcionando aos mesmos uma vida mais digna, saudável e de qualidade. Em especial, quando o tratamento clássico apresenta resultados parciais ou insatisfatórios, em que a medicina veterinária clássica acaba esgotando as suas possibilidades terapêuticas, inclusive, muitas vezes, desenganando os pacientes. Este é o motivo maior por que optei em estudar e trabalhar com Homeopatia em Medicina Veterinária. É claro que cada caso deve ser analisado individualmente, com critério e responsabilidade. Inclusive, defendo que cada paciente seja avaliado e acompanhado por uma equipe multidisciplinar, em que também estaria inserido o médico veterinário homeopata.

Eu considero que para uma parceria fazer sentido, ela deve beneficiar a todas as partes: os pacientes, seus responsáveis e os profissionais envolvidos, devendo existir afinidades de filosofias e objetivos. Na minha opinião, uma parceria para ser profícua deve estar baseada em vínculos de confiança e respeito recíprocos, entre todas as partes, devendo existir a máxima transparência. Dessa forma, encontraremos condições apropriadas para desenvolvermos uma parceria produtiva e duradoura, em que os maiores beneficiados serão os nossos pacientes.

Por isso, considero que um item essencial para uma parceria dar certo, é existir essa afinidade de filosofias e objetivos. Esta é a minha proposta, trabalhar com pessoas, sejam colegas, estabelecendo parcerias, seja com clientes, responsáveis pelos pacientes submetidos ao tratamento homeopático. Minha proposta é de trabalhar com pessoas sensíveis, que sintam amor, carinho e respeito pelos animais, verdadeiros membros de nossas famílias. E que, além disso, priorizem a verdade, a lealdade, o respeito e a boa educação em suas relações pessoais e profissionais.

Assim sendo, meu trabalho com Homeopatia está estruturado em 3 pilares básicos: ética, credibilidade e transparência.

1.4 Ética.

Eu trabalho exclusivamente com Homeopatia, atendendo apenas pacientes encaminhados por colegas parceiros, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades. Antes de entrar em contato com o colega para propor uma parceria, procuro informações no site de sua Clínica para ver se a mesma disponibiliza a especialidade de Homeopatia ou se já mantém parceria com outro profissional que trabalha com esta especialidade. Ao entrar em contato, a minha primeira atitude é fazer esta mesma pergunta. Em caso positivo, agradeço e me despeço, com respeito e educação. Faço isso porque não é minha intenção invadir o mercado de trabalho de outros colegas homeopatas, nem de competir com estes colegas. Minha proposta é de contribuir com o colega parceiro, através de meu trabalho com Homeopatia, especialmente na solução daqueles casos em que o tratamento clássico apresenta resultados parciais ou insatisfatórios, atuando em sinergia com o colega médico veterinário parceiro, de uma forma complementar, integrada e, ao mesmo tempo, independente (assim, o paciente continuará sob a orientação e o tratamento do colega parceiro), em prol da saúde, bem-estar e qualidade de vida de nossos pacientes.

A vida me ensinou a lidar com a questão ética de uma forma muito particular. Ética, para mim, é respeitar o próximo e tratá-lo com educação. É jamais tomar qualquer atitude para levar alguma vantagem em detrimento ou prejuízo do outro. É ter a consciência de que todos têm o direito de buscar o seu espaço profissional, pois há espaço para todos, conforme a capacidade e a competência de cada um. É não fazer qualquer comentário sobre outro colega, mesmo que discorde frontalmente de sua posição. Inclusive, em relação à sua postura profissional. Por exemplo, antes de iniciar o tratamento de um paciente, deixo bem claro aos seus responsáveis que restrinjo meus comentários ao meu trabalho com Homeopatia. Assim, qualquer dúvida sobre diagnóstico, tratamento e prognóstico do paciente, deve ser dirimida com o colega parceiro, que o encaminhou para o tratamento homeopático. Bem como, qualquer outro assunto relacionado ao paciente, como vacinação, everminação, orientação nutricional, etc. Meus comentários a respeito do paciente são absolutamente restritos ao meu tratamento homeopático. E não abro mão disso, mesmo que desagrade ao cliente. É uma questão de postura profissional ética!

1.5 Credibilidade.

Trabalho com Homeopatia desde 1992, primeiro ano de meu curso de especialização (tive uma formação unicista), que concluí em 1994. Após, passei a me aprofundar no estudo da Homeopatia, inclusive estudando outras escolas, que utilizavam metodologias distintas, onde destaco o curso de pós-graduação que realizei pela ABRAH (com uma visão sistêmica), entre 2004 e 2005. Também fiz alguns cursos na área da medicina complementar, que trouxeram uma inestimável contribuição para o meu aprimoramento profissional. Clique aqui para saber mais.

O conhecimento teórico e a prática clínica adquirida ao longo dos anos foram estruturando uma metodologia própria, que ainda estou desenvolvendo e aprimorando, sendo a mesma utilizada em uma pesquisa clínica, com resultados altamente satisfatórios, que realizei durante 8 anos, entre 2005 e 2013, de uma forma independente, através de uma parceria que estabeleci com a Liga Homeopática do RS, em Porto Alegre, onde realizei um trabalho voluntário neste mesmo período.

Assim, mais que um tratamento, ofereço credibilidade, pois posso afirmar que meu trabalho já foi testado e aprovado, estando baseado em evidências, respaldado por esta pesquisa clínica que realizei, com um alto grau de eficácia. E isto traz mais confiança e segurança, tanto aos colegas parceiros quanto aos clientes, que depositarão sua total confiança em nosso tratamento homeopático, no sentido de proporcionar saúde, bem-estar e qualidade de vida a seus pacientes e animais de estimação, respectivamente.

1.6 Transparência.

Este é um trabalho diferenciado, qualificado e que apresenta o potencial de proporcionar um alto grau de eficácia. Entretanto, é bastante complexo e apresenta algumas peculiaridades. Até mesmo, porque utilizo uma metodologia própria. Por isso, faço questão, antes de estabelecer uma parceria, de realizar uma visita ao colega médico veterinário para apresentar esta proposta de parceria, a fim de esclarecer em que consiste o meu trabalho com Homeopatia, qual o seu diferencial, explicar a minha metodologia e esclarecer dúvidas. Apesar dos imensos avanços tecnológicos do nosso tempo, ainda considero que o contato pessoal é imprescindível para o estabelecimento de vínculos consistentes e duradouros, como é o caso desta parceria, que tem por objetivo maior beneficiar os pacientes, proporcionando saúde, bem-estar e qualidade de vida. Consequentemente, seus responsáveis ficarão felizes e satisfeitos. A valorização profissional é uma consequência, que considero até natural, deste trabalho, que é diferenciado, qualificado e que apresenta um alto grau de eficácia. Inclusive, uma das minhas bandeiras é a valorização do trabalho do médico veterinário.


2. CLIENTE.

O responsável pelo paciente tem uma importância fundamental para o sucesso deste trabalho, pois é ele quem fornecerá as informações sobre o paciente (já que nossos amigos caninos e felinos não tem o dom da palavra), além de ter o poder de decisão sobre a continuidade do tratamento, fator crucial para que a terapêutica homeopática disponibilize todo o seu potencial de benefícios aos pacientes. Assim, considero de suma importância a sua compreensão e consciência do que consiste o tratamento pela Homeopatia.

2.1 Contato Inicial.

Quando um colega parceiro encaminha um paciente, o primeiro passo é conversar com o seu responsável. Faço uma pequena entrevista com ele, seja por telefone ou e-mail, para saber mais sobre o quadro do paciente, a fim de fazer uma projeção inicial se o meu trabalho com Homeopatia terá condições de beneficiar o paciente e também de atender as expectativas de seu responsável. É claro que o parecer do colega parceiro a respeito do quadro clínico do paciente também é de suma importância. Só assumo o tratamento de um paciente se avaliar que tenho condições de ajudá-lo a desfrutar de uma vida mais saudável e com qualidade. Não tenho o menor interesse em iniciar o tratamento de um paciente que não acredito que terei sucesso, seja por ambição profissional ou questão financeira. Não faço isso! É uma questão de ética, respeito, caráter e dignidade! O meu objetivo não é vender uma ilusão, mas cumprir com aquilo a que me proponho: proporcionar uma vida digna, saudável e de qualidade ao paciente, e satisfação aos seus responsáveis. Só assim meu trabalho faz sentido!

2.2 Apresentação Prévia.

No dia da primeira avaliação, faço uma apresentação resumida do que consiste o tratamento pela Homeopatia, que este sistema terapêutico apresenta diferentes concepções e conceitos, podendo ocorrer alguns fenômenos específicos durante a evolução do paciente. Também explico a minha metodologia e coloco-me à disposição do tutor do paciente para o esclarecimento de possíveis dúvidas que ele venha a ter sobre este trabalho. Considero isto fundamental para que o proprietário tenha conhecimento e plena consciência, a fim de que haja uma sequência, fator essencial para o sucesso do tratamento. Na minha opinião, não tem o menor sentido iniciar o tratamento e não dar uma sequência ao mesmo. Seria melhor, então, nem iniciarmos o tratamento, pois, em quadros crônicos, que é o objetivo deste trabalho, os resultados amplamente satisfatórios e consistentes costumam ocorrer a médio ou longo prazo, estando na dependência do quadro do paciente e de sua evolução.

2.3 Informações Sobre o Paciente.

A verbalização sobre o quadro clínico é muito importante em Homeopatia. Mas os animais não falam, então precisamos nos basear nas informações fornecidas pelos seus responsáveis, que convivem cotidianamente com eles e são aqueles que mais conhecem os pacientes. Quanto mais detalhes e minúcias forem relatadas, quanto mais fidedignas forem estas informações, mais condições propícias teremos para uma melhor compreensão do paciente, estabelecendo a estratégia terapêutica mais adequada, com uma prescrição medicamentosa capaz de direcionar este paciente no sentido do restabelecimento de sua saúde.


3. PACIENTE.

3.1 Tratamento de Doenças Crônicas e Distúrbios Comportamentais em Cães e Gatos.

A Homeopatia tem condições de tratar doenças físicas e mentais (comportamentais, nos animais), sejam agudas ou crônicas. Entretanto, desde que iniciei a trabalhar com Homeopatia, há 25 anos, o meu foco sempre foi o tratamento de doenças de caráter crônico em caninos e felinos, incluindo os transtornos de comportamento. Considero o tratamento de quadros crônicos, principalmente naqueles casos em que a abordagem clássica apresenta resultados parciais ou insatisfatórios, o grande diferencial da terapêutica homeopática.

3.2 Concepção de Saúde e Doença.

A Medicina Clássica apresenta uma concepção materialista, baseada no paradigma mecanicista cartesiano, procurando a patologia em alterações estruturais e quantitativas. Por ser reducionista, considera que a doença está na célula, está no excesso ou na carência de alguma substância (um hormônio, por exemplo), está na detecção de um microorganismo patogênico (uma bactéria, um vírus, um fungo). Assim, a terapêutica empregada está de acordo com esta concepção de doença, sendo que os exames complementares, sejam laboratoriais, por imagem, são essenciais para o diagnóstico, o tratamento e o prognóstico da doença.

A Homeopatia possui uma concepção diferenciada, em termos de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e cura. Apresenta uma concepção imaterial, ou seja, dinâmica, sendo que Hahnemann almejou explicá-la pelo vtalismo, em que os sintomas representam o transtorno da força vital. Mas a Homeopatia também pode ser explicada por uma visão sistêmica, em que a doença é considerada uma instabilidade do sistema vivo, sendo que os sintomas não representam um mal, que deve ser combatido e eliminado, mas um movimento efetuado pelo sistema, na tentativa de restabelecer a sua estabilidade.

Em quadros crônicos, o seu objetivo não é tratar doenças, conforme estamos acostumados a concebê-las, mas o doente. E tratá-lo em sua totalidade, objetivando a sua individualização. Assim, o tratamento homeopático deve ser específico para o doente, não para a doença.

3.3 Sintomas como Parâmetros para a Compreensão e Tratamento do Doente.

Homeopatia é o tratamento pelos semelhantes: o medicamento homeopático cura no doente os mesmos sintomas que tem a capacidade de desenvolver em indivíduos saudáveis. Portanto, em Homeopatia, os sintomas são fundamentais para a abordagem, a compreensão e o tratamento do indivíduo doente, sendo também utilizados como parâmetros para a avaliação da sua evolução.

3.4 Cada Paciente é um Indivíduo Único.

O objetivo da Homeopatia é o tratamento do doente, não da doença. A individualização de cada paciente é um fator fundamental para o sucesso, tanto na prática clínica, como para a pesquisa em Homeopatia.

Conforme Célia Barollo, cada ser humano reage às agressões do meio de uma forma particular, sendo influenciado por diversas circunstâncias, pois cada pessoa apresenta características que são específicas suas, sendo semelhantes aos sintomas que um dado medicamento desenvolve ao ser experimentado no homem saudável. Assim, indivíduos com a mesma doença poderão receber medicamentos distintos. (BAROLLO, 1995)

“Em cada doença existem os sintomas comuns a todas as pessoas e os peculiares a cada doente, o que o individualiza, particulariza, diferindo-o de todos os demais. O médico homeopata trata o doente e não suas doenças. (...) Assim, cada indivíduo terá seu medicamento próprio, de fundo ou constitucional que servirá para tratar suas queixas (físicas e mentais) ou, melhor dizendo, o desequilíbrio de sua Energia Vital. (...) Dessa forma, dois indivíduos com a mesma doença poderão receber medicamentos diferentes, enquanto vários pacientes, que sofrem de doenças diferentes, poderão ser curados com o mesmo medicamento.” (BAROLLO, 1995, pp. 19, 22 e 23)

"A homeopatia preocupa-se com os aspectos individuais de cada paciente, pois é na individualidade que se baseia o tratamento, tanto para a prescrição, como para o acompanhamento. Cada paciente tomará o medicamento que mais se adeque ao seu quadro individual.
É claro que a alopatia também interessa-se pelos aspectos individuais dos pacientes, mas esses interesses são totalmente superficiais, para não dizer demagógicos. Cada caso é um caso, mas infecção é igual a antibiótico, alergia é igual a antialérgico, inflamação é igual a anti-inflamatório, seja o paciente quem for. Aspectos individuais, nunca ou quase nunca, são usados para a realização de prescrições em alopatia, no entanto, em homeopatia, eles são a base de todo o tratamento. Indicam-se medicações completamente diferentes para pacientes que apresentam o mesmo quadro clínico, diferenciando-os por aspectos idiossincrásicos, como um traço de personalidade ou um sintoma que acompanha a menstruação, ou até mesmo um sonho repetitivo pode definir qual a melhor medicação para tratar um paciente com asma.
Isto pode ser uma ideia até certo ponto surpreendente para quem não está habituado aos conceitos homeopáticos, mas é bastante óbvio para qualquer homeopata e tem-se obtido êxito há 200 anos." (ROSENBAUM, 2002, p. 186)

E na Medicina Veterinária, como seria? Juan Gómes afirma que o homeopata deve tratar o paciente e não a enfermidade que o mesmo apresenta, sendo cada paciente único, inédito e irreproduzível, pois em Homeopatia não há doenças, mas doentes. Salienta que o tratamento é sempre individual e particular, sendo cada paciente único e diferente de qualquer outro, ainda que aparentemente sofra da mesma enfermidade. Adverte, ainda, que este fato faz com que o tratamento se desenvolva como um processo, que exige muito estudo, conhecimento, tempo e paciência. (GÓMES, 2001)

O código genético, por intermédio da síntese de proteínas, é quem determina a constituição de cada indivíduo, tanto em seu aspecto geral, mental e físico. No livro "Genética Médica. Thompson & Thompson", há a seguinte afirmação:

“(...) podemos concluir que cada pessoa, independente de seu estado de saúde, tem uma constituição única geneticamente determinada e, portanto, responde de modo único a influências ambientais, dietéticas e farmacológicas. Este conceito de individualidade química, destacada pela primeira vez há um século pelo brilhante médico inglês Sir Archibald Garrod, permanece verdadeiro até hoje." (NUSSBAUM et al., 2002, p. 76)

E, mais adiante, conclui de forma enfática: “(...) com exceção dos gêmeos monozigóticos (ou trincas idênticas e outros nascimentos múltiplos), cada pessoa é geneticamente única.” (NUSSBAUM et al., 2002, p. 244)

Ou seja, sob o prisma genético, cada indivíduo é único, inédito, exclusivo, não existindo outro igual. E, assim sendo, cada indivíduo dever requerer um medicamento distinto.

"A aplicação dos conhecimentos do Projeto do genoma humano à farmacogenética deve levar a uma era de 'medicina individualizada', na qual medicações apropriadas e terapias são criadas para cada paciente, considerando não apenas a apresentação e o curso da doença, mas também a constituição genética específica do indivíduo.” (NUSSBAUM et al., 2002, p. 222).

E o tratamento individualizado e específico para cada paciente é o que defende a Homeopatia, desde o seu criador, Samuel Hahnemann, há mais de 200 anos, pois cada indivíduo, seja humano ou de outra espécie animal, é único, inédito e exclusivo.

3.5 Antropomorfismo.

Realizei meu curso de especialização em Homeopatia pela Sociedade Gaúcha de Homeopatia, entre 1992 e 1994, em que era preconizada a utilização da metodologia unicista, a partir de uma concepção vitalista, em que a doença seria resultado de uma desarmonia da força vital, responsável por todas as sensações e funções do organismo, sendo manifestada por sintomas. O tratamento deveria ser voltado para o doente, como um todo, buscando a sua individualização, através do estudo de seus sintomas, de ordem mental, geral e física. Desde o começo, valorizei muito os sintomas mentais, que são os sintomas do comportamento, nos animais, interpretando-os à luz de meu entendimento e compreensão. Ou seja, realizava uma antropomorfização, criticada por muitos. Entretanto, comecei a obter resultados interessantes e promissores, embora minha pouca vivência como homeopata. À medida que ia ganhando experiência, via meu trabalho consolidar-se.

Em 1995, numa Jornada de Homeopatia Veterinária, em Curitiba-PR, conheci o Dr. Juan Agustin Gómes, discípulo do Dr. Masi Elizalde, que propunha um modelo mais profundo de estudo de cada paciente, trazendo conceitos como dinâmica miasmática e um terceiro nível de abordagem e compreensão do doente através da Homeopatia. Assisti a diversos cursos e conferências do Dr. Juan Gómes, a quem agradeço muito pelo aprendizado que obtive e considero uma das minhas grandes referências no estudo da Homeopatia, além de um grande exemplo de ser humano, pelo seu respeito e dedicação à saúde dos animais.

Gómes afirma que é possível aplicar os princípios da Homeopatia nos animais, pois a força vital é universal, sendo a mesma em todos os seres vivos, e suas manifestações ocorrem em todos eles, da mesma maneira. Além disso, a ação dos medicamentos homeopáticos tem sido experimentada em seres humanos, não havendo necessidade da experimentação em animais, por ser o homem o melhor animal de experimentação, pois pode expressar verbalmente o que sente. Conclui afirmando que todas as doenças, agudas ou crônicas, físicas ou psíquicas, graves ou banais dos animais podem ser tratadas mediante a aplicação do método homeopático. (GÓMES, 1998)

As sábias palavras e ensinamentos deste grande, extremamente competente e experiente Médico Veterinário Homeopata serviriam como alicerce, que consolidava cada vez mais meu caminho através da Homeopatia, mostrando que, apesar de inúmeras dúvidas e incertezas, estava no rumo certo.

Outro expoente da Homeopatia Veterinária brasileira e sul-americana, o Dr. Antonio Sampaio recebeu o primeiro título de especialista em Homeopatia na Medicina Veterinária no Brasil, concedido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, em 1986. Assisti a várias palestras e conferências ministradas pelo Dr. Sampaio, desde 1993, em congressos e jornadas promovidas pela Associação Médica Homeopática do Paraná. Também aprendi muito com este grande Médico Veterinário Homeopata. Sampaio relata os questionamentos e as incertezas durante o período inicial de estudo da Homeopatia, pois no curso era ensinado que os sintomas psíquicos eram fundamentais para a eleição do medicamento mais adequado ao paciente humano. E como seria nos animais? Afinal, estes eram tidos como irracionais, tendo um comportamento instintivo, não psíquico. Dessa forma, passou a observar o comportamento do animal, comparando-o com o comportamento humano, utilizando os sintomas do psiquismo humano que possuiam semelhança com o comportamento do animal. Além de constatar correspondência de um grande número de sintomas de ordem psíquica humana nos animais, observou que à medida que utilizava o medicamento homeopático correspondente aos sintomas psíquicos selecionados, ocorria modificação no comportamento do animal. Sampaio ressalta a necessidade de compreensão do animal como indivíduo, que também teria um universo mental particular e sofreria as variações do meio, conforme o seu modo de ser, o que poderia ocasionar o seu adoecimento físico e psíquico, muito em função do homem não compreender que os animais poderiam ter sentimentos, sensibilidade e inteligência, captando a desarmonia do meio em que se encontram. Sampaio conclui afirmando que um dos objetivos de seu trabalho com Homeopatia é conscientizar o ser humano sobre a sua responsabilidade com os animais, mostrando que o homem não possui a exclusividade da inteligência, dos sentimentos e do afeto. (SAMPAIO, 1995)

Conforme a Dra. Maria do Carmo Arenales, em "Sintomas Mentais dos Animais Domésticos" (Ed. Mythos, 1995), o processo de domesticação ocasionaria o sofrimento existencial do animal, sendo a causa da sua doença. Arenales cita um relato de Samuel Hahnemann, em que o criador da Homeopatia afirma a possibilidade de cura nos animais através do método homeopático, desde que haja relação de semelhança entre os sintomas do animal doente e os sintomas mórbidos do medicamento eleito para tratá-lo, enfatizando que as diversas modificações que podem ser observadas em sua aparência, conduta e funções naturais e vitais substituem perfeitamente as palavras. Arenales afirma que os animais são sempre autênticos ao demonstrar as suas emoções, expressando-as através de sua conduta, personalidade, humor, sensibilidade e afetividade, sendo que podemos interpretar estas emoções pelo estudo de seu comportamento, à luz do antropomorfismo. Complementa, sustentando que as emoções humanas que não foram mescladas aos animais foram a mentira, a hipocrisia e a falsidade (ARENALES, 1995).

Isto me faz lembrar do relato de uma cliente, em que atendi diversos cães e gatos de sua propriedade. Ao constatar que a evolução do tratamento homeopático apresentava resultados muito mais rápidos e satisfatórios nos seus animais, quando comparada ao tratamento homeopático humano, conforme a sua experiência, esta cliente afirmava que isto ocorria pelos animais serem mais "puros e limpos"; dessa forma, o medicamento homeopático teria condições de atuar em seus organismos de uma forma mais célere, plena e eficaz.

Os testemunhos de Gómes, Sampaio e Arenales, três precursores da Homeopatia Veterinária no continente sul-americano, corroboram a minha concepção de abordagem do paciente, valorizando os sintomas mentais nos animais, pois eles realmente possuem inteligência, sentimentos e emoções, expressados através de seu comportamento. Cabe a nós, homeopatas, compreendê-los, a partir de uma meticulosa anamnese e uma sagaz observação, aliada a uma apurada sensibilidade, valendo-nos do antropomorfismo.

3.6 Estudo Profundo e Minucioso do Doente.

É preciso compreender o doente em sua integralidade, através de um profundo e minucioso estudo da totalidade de seus sintomas. Em Homeopatia, precisamos transformar os sintomas apresentados pelos pacientes em linguagem repertorial, a fim de elegermos o(s) medicamento(s) mais adequado(s) para o tratamento de cada paciente. Para mais informações, sugiro a leitura de A importância dos sintomas em Homeopatia.

Certa vez, escutei de um conhecido humorista que o sucesso de seu programa de TV se devia a menos de 10% de inspiração e mais de 90% de transpiração. Desde o começo de meu trabalho com Homeopatia em Medicina Veterinária, em 1992, sempre procurei estudar cada paciente de uma forma profunda e meticulosa. Primeiramente, buscando executar a anamnese da maneira mais completa possível, depois observando o paciente e desenvolvendo o exame clínico. Sempre visando compreendê-lo como um todo. Por exemplo, se o paciente apresentava um quadro dermatológico (sendo este o motivo pelo qual o seu responsável buscou o tratamento homeopático), a anamnese era direcionada à totalidade do paciente, onde os sintomas mentais (expressos pelo comportamento, nos animais), desempenham um papel preponderante. E isto, muitas vezes, não era totalmente compreendido pelos proprietários dos pacientes. Por isso, defendo que seja feita uma apresentação prévia do que consiste a terapêutica homeopática, antes do início do tratamento.

Após uma cuidadosa investigação, durante a consulta propriamente dita, estudava minuciosamente o caso de cada paciente, procurando compreendê-lo através da manifestação de seus sintomas. E essa era a parte mais laboriosa e cansativa, mas, ao mesmo tempo, considero que este seja um dos grandes diferenciais de meu trabalho, ao longo desses mais de 25 anos de estudo e prática clínica em Homeopatia. Com o passar do tempo, passei a estudar outras escolas homeopáticas, ampliando as possibilidades de abordagem de cada paciente. Também passei a introduzir um questionário prévio, que, por um tempo, chamei de pré-anamnese (numa alusão à pré-libertadores - sem dúvida, o futebol, além da música - o rock, em particular - e um choppinho gelado, nos fins de semana, para descontrair, são minhas escolhas preferidas para os momentos de lazer).

A vida me mostrou, na prática, que aquele saudoso humorista mexicano estava coberto de razão: o sucesso depende muito mais de uma rotina íngreme e disciplinada de trabalho do que alguns poucos momentos de inspiração. Mas a recompensa é plena, sob forma de saúde, bem-estar e qualidade de vida dos meus pacientes, além de satisfação e agradecimento por parte de seus responsáveis.

3.7 Considerar Conhecimento em Homeopatia: Diferentes Correntes, Escolas e Metodologias.

Samuel Hahnemann foi o criador da Homeopatia, estruturando o tratamento pelos semelhantes, que já havia sido citado por Hipócrates, a partir de uma concepção vitalista.

Desde a base criada por Hahnemann, a Homeopatia disseminou-se mundo afora. Hoje, existem diferentes correntes terapêuticas, com diversas escolas, utilizando, muitas vezes, metodologias distintas. E todas apresentando resultados satisfatórios, cada uma à sua maneira.

Vou reportar a minha trajetória de estudo e serviço com Homeopatia, para demonstrar a diversidade de formas que o sistema que utiliza o princípio da semelhança pode empregar para o tratamento dos doentes.

Em 1985, tive o meu primeiro contato com a Homeopatia, participando do 4º Simpósio Brasileiro de Homeopatia Veterinária, promovido pelo Diretório Acadêmico Vital Brasil Filho, da Universidade Federal Fluminense, em Niterói-RJ. Mas foi em 1989 que passei a estudá-la, iniciando o I Curso de Homeopatia para Médicos Veterinários, promovido pelo Instituto Homeopático Jacqueline Pecker, em Campinas-SP, que, infelizmente, não pude concluir. Este curso era baseado em princípios do pluralismo e complexismo, a partir, predominantemente, de conceitos estabelecidos por autores franceses.

Por motivos profissionais, só a partir de 1992 pude retomar meu estudo, iniciando o Curso de Especialização em Homeopatia, da Sociedade Gaúcha de Homeopatia, em Porto Alegre-RS, minha cidade natal, sendo concluído em 1994. Considero este o marco inicial de minha trajetória como médico veterinário homeopata, pois foi a partir deste momento que comecei a utilizar o tratamento homeopático em animais. Aprendi muito neste curso de especialização, baseado em Hahnemann, Kent, Paschero e outros autores clássicos. Agradeço a todos os professores, em especial à Dra. Maria de Lourdes Alexandre, responsável pelas aulas práticas e orientação de meus primeiros passos na Homeopatia Veterinária. Entretanto, este curso possuía um direcionamento exclusivamente unicista, repudiando, veementemente, qualquer outro método que ousasse confrontá-lo. E foi dessa forma que atuei durante uns bons anos.

A partir de 1995, passei a assistir cursos e palestras do Dr. Masi Elizalde e do Dr. Juan Gomes, médico veterinário homeopata (ambos argentinos), trazendo para a Medicina Veterinária a Homeopatia de terceiro nível, proposta pelo Dr. Elizalde, que considero uma evolução da Homeopatia unicista clássica.

Em 2003, participei em Curitiba-PR, do primeiro seminário de Homeopatia Previsível no Brasil, ministrado pelo Dr. Prafull Vijayakar e equipe, da Escola Predictive Homeopathy, de Mumbai, Índia. A busca de uma Homeopatia científica, sendo explicada a partir das ciências médicas básicas (genética, embriologia, fisiologia, endocrinologia, imunologia, etc.), trazendo conceitos como "Simillimum Genético Constitucional" e uma teoria da supressão, a partir da embriologia, trouxe contribuições significativas, além de uma outra visão na forma de empregar o unicismo.

Apesar de ter formação unicista, sempre procurei estar aberto a outros métodos terapêuticos. Por exemplo, desde 1989, assistindo a um curso seu, ministrado durante a VII Semana Homeopática, promovida pelo Instituto Homeopático François Lamason, em Ribeirão Preto-SP, acompanhei diversas conferências e palestras do Dr. Cláudio Martins Real, primeiro médico veterinário homeopata brasileiro, discípulo do médico homeopata francês, Dr. Léon Vannier, utilizando uma metodologia baseada no pluralismo e complexismo. Inclusive, sendo o pioneiro no emprego de uma Homeopatia populacional.

Entre 2004 e 2005, cursei e concluí o Curso Básico de Homeopatia, Medicina Interna e Terapêutica - Nível Pós-Graduação, promovido pela ABRAH (Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia), ministrado pelo Dr. Romeu Carillo Jr. e pela Dra. Maria Solange Gosik, em Porto Alegre. Entre 2005 e 2008, participei do Curso de Instrução Continuada em Medicina Contemporânea, Medicina Interna e Terapêutica, também pela ABRAH. Entre 2005 e 2014, participei de diversos congressos promovidos pela ABRAH (CONABRAH). Compreender e tratar o doente a partir de uma visão sistêmica, além de proporcionar um enfoque contemporâneo à Homeopatia, expandiu significativamente meu conhecimento e possibilidades terapêuticas, ampliando os benefícios aos meus pacientes.

Em dezembro de 2004, participei do Curso de Homeopatia sobre os Fatores de Auto Organização, ministrado pela Dra. Miria de Amorim, no Rio de Janeiro. Baseado em conceitos da alquimia, física moderna e pensamento sistêmico, o Método FAO relaciona os chakras com a Homeopatia, utilizando medicamentos homeopáticos específicos.

Em abril de 2014, participei do Curso Atualização e Prática nos Autores Contemporâneos - Scholten, Sankaran e Mangialavori, ministrado pelo Dr. Ruy Madsen, na APH, em São Paulo. Gostei muito da proposta apresentada pelo Dr. Madsen, agregando à Homeopatia clássica o que foi desenvolvido nas últimas décadas pelos homeopatas contemporâneos.

É extamente esta a visão que tenho a respeito da Homeopatia: agregar novos conhecimentos, sem desprezar os antigos. Esta é a base de uma metodologia própria, que venho desenvolvendo e aprimorando há mais de duas décadas, sendo a mesma utilizada em uma pesquisa clínica em caninos e felinos, apresentando um alto grau de eficácia. Tratar o doente como um todo, buscando a sua individualização, através de um profundo e minucioso estudo de seus sintomas – desta forma, o tratamento é específico para o doente, não para a doença. Flexibilidade na escolha da melhor forma de abordar e tratar o doente. Trabalhar de forma complementar, integrada e em sinergia com o colega médico veterinário parceiro, seja clínico geral ou de outra especialidade. E sequência no tratamento. Estes são alguns itens fundamentais desta metodologia.

3.8 “Minha” Compreensão do Doente.

Há muitos anos atrás, lendo um livro sobre psicologia, me deparei com uma imagem que me deixou intrigado, onde aparecia o desenho do rosto de uma senhora idosa. Entretanto, o autor insistia que poderíamos enxergar na mesma imagem o perfil de uma bela jovem. Mas eu só conseguia ver a idosa. Depois de algum tempo, passei a enxergar também a jovem. E com o olhar mais "treinado", passei a encontrar a jovem ou a idosa, dependendo de quem gostaria de enxergar. Interessante que na própria física quântica é crucial numa experimentação a escolha do observador, na questão da dualidade onda-partícula do elétron: conforme o desejo do experimentador, ele encontrará o mesmo elétron sob forma de energia ou matéria. A escolha é sua! E o que isso tem a ver com a Homeopatia?

Não há apenas uma única maneira de empregarmos o princípio da semelhança no tratamento de nossos pacientes. Existem diferentes correntes terapêuticas (o exemplo mais óbvio é a contraposição entre unicismo e pluralismo), com diferentes escolas em cada uma destas correntes, utilizando, muitas vezes, metodologias distintas. Por isso é que gosto sempre de ressaltar que trago a minha visão a respeito da Homeopatia, que está de acordo como o meu histórico, com o que estudei e com a minha experiência. Portanto, outro homeopata, seja médico humano ou veterinário, poderá ter uma compreensão distinta da minha, que estará de acordo com o seu histórico, com o que estudou e também com sua experiência. Mesmo que hajam divergências em diversos pontos, isto não significa, necessariamente, que qualquer um de nós esteja errado. Apenas estaremos expressando a compreensão que cada um de nós tem sobre o tratamento pelos semelhantes.

O especialista em psicologia comportamental Robert Anthony afirma que "Todas as suas decisões e ações são baseadas no seu atual nível de informação, percepção, conhecimento e convicção. (...) O fato é que você nunca pode fazer e construir melhor do que está fazendo e construindo neste momento, porque está limitado pelo seu atual nível de informação. Daí, o melhor que você realiza atualmente ainda contém alguns defeitos. (...) Somente depois que seu nível de informação, percepção e convicção for elevado, ampliado e expandido é que você poderá fazer, realizar e construir melhor" (ANTHONY, Robert. As Chaves da Autoconfiança. 8ª ed. São Paulo, Ed. Best Seller, p. 70).

Portanto, cada um de nós sempre faz o melhor que pode, dentro das limitações individuais e peculiares a cada um. Na minha opinião, quanto mais conhecimento e experiência incorporarmos em nosso "acervo profissional", maior será a nossa qualificação, diferenciação e também maior será a possibilidade de proporcionarmos um atendimento de excelência, alcançando resultados altamente satisfatórios em nosso trabalho com Homeopatia, que será diretamente proporcional à compreensão mais fidedigna possível que teremos de nossos pacientes.

3.9 Prescrição Medicamentosa: Repertorização e Matéria Médica.

Conforme o meu entendimento sobre o caso de cada paciente, busco tratá-lo de uma determina forma, que considero ser a mais adequada. Para a execução da prescrição medicamentosa, considero os sintomas característicos do paciente, que levarão à sua individualização. Primeiramente, transformo os sintomas em uma linguagem repertorial; depois faço um estudo comparativo dos principais medicamentos, em diferentes matérias médicas homeopáticas.

3.9.1 O Repertório de Sintomas Homeopáticos.

Homeopatia significa semelhante cura semelhante. Ou seja, é o sistema terapêutico que utiliza o princípio da semelhança. O medicamento homeopático cura no doente os mesmos sintomas que ele é capaz de provocar em indivíduos saudáveis. Os sintomas mentais, gerais e particulares de cada medicamento estão catalogados em diferentes matérias médicas homeopáticas. Com o objetivo de facilitar a obtenção do medicamento mais apropriado para o tratamento de cada paciente, foram criados os repertórios homeopáticos. De acordo com Rosenbaum:

"O repertório é um índice, um dicionário dos sintomas das matérias médicas e da experiência clínica dos homeopatas. Pode ser utilizado para o estudo individual e comparativo dos medicamentos e para facilitar a busca do medicamento mediante o método da repertorização. O repertório constitui uma ponte para a Matéria Médica Homeopática." (ROSENBAUM, 2002, p. 254)

Embora seja de uma inestimável utilidade, o repertório homeopático dever ser usado como um instrumento (valioso, por sinal), mas não ser o fator decisivo na escolha do medicamento indicado para determinado paciente. Os sintomas no repertório estão soltos, fora de contexto. O repertório apenas revela os possíveis medicamentos mais adequados para tratar cada caso. Entretanto, a Matéria Médica sempre deverá ser consultada. De acordo com Elias Carlos Zoby:

“Repertorização é a busca no repertório pelas rubricas que melhor expressem os sintomas do caso atendido, seguida de análise para indicação dos medicamentos mais prováveis de apresentar um quadro semelhante à totalidade dos sintomas. Após fazer isso as patogenesias e matérias médicas devem ser consultadas para saber qual dentre eles é realmente o mais semelhante ao caso.” (ZOBY, 2002, p. 13)

Existem diversos repertórios e várias técnicas repertoriais. Eu sempre utilizei o repertório em meu trabalho com Homeopatia. Desde o primeiro ano de meu curso de especialização, em 1992, utilizei "El Moderno Repertorio de Kent", em espanhol. Em 1995, adquiri o repertório digital Lince (também em espanhol), que possibilitou o meu primeiro contato com o computador. Foi aí que constatei que os computadores, ao contrário de alguns cachorros, não mordiam! Em 1996, adquiri o "Repertório de Sintomas Homeopáticos", de Ariovaldo Ribeiro Filho, contando com 1604 medicamentos, distribuídos em 42 capítulos; além de ser mais atualizado, apresentava ainda a vantagem de ser em língua portuguesa. A partir de 2001, passei a utilizar o repertório digital Synthesis, do programa Radar, adquirindo uma nova versão em 2009. Existem diversos outros repertórios, eu mesmo possuo alguns, mas estes quatro que citei foram os que mais utilizei em minha jornada como homeopata, cada um em seu momento.

3.9.2 A Matéria Médica Homeopática.

"A matéria médica é a principal ferramenta de trabalho do homeopata, pois é nela que ele vai buscar o medicamento que, tendo sido capaz de desencadear um determinado conjunto de sintomas, será capaz de curar um indivíduo que manifesta a sua doença pelos mesmos sintomas" (ROSENBAUM, 2002, p. 144).

Na matéria médica pura os sintomas são apresentados conforme o relato dos experimentadores:

"A Matéria Médica Homeopática reúne numa mesma obra, as informações disponíveis sobre a ação de vários medicamentos. Ela compila todos os sintomas que foram observados após o emprego de determinada substância isoladamente nas experimentações em pessoas sadias, em intoxicações, ou como efeitos colaterais durante o emprego terapêutico. Esta é a matéria médica pura, na qual os sintomas são descritos assim como foram relatados pelos experimentadores ou observados pelos diretores de experimentação. As mais importantes são as do próprio HAHNEMANN, de ALLEN e de HUGHES." (ROSENBAUM, 2002, p. 144)

A matéria médica clínica é uma outra espécie de matéria médica homeopática, onde os sintomas não são mais relatados conforme observados pelo experimentador, ocorrendo, isto sim, a narração do autor a respeito de sua prática clínica com cada medicamento, determinando os sintomas mais frequentes e peculiares (Cf. ROSENBAUM, 2002).

No estudo de cada medicamento, costumo utilizar diversas matérias médicas, pois considero muito importante ter diferentes interpretações do mesmo medicamento, por autores distintos. As matérias médicas que mais utilizo são a de Vijnovsky, Lathoud, Vannier, Allen, M. Tyler, Boericke, Hering, Torro, Radar Keynotes e IBEHE.

3.10 Medicina Complementar: Corroborar Diagnóstico e Tratamento.

Sempre apresentei um interesse especial pelo aspecto científico da Homeopatia, principalmente em relação à compreensão sobre a ação dos medicamentos homeopáticos. Ou seja, de que forma eles atuam, através do princípio da semelhança, para restabelecerem a saúde dos pacientes, colocando-os em um equilíbrio estável, já que na pratica, comprovava cotidianamente a eficácia do tratamento homeopático na clínica de cães e gatos.

Foi basicamente com esse intuito que participei do II Congresso Brasileiro de Medicina Complementar, em abril de 2002, em São Paulo. Nesta oportunidade, adquiri informações e aprofundei meus conhecimentos sobre Métodos Complementares de Diagnóstico e Tratamento, como Iridologia, Exame por Biorressonância, Radiestesia, Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa, Terapia por Biorressonância, Oligoterapia, Terapia Ortomolecular, etc. E estabeleci o seguinte raciocínio: se a Homeopatia já funciona tão bem nos pacientes, imagine se dispusesse do arsenal diagnóstico e terapêutico da Medicina Complementar... Certamente, poderia beneficiar ainda mais meus pacientes.

A partir deste episódio, comecei a frequentar Cursos e Congressos na área de Medicina Complementar. Em 2002 e 2003, fiz Cursos de Exame por Biorressonância através do Aparelho de Eletroacupuntura de Voll. Em 2005 e 2006, realizei Cursos de Iridologia (Escola Americana – Jensen, Escola Alemã e Método Ray Id), sob orientação do Dr. Celso Battello, além de freqüentar diversos Congressos de Iridologia. Entre 2002 e 2006, freqüentei periodicamente Seminários de Terapia por Informação Biofísica (BIT), com ênfase em Terapia por Biorressonância, sob orientação do Dr. Francisco Vianna Oliveira Filho, em Campinas e São Paulo. Fiz Cursos de Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa (não concluído), Nutracêutica Biomolecular Veterinária, Oligoterapia, Radiestesia, Cromoterapia, Bioeletrografia (Foto Kirlian), além de assistir a várias Conferências sobre Florais, Terapia Ortomolecular, Fitoterapia, Imunoterapia Ativada, etc., em diversos Congressos e Simpósios.

A base de meu trabalho sempre foi a Homeopatia. Durante algum tempo, conforme a minha avaliação de cada caso, passei a utilizar, em caráter corroborativo, alguns métodos de diagnóstico e tratamento da Medicina Complementar. Atualmente, trabalho exclusivamente com Homeopatia, embora possa utilizar, conforme a minha avaliação, alguns conceitos inerentes aos métodos da Medicina Complementar que estudei. Considero de suma importância valorizar todo o conhecimento adquirido, pois em algum momento, em um determinado caso específico, poderá ser muito útil, no sentido de beneficiar meus pacientes.

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PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA UMA HOMEOPATIA EFICAZ - PARTE 2




Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br

CONTATO: celsopedrini@terra.com.br