EM PLENO SÉCULO XXI, POR QUE A HOMEOPATIA NÃO É ANACRÔNICA?



EM PLENO SÉCULO XXI, CADA VEZ MAIS INFORMATIZADO E TECNOLÓGICO, POR QUE A HOMEOPATIA NÃO É ANACRÔNICA? - PARTE I


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO.

O paradigma mecanicista cartesiano, apoiado filosoficamente no positivismo, trouxe enormes avanços para a humanidade. O método analítico, proposto por René Descartes, desvinculou a ciência da religião, sendo esta a causa fundamental do período de obscurantismo, especialmente na Idade Média. Particularmente na Medicina, deixando para trás um período considerado de absoluto retrocesso, onde a mesma era baseada em práticas místicas e religiosas.

A revolução científica, iniciada no século XVI, possibilitou que ocorressem crescentes avanços, em termos de conhecimento e tecnologia, resultando em uma progressiva melhoria da qualidade de vida das pessoas e em um aumento em sua expectativa de vida.

O mundo contemporâneo está cada vez mais informatizado e tecnológico, encurtando distãncias, desvendando mistérios e dasafiando limtes. Testemunhamos, cotidianamente, os avanços científicos e tecnológicos, que ocorrem em altíssima velocidade. A grande novidade de hoje, envelhecerá precocemente e logo sairá de moda, tornando-se ultrapassada e obsoleta, sendo em breve superada por outra mais prática, moderna e atual. Não é assim que acontece atualmente? Novos modelos são lançados em um ritmo frenético, sejam de carros, computadores, celulares, eletrodomésticos, etc., etc., etc.

Na Medicina, equipamentos de última geração e tecnologias de ponta nos dão a sensação de que estamos cada vez mais seguros, amparados por um sistema médico ultramoderno e eficaz.

Na própria Medicina Veterinária, se lembrarmos como era há 15, 20 ou 30 anos atrás... Não há comparação, a disparidade é abismal, em termos de conhecimento e tecnologia. Hoje existem modernos Hospitais Veterinários com recursos equivalentes aos Hospitais Humanos, em termos de equipamento, tecnologia e capacitação profissional, o que proporciona imensos avanços na qualidade do diagnóstico e tratamento de nossos pacientes, aumentando consideravelmente a qualidade de vida e a longevidade de nossos animais.

Neste contexto, ainda teria espaço para um sistema terapêutico que foi criado no final do século XVIII, que não é aceito cientificamente, por contrariar o modelo médico dominante, além de ser rotulado como arcaico, por transcorrer à margem da alta tecnologia moderna, utilizando um método considerado extremamente empírico?

Então, vejamos...

A Homeopatia apresenta uma concepção diferente, em termos de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e de cura. Tem por base o princípio da semelhança, em que uma substãncia é capaz de curar no doente os mesmos sintomas que provoca em indivíduos sadios.

Considero que o seu grande diferencial está no tratamento de quadros crônicos (incluindo os distúrbios de comportamento, em animais), especialmente quando o tratamento clássico apresenta resultados parciais e insatisfatórios. Em quadros dessa estirpe, é necessário abordar, compreender e tratar o doente como um todo, buscando a sua individualização, através de um profundo e minucioso estudo de seus sintomas.

Dessa forma, o tratamento homeopático é específico para o doente, não para a doença. Inclusive, o desrespeito a este requisito básico, é um grande fator de insucesso, tanto na prática clínica, como na pesquisa em Homeopatia.

Considero fundamental fazer este preâmbulo, para que algumas premissas básicas deste sistema terapêutico sejam compreendidas.

A seguir, relacionarei XXI justificativas por que considero que, apesar de vivermos em uma era extremamente informatizada e tecnológica, a Homeopatia não é arcaica, muito menos anacrônica, sendo, isto sim, um sistema terapêutico que apresenta o potencial de ser altamente eficaz, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas e seja praticada por profissionais sérios e plenamente capacitados.

I. SEM TOXICIDADE.

Por não basear-se na ação bioquímica e molecular da farmacologia clássica, o medicamento homeopático não apresenta efeitos tóxicos. Entretanto, não deve ser utilizado indiscriminadamente, como adverte a médica homeopata Célia Regina Barollo:

"Deve-se tomar remédios apenas quando absolutamente necessário, mesmo que esse remédio seja homeopático. (...) O velho adágio: 'Se a Homeopatia não faz bem, mal também não faz' deve ser totalmente esquecido, pois os medicamentos homeopáticos agem de forma energética sobre nosso organismo e, se mal indicados, podem desequilibrá-lo mais ainda." (BAROLLO, 1995, pp. 18 e 19)

Por outro lado, os imensos avanços na área da farmacologia propiciaram a descoberta e a produção de uma grande variedade de medicamentos, expandindo a amplitude de ação para o tratamento e controle das mais diversas enfermidades, salvando vidas, aumentando a longevidade e melhorando significativamente a qualidade de vida de pessoas e animais.

Não há dúvidas sobre os fantásticos benefícios proporcionados pelos fármacos modernos. Entretanto, os medicamentos utilizados pela medicina tradicional, provenientes da farmacologia clássica, tendo uma ação em nível bioquímico e molecular, também poderão ocasionar efeitos tóxicos, reações adversas e efeitos colaterais, associados, preponderantemente, à toxicidade da droga, dosagem, período de administração e sensibilidade individual aos seus componentes.

Em função de sua concepção de saúde e doença, baseada no paradigma mecanicista cartesiano, a ciência médica clássica procura produzir fármacos cada vez mais potentes. De acordo com George Vithoulkas:

"Infelizmente, a obsessão dos pesquisadores médicos em sua determinação de perseguir essa ideia errônea sobre micróbios e fatores concretos causadores da doença - apesar dos resultados cada vez mais desapontadores, sobretudo nas doenças crônicas - está levando progressivamente ao desenvolvimento de drogas cada vez mais tóxicas, que, por si mesmas, estão se tornando uma significativa ameaça à saúde pública." (VITHOULKAS, 1986, p. 27)

No início deste século, segundo a Associação Médica Americana, havia uma estimativa de que 106.000 pessoas faleceriam anualmente em decorrência de efeitos colaterais de medicamentos, estando em quarto lugar no ranking de óbitos nos Estados Unidos (MORAIS, 2001).

Fica evidente a notória vantagem da Homeopatia, ao não apresentar efeitos tóxicos provenientes da ação bioquímica e molecular, já que sua ação ocorre um nível energético, como veremos mais adiante (ver XIX).

II. FOCO NO DOENTE - INDIVIDUALIZAÇÃO.

O objetivo da Homeopatia é tratar o doente, não a doença, que representa o resultado da desarmonia apresentada pelo mesmo.

Conforme Célia Barollo, cada ser humano reage às agressões do meio de uma forma particular, sendo influenciado por diversas circunstâncias, pois cada pessoa apresenta características que são específicas suas, sendo semelhantes aos sintomas que um dado medicamento desenvolve ao ser experimentado no homem saudável. Assim, indivíduos com a mesma doença poderão receber medicamentos distintos. (BAROLLO, 1995)

“Em cada doença existem os sintomas comuns a todas as pessoas e os peculiares a cada doente, o que o individualiza, particulariza, diferindo-o de todos os demais. O médico homeopata trata o doente e não suas doenças. (...) Assim, cada indivíduo terá seu medicamento próprio, de fundo ou constitucional que servirá para tratar suas queixas (físicas e mentais) ou, melhor dizendo, o desequilíbrio de sua Energia Vital. (...) Dessa forma, dois indivíduos com a mesma doença poderão receber medicamentos diferentes, enquanto vários pacientes, que sofrem de doenças diferentes, poderão ser curados com o mesmo medicamento.” (BAROLLO, 1995, pp. 19, 22 e 23)

"A homeopatia preocupa-se com os aspectos individuais de cada paciente, pois é na individualidade que se baseia o tratamento, tanto para a prescrição, como para o acompanhamento. Cada paciente tomará o medicamento que mais se adeque ao seu quadro individual.
É claro que a alopatia também interessa-se pelos aspectos individuais dos pacientes, mas esses interesses são totalmente superficiais, para não dizer demagógicos. Cada caso é um caso, mas infecção é igual a antibiótico, alergia é igual a antialérgico, inflamação é igual a anti-inflamatório, seja o paciente quem for. Aspectos individuais, nunca ou quase nunca, são usados para a realização de prescrições em alopatia, no entanto, em homeopatia, eles são a base de todo o tratamento. Indicam-se medicações completamente diferentes para pacientes que apresentam o mesmo quadro clínico, diferenciando-os por aspectos idiossincrásicos, como um traço de personalidade ou um sintoma que acompanha a menstruação, ou até mesmo um sonho repetitivo pode definir qual a melhor medicação para tratar um paciente com asma.
Isto pode ser uma ideia até certo ponto surpreendente para quem não está habituado aos conceitos homeopáticos, mas é bastante óbvio para qualquer homeopata e tem-se obtido êxito há 200 anos." (ROSENBAUM, 2002, p. 186)

E na Medicina Veterinária, como seria? Juan Gómes afirma que o homeopata deve tratar o paciente e não a enfermidade que o mesmo apresenta, sendo cada paciente único, inédito e irreproduzível, pois em Homeopatia não há doenças, mas doentes. Salienta que o tratamento é sempre individual e particular, sendo cada paciente único e diferente de qualquer outro, ainda que aparentemente sofra da mesma enfermidade. Adverte, ainda, que este fato faz com que o tratamento se desenvolva como um processo, que exige muito estudo, conhecimento, tempo e paciência. (GÓMES, 2001)

A Genética demonstra que cada indivíduo é diferente de outro de sua espécie:

"Como seres humanos somos semelhantes, mas como pessoas somos diferentes. Cada um de nós tem um cortejo único de características físicas e mentais. (...) O código genético é inteiramente responsável por aquilo que constituirá o indivíduo resultante. (...) Genoma: Em 1998, a ciência moderna surgiu com uma pesquisa em genética. A manchete do jornal dizia: 'Projeto Genoma abre novas perspectivas...' Adiante lia-se: Trata-se de uma das maiores revelações... ' Neste tal Projeto Genoma afirma-se que são os genes que diferenciam uma pessoa da outra, então cada uma requer um remédio distinto. Isto nada mais é do que o dito pelo Dr. Hahnemann 200 anos atrás." (SALUNKE, 2003, pp. 55 e 57)

O Dr. Prafull Vijayakar, da escola de Homeopatia Previsível, defende a existência de um medicamento individualizado e específico para cada indivíduo, chamado de "Simillimum Genético Constitucional":

"Quais são os atributos fixos de uma pessoa ou quais a definem como pessoa? São as suas características ou traços congênitos (...) Por que eles são tão valorizados? Por serem estas características determinadas pela conformação genética do indivíduo. De que modo os genes determinam a natureza de uma pessoa? Bem, na verdade, os genes são responsáveis por praticamente tudo que vemos num indivíduo. A conformação genética de uma pessoa, herdada no momento da concepção, permanece constante ao longo de sua vida. Alguns genes, entre todos os disponíveis ao homem, têm expressão, enquanto outros não (recessivos). Os genes que têm expressão determinam não apenas sua constituição física, mas também a predisposição a certas doenças e sua natureza, o intelecto..., em suma, eles determinam a constituição da pessoa. Desta forma, o que tomamos como totalidade prescritiva para chegarmos ao simillimum nada mais é do que a totalidade dos genes que têm expressão ou são dominantes num determinado indivíduo. Daí o termo apropriadamente cunhado pelo Dr. Vijayakar, 'simillimum genético constitucional'. Devemos levar em consideração aqueles atributos pessoais que, modificadas as circunstâncias, permanecem constantes na pessoa. As características determinadas pelos genes sempre resistem a mudanças." (BORKAR, 2003, p. 114)

De acordo com Prafull Vijayakar, o medicamento homeopático corretamente eleito para tratar determinado doente, que ele chama de Simillimum Genético Constitucional, possui sua ação em nível genético, atuando além de órgãos e tecidos, pois tudo o que diz respeito ao indivíduo enfermo, seja em termos morfológicos, constitucionais, físicos, mentais ou energéticos, refere-se à expressão do seu código genético.

O código genético, por intermédio da síntese de proteínas, é quem determina a constituição de cada indivíduo, tanto em seu aspecto geral, mental e físico. No livro "Genética Médica. Thompson & Thompson", há a seguinte afirmação:

“(...) podemos concluir que cada pessoa, independente de seu estado de saúde, tem uma constituição única geneticamente determinada e, portanto, responde de modo único a influências ambientais, dietéticas e farmacológicas. Este conceito de individualidade química, destacada pela primeira vez há um século pelo brilhante médico inglês Sir Archibald Garrod, permanece verdadeiro até hoje." (NUSSBAUM et al., 2002, p. 76)

E, mais adiante, conclui de forma enfática: “(...) com exceção dos gêmeos monozigóticos (ou trincas idênticas e outros nascimentos múltiplos), cada pessoa é geneticamente única.” (NUSSBAUM et al., 2002, p. 244)

Ou seja, sob o prisma genético, cada indivíduo é único, inédito, exclusivo, não existindo outro igual. E, assim sendo, cada indivíduo dever requerer um medicamento distinto.

Se o amigo leitor é daqueles que insistem em afirmar que a Homeopatia não tem base científica, talvez seja de bom alvitre reavaliar alguns conceitos, como, por exemplo, neste caso, em que a Genética corrobora o conceito fundamental de individualização inerente ao tratamento homeopático!

Em "Genética Médica. Thompson & Thompson", há a seguinte citação:

"A aplicação dos conhecimentos do Projeto do genoma humano à farmacogenética deve levar a uma era de 'medicina individualizada', na qual medicações apropriadas e terapias são criadas para cada paciente, considerando não apenas a apresentação e o curso da doença, mas também a constituição genética específica do indivíduo.” (NUSSBAUM et al., 2002, p. 222).

Isso é o que fala um livro de Genética Médica clássica, vislumbrando uma era de Medicina individualizada no futuro. Mas Samuel Hahnemann, há mais de 200 anos, já havia falado da necessidade de individualizar o doente para tratá-lo. E, atualmente, o Dr. Prafull Vijayakar fala em “Simillimum Genético Constitucional”, que seria o medicamento homeopático específico para cada indivíduo.

Mais uma vez vemos um dos princípios fundamentais da Homeopatia, a necessidade da individualização de cada paciente para tratá-lo adequadamente, sendo corroborado e explicado cientificamente pela Genética. E mais: é a própria ciência vislumbrando um futuro onde exista a possibilidade de um tratamento individualizado para cada paciente, o que a rotulada por muitos como "arcaica" Homeopatia já faz há mais de 200 anos! Sem mais comentários...

A preocupação da Homeopatia está relacionada ao tratamento do doente, não da doença. A individualização de cada paciente é um fator fundamental para o sucesso, tanto na prática clínica, como para a pesquisa em Homeopatia.

Em "Prática Baseada em Evidências", Luciene Oliveira Conterno afirma que a pesquisa clínica ideal deve ser centrada no paciente, levando em consideração o que de fato importa para o mesmo (morbidade, mortalidade, qualidade de vida). Dessa forma, a pesquisa deve ser voltada para o doente (não para a doença): é o POEMS - Patients oriented evidence that matters ("provas centradas no doente, aquilo que importa"). São os estudos que tentam responder a perguntas clínicas, sendo que os resultados são avaliados em termos de sintomas, qualidade de vida, mortalidade. (CONTERNO)

Colocando o foco no indivíduo doente, propiciando um tratamento específico e individualizado para cada paciente, o grande propósito da Homeopatia é proporcionar saúde, bem-estar e qualidade de vida aos pacientes, sejam seres humanos ou animais.

III. COMPREENSÃO E TRATAMENTO INTEGRAL DO PACIENTE.

Conforme o vitalismo, utilizado por Samuel Hahnemann para estruturar o sistema terapêutico que utiliza o princípio dos semelhantes, o ser vivo é uma unidade, composto por corpo, espírito e força vital:

“No estado de saúde, a força vital imaterial (autocracia), que dinamicamente anima o corpo material (organismo), reina com poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente dispor desse instrumento vivo e são para atender aos mais altos fins de nossa existência.” (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, & 9)

"O médico homeopata procura entender o homem como sendo formado de corpo, mente e espírito, sob influência de um complexo exterior social, político, econômico e ambiental. (...) O ser humano nunca adoece em uma parte isolada de seu corpo. Qualquer doença é reflexo de um desequilíbrio de todo o organismo." (BAROLLO, 1995, pp. 21 e 24)

A escola de Homeopatia Previsível, do médico indiano, Dr. Prafull Vijayakar, valoriza sobremaneira a importância da Genética para a abordagem correta do paciente, em sua totalidade:

"Para obter a totalidade mórbida de cada caso, devemos levar em conta a estrutura, a vontade, o intelecto, as emoções, a natureza herdada, as reações a estresses ambientais (físicos e mentais), a energia ou vigor do paciente e a enfermidade, os gerais físicos, traços miasmáticos do paciente. Tudo é em última instância a expressão do homem (código genético). A totalidade mórbida baseada nesta nova concepção científica conduz à seleção do simillimum correto." (SHAH, 2003, p. 31)

"O Dr. Vijayakar propõe que levando em consideração somente a esfera mental, isto é, ilusões, alucinações e sonhos, teremos somente prescrições emocionais e, portanto, não seriam aproximações holísticas. Assim sendo é muito importante considerar a constituição física e os sintomas gerais do indivíduo junto com a natureza básica herdada da pessoa, porque cada pessoa nasce com isto. É assim que chegamos ao simillimum genético constitucional básico." (DESAI, 2003, p. 91)

A busca de uma Homeopatia que possa ser explicada através de bases científicas é uma preocupação primordial da escola de Homeopatia Previsível:

O ciclo de vida humano inicia com uma única célula chamada zigoto, a qual origina todas as aproximadamente 100 trilhões de células do organismo e milhares de sistemas de controle, responsáveis pela manutenção de sua homeostase. Ou seja, uma única célula fertilizada (zigoto) possui o código genético de toda a estrutura física e a qualidade inerente ao aspecto mental que o ser vivo apresentará ao longo de sua existência. Toda a informação sobre cada ser vivo individual está contida nos genes, sendo que todas as células de um ser vivo apresentam o mesmo código genético. (Cf. SHAH, 2003)

O código genético é o mesmo em todas as células, o que concede caráter ao indivíduo como um todo. Cada célula contém informações de todo o organismo. É a Genética corroborando o conceito de unidade dos seres vivos! (Cf. VIJAYAKAR, 2003)

"O ser humano é constituído de células. A célula se representa por meio do código genético. Quando adotamos a perspectiva de tratar o paciente como um todo, e não a doença, temos de levar em consideração a expressão do código genético: emoções, funções intelectuais, temperamento, conduta, a relação com o meio ambiente, sintomas físicos gerais, como desejos e aversões, sede, relação com a temperatura ambiente, etc." (SHAH, 2003, pp. 103 e 104)

Vejam só que interessante! É a Genética proporcionando uma fundamentação científica à Homeopatia, já que, de acordo com a concepção deste sistema terapêutico, o indivíduo doente (paciente) deve ser compreendido como uma unidade e tratado em sua totalidade, ou seja, em seu aspecto físico, emocional, mental e energético.

O fato de todas as células do organismo (ou seja, todo o indivíduo) serem derivadas de uma única célula (zigoto), além de possuírem (todas as células do organismo) o mesmo DNA, corrobora cientificamente o conceito fundamental de unidade, para que possa haver um melhor entendimento da Homeopatia e sua consequente aplicação criteriosa como sistema terapêutico.

Durante 8 anos, realizei um trabalho de pesquisa, voltado ao tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos, que resultou em um estudo de eficácia, abordando todos os pacientes como uma unidade, através de um profundo e minucioso estudo da totalidade de seus sintomas, tendo por objetivo a sua individualização. Mais detalhes deste estudo serão apresentados no ítem XIV. Entretanto, é interessante enfatizar a resposta integral de cada indivíduo ao tratamento, pois além da melhora dos sintomas inerentes à sua condição inicial, ou seja, ao diagnóstico relacionado à queixa principal, ocorreram melhoras concomitantes, de ordem física e comportamental, em grande parte dos pacientes. Mais precisamente, dos pacientes caninos e felinos, que foram tratados pela Homeopatia e acompanhados por um período superior a 6 meses, sendo portadores de sintomas comportamentais e orgânicos em sua condição inicial e tendo apresentado uma melhora significativa no diagnóstico relacionado à queixa principal, 90,9% destes pacientes apresentaram melhoras concomitantes em sintomas de ordem física e comportamental. (PEDRINI, 2015)

Estes números corroboram o conceito de tratamento integral que é conferido ao sistema terapêutico homeopático. Ou seja, a Homeopatia realmente trata o doente como um todo!

IV. QUALIDADE DE VIDA.

Sem dúvida, a Medicina contribui significativamente para a melhoria na qualidade de vida e aumento da longevidade do homem contemporâneo. De acordo com dados do IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros era de 73,5 anos, em 2011, cerca de 11 anos a mais do que viviam em 1980 (Zero Hora, 02/12/2011).

Entretanto, um estudo da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos, em relação a estimar o que leva uma pessoa a viver mais de 65 anos, constata que em primeiro lugar está o estilo de vida com 53%, seguido das condições ambientais com 20% e da herança genética com 17%. Surpreendentemente, a assistência médica contribui com apenas 10%, evidenciando uma pseudovalorização da mesma em relação à expectativa de vida. (MORAIS, 2001)

Escrevendo o capítulo "A criança na Homeopatia", do livro de Célia Barollo, "Aos que se tratam pela Homeopatia", Corrado Giovanni Bruno afirma que:

"Para os médicos homeopatas, curar é criar condições para que o paciente possa escolher seu caminho de vida sem a limitação de um desequilíbrio patológico. E ninguém duvida que, se uma pessoa estiver equilibrada, em harmonia consigo mesma, não agredirá os semelhantes, não provocará guerra por razões egoístas ou desejará avaramente dinheiro com prejuízos de outros. Isto é, se a EV de todas as pessoas estivesse equilibrada, provavelmente o mundo seria diferente. Assim, melhorando o pai, a mãe e o irmão, a criança estará também reagindo melhor, de forma mais saudável, não só fisicamente, mas também emocionalmente." (BRUNO, 1995, pp. 107 e 108)

Se o estilo de vida contribui com 53% para que uma pessoa viva mais de 65 anos, conforme o estudo relatado anteriormente, podemos concluir que a Homeopatia pode desempenhar um papel preponderante para que o ser humano tenha sua existência com mais equilíbrio e qualidade de vida, influenciando, de forma significativa, no aumento de sua longevidade.

De acordo com Paulo Rosenbaum:

"Para a Homeopatia (...) saúde e normalidade não são medidas objetivas e estatísticas. Saúde não é a média de nada. Um paciente pode apresentar um valor de pressão arterial além dos estatisticamente estabelecidos e, ainda assim, estar saudável. O mesmo aplica-se ao tratamento do doente diabético, anêmico ou com qualquer outra das patologias que podem ser controladas através da normalidade laboratorial. Muito provavelmente, a única medida real e objetiva do resultado do tratamento seria medir a qualidade de vida do doente.” (ROSENBAUM, 2002, p. 341)

Em um estudo que realizamos para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos, 96% dos pacientes que foram acompanhados por um período superior a 6 meses apresentaram uma melhora significativa em sua qualidade de vida (PEDRINI, 2015).

V. AÇÃO EM NÍVEL MENTAL.

A Homeopatia apresenta a possibilidade de atuação em um nível mental (comportamental, nos animais). Além de oferecer resultados bastante satisfatórios, evitaria o uso abusivo de fármacos convencionais e, consequentemente, os danos causados por seus efeitos colaterais e reações adversas.

Em reportagem do jornal Folha de S.Paulo, de 18/10/2011, a médica Marcia Angell afirma que estamos dando veneno para as crianças, atacando a indústria farmacêutica por estimular o uso de remédios psiquiátricos para pacientes infantis:

"Desde 2004, Marcia Angell é conhecida como a mulher que tirou o sossego da indústria farmacêutica e de muitos médicos e pesquisadores que trabalham na área. Naquele ano, ela publicou a explosiva obra 'A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos', que desnuda o mercado de medicamentos. (...) Ela conta, por exemplo, como os laboratórios se afastaram de sua missão original de descobrir e fabricar remédios úteis p/ se transformar em gigantescas máquinas de marketing. Professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Harvard, Angell é autora de vários artigos e livros que questionam a ética na prática e na pesquisa clínica." (COLLUCCI, 2011)

De acordo com Marcia Angell:

"Os pacientes acham o médico sério, confiável, quando ele faz uma prescrição. Isso precisa ser mudado, Pacientes têm que aprender que não existem soluções mágicas. Drogas têm efeitos colaterais que, muitas vezes, são piores que os problemas de base." (COLLUCCI, 2011)

Reproduzindo a reportagem acima, não estou defendendo o abandono do tratamento convencional, muito pelo contrário! Considero a Medicina Clássica importantíssima, para a saúde, bem-estar e qualidade de vida, sejam de seres humanos ou de outras espécies do reino animal, como sempre enfatizo. Apenas considero importante ter critérios bem definidos, priorizando exatamente a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes, que é o que realmente importa. Não é mesmo? E o tratamento homeopático surge como uma alternativa viável e segura para o tratamento de casos envolvendo a esfera mental. Entretanto, cada caso deve ser avaliado individualmente e alguns fatores devem ser levados em consideração, como, por exemplo, a patologia que acomete determinado paciente, a capacitação e a experiência do profissional homeopata, entre outros aspectos.

A Homeopatia trata o doente, como um todo. Mas, para isso, é preciso individualiza-lo, através de um profundo e meticuloso estudo da totalidade de seus sintomas. A partir de agora, me deterei na minha área de atuação, a Medicina Veterinária.

Conforme o médico veterinário homeopata, Juan Agustín Gómes, todas as doenças dos animais, sejam agudas ou crônicas, físicas ou MENTAIS, graves ou não, podem ser tratadas através do método homeopático (GÓMES, 1998).

Trabalho com Homeopatia há mais de duas décadas, com foco no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos. Considero que a área de comportamento é um grande campo de ação e um diferencial do tratamento homeopático, proporcionando resultados altamente satisfatórios, exatamente em uma área onde o tratamento clássico apresenta grandes limitações, além de evitar a exposição demasiada dos pacientes aos efeitos tóxicos e colaterais das drogas convencionais.

No artigo Homeopatia e Comportamento Canino, ressalto que distúrbios comportamentais são preponderantes para o abandono de cães por parte de seus proprietários, sendo que uma grande parcela desses cães rejeitados pelos seus donos termina sendo sacrificada. E o tratamento homeopático proporciona excelentes resultados em caninos com alterações de comportamento, como, por exemplo, agressão, fobia de barulho, ansiedade de separação, vocalização excessiva, hiperatividade, transtorno compulsivo, etc. Entretanto, para alcançarmos a excelência no tratamento homeopático de distúrbios comportamentais, precisamos respeitar a concepção de saúde e doença em Homeopatia, que é diferente da que estamos acostumados, pois o tratamento deve ser específico para o doente, não para a doença (representada por dada alteração comportamental), considerando a totalidade de seus sintomas, buscando a sua individualização. Dessa forma, teremos condições de beneficiar extraordinariamente os nossos melhores amigos, corrigindo e atenuando disfunções originadas pelo próprio ser humano, seja por acasalamento seletivo para reforçar determinados padrões raciais, seja por um manejo inadequado na criação de nossos cães, evitando que muitos deles sejam abandonados e, o que é ainda pior, terminem sendo sacrificados. É por isso que a Homeopatia é linda, importante e fundamental, porque age em defesa da vida, do bem-estar e da felicidade. Melhorando significativamente os sintomas relacionados a problemas de comportamento em cães, o tratamento homeopático harmoniza de forma exuberante a relação destes com seus responsáveis, proporcionando uma vida mais digna, equilibrada, saudável e de qualidade aos nossos queridos amigos. (PEDRINI, 2016)

VI. DOENÇAS CRÔNICAS.

De acordo com George Vithoulkas, a concepção equivocada de doença, por parte da Medicina Convencional, leva a resultados desapontadores, em relação à terapêutica empregada, especialmente em doenças crônicas:

“Como ocorreu durante toda a história, a terapia moderna é inútil diante das doenças crônicas que incapacitam o homem; consequentemente, ela fica reduzida a fornecer um tratamento meramente paliativo em vez de curativo. (...) A maior parte das drogas prescritas para moléstias, como artrite e asma, colite, úlceras, doenças do coração, epilepsia e depressão não se destinam a ser curativas, mesmo em sua concepção original. Elas não combatem, de forma alguma, a causa, mas apenas oferecem uma frágil esperança como paliativo, isto sem falar do perigo dos efeitos colaterais. Este, por si só, é um sinal da impotência da medicina moderna para lidar efetivamente com a doença.” (VITHOULKAS, 1986, pp. 24 e 27)

Samuel Hahnemann enfatiza a necessidade da individualização de cada caso para que ocorra uma cura real em doenças crônicas. (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, parágrafo 82)

Entretanto, deve-se ter consciência que a terapêutica homeopática é muito diferente da alopática:

"A evolução para a cura no tratamento homeopático não será contínua, principalmente nas doenças crônicas, sendo geralmente irregular e apresentando períodos de melhora e piora e a duração do tratamento é bastante variável" (BAROLLO, 1995, p. 59).

Considero que o tratamento de doenças de caráter crônico é outro grande diferencial da Homeopatia, especialmente quando o tratamento clássico apresenta resultados parciais e insatisfatórios. A seguir, relatarei um caso bem interessante de minha experiência, ainda no início de minha carreira como médico veterinário homeopata.

A proprietária me procurou em função de seu cachorrinho apresentar alergia cutânea, que manifestava-se sob forma de um prurido contínuo, apresentando, frequentemente, crises, que o levavam a coçar-se até se machucar, inclusive, com sangramento. O paciente era tratado com corticóides e anti-histamínicos, que apresentavam resultados apenas paliativos. Conforme a concepção vitalista e procurando utilizar a metodologia ensinada pela escola em que fiz meu curso de especialização, abordei este paciente em sua totalidade, não apenas em relação aos seus sintomas cutâneos. Ele apresentava, ainda, um quadro digestivo, com vômitos e cólicas abdominais frequentes, além de uma intensa flatulência. Em termos de comportamento, apresentava uma irritabilidade muito grande, que o levava, muitas vezes, à agressividade, o que dificultava, inclusive, o seu manejo por parte da proprietária, pois, muitas vezes, ele chegava a mordê-la. O convívio com o outro cão da casa, que era muito dócil, tornava-se difícil, pois o nosso paciente frequentemente o agredia e machucava.

Eu prestei atendimento a este paciente por quase 10 anos. Desde o começo, ele apresentou melhoras significativas em sua totalidade. O prurido, que antes era contínuo, diminuiu consideravelmente; inclusive, ele passou a ter períodos em que praticamente não coçava, o que não ocorria antes do tratamento homeopático. As crises de prurido também tornaram-se bem menos frequentes mas, quando ocorriam, o grau da coceira era de menor intensidade, e o seu período de duração igualmente inferior. De forma semelhante, as crises de vômitos e cólicas abdominais diminuíram significativamente sua frequência e intensidade; mas, quando ocorriam, eram prontamente controladas pelo medicamento homeopático que eu prescrevia. Inclusive, este fato levou sua proprietária a ressaltar a eficácia e a rapidez da melhora proporcionada pela Homeopatia nos animais. Já a flatulência desapareceu desde o início do tratamento; obtivemos, portanto, uma melhora de 100% neste sintoma.

Este paciente também melhorou muito o seu comportamento, diminuindo significativamente sua irritabilidade e agressividade, facilitando o manejo por parte de sua proprietária e a melhora no convívio com o outro cão da casa, praticamente não o agredindo mais. Eles passaram, inclusive, a brincar juntos, fato que não acontecia antes do tratamento homeopático.

Recordemos que a queixa principal em relação a este paciente, ou seja, o fato que motivou sua proprietária a procurar o tratamento pela Homeopatia, foi o intenso prurido, de pressuposta origem alérgica: um provável caso de dermatite atópica. Entretanto, este paciente apresentou melhoras significativas em sua totalidade.

Este é um exemplo bastante representativo do que o tratamento pela Homeopatia pode proporcionar no tratamento de doenças crônicas, ocorrendo a melhora clínica relacionada à queixa principal (neste caso, o prurido), além de melhoras em sintomas comportamentais, em outros sintomas orgânicos e, principalmente, na qualidade de vida do paciente. Além de reduzir, também de forma significativa, a necessidade da utilização de medicação convencional, como corticóides, antialérgicos e antiflatulentos, evitando a exposição excessiva do paciente aos efeitos adversos, sejam tóxicos ou colaterais, destes medicamentos. (PEDRINI, 2014)

De acordo com um estudo que realizei durante 8 anos, para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos, em que utilizei uma metodologia própria, 96% dos pacientes apresentaram melhoras significativas em relação à sua condição inicial (ou seja, nos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal).

VII. QUANDO O TRATAMENTO CLÁSSICO APRESENTA RESULTADOS PARCIAIS OU INSATISFATÓRIOS.

Particularmente, considero que o grande diferencial da Homeopatia está em beneficiar aqueles pacientes em que a Medicina Clássica esgotou as suas possibilidades, apresentando resultados parciais ou insatisfatórios. Inclusive, muitas vezes, desenganado o paciente.

Alguns meses após concluir a minha especialização, atendi um paciente da espécie felina, SRD, apresentando um quadro de paralisia do membro posterior direito há 2,5 meses, após aplicação de medicamento por via intramuscular. Após o paciente passar por diversos tratamentos, implementados por diferentes profissionais, sem nenhuma melhora, a proprietária ficou extremamente abalada com a notícia de que não havia nada mais a ser feito, a não ser a amputação do membro afetado. Foi aí que, bastante desesperada, nos procurou! Após uma semana de tratamento homeopático, o paciente já conseguia mover o seu MPD. E ao final da segunda semana de tratamento, já caminhava normalmente! Este felino permaneceu sendo nosso paciente e nunca mais apresentou nenhum tipo de distúrbio locomotor ou paralisia. Este é um exemplo bastante representativo do potencial da Homeopatia, curando um paciente em que a Medicina Clássica havia esgotado os seus recursos.  

Em outra oportunidade, atendi uma cadelinha da raça Poodle, apresentando um quadro de ataxia devido à atrofia muscular de membros posteriores. Esta paciente não apresentou melhora significativa em resposta ao tratamento clássico, mesmo após passar por vários profissionais, sendo, por fim, indicada a eutanásia. Sua proprietária não se conformou com esta "sentença de morte" dirigida à sua amiguinha e procurou o tratamento pela Homeopatia. Decididamente, não se arrependeu! Desde o início, a paciente apresentou melhoras consistentes, com a proprietária avaliando em 80% a melhora em relação à sua condição inicial. Esta cliente ficou surpreendida e extremamente encantada com o sucesso do tratamento pela Homeopatia, que evitou o sacrifício de sua cadelinha e permitiu que a mesma desfrutasse de uma vida digna e com qualidade, durante os quase três anos em que esteve sob o nosso acompanhamento.

Vejam, amigos, a importância da Homeopatia! Só por estes dois exemplos, já podemos constatar como este sistema terapêutico é essencial, no sentido de beneficiar os doentes, sejam humanos ou animais. No primeiro caso, evitando a amputação do membro posterior direito do paciente, possibilitando que o mesmo tivesse uma existência plena, sem a limitação da perda de sua perna. No segundo, uma situação ainda mais dramática, em que a paciente havia sido condenada à eutanásia... Mas o tratamento homeopático salvou a vida desta paciente, proporcionando que ela vivesse ainda uns bons anos ao lado de sua dona. E, o que é principal, com qualidade de vida!

Se a Homeopatia trouxe benefícios tão extraordinários para estes pacientes, em situações extremas, pense quantos benefícios o tratamento homeopático poderá proporcionar àqueles doentes praticamente desenganados pela Medicina tradicional? Mas não esqueça, sempre com critério e bom senso, pois cada caso é diferente do outro. E, como sempre falo, a Homeopatia tem o potencial de ser altamente eficaz, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas e seja praticada por profissionais sérios e plenamente capacitados.

Meu querido amigo, você ainda considera a Homeopatia arcaica?

VIII. SINERGIA COM O TRATAMENTO CLÁSSICO.

A Homeopatia pode ser utilizada de forma complementar ao tratamento clássico. Embora muitos homeopatas possam não concordar, tenho a opinião que estes dois sistemas terapêuticos não são, em absoluto, excludentes, mas, isto sim, complementares, podendo, inclusive, atuar em sinergia, em prol e benefício de nossos pacientes, que, ao final das contas, é o que realmente importa.

Considero que o grande diferencial da Homeopatia consiste em beneficiar aqueles pacientes portadores de quadros crônicos, especialmente quando a Medicina Clássica esgota as suas possibilidades, muitas vezes até desenganando os pacientes. Entretanto, a Homeopatia também apresenta condições de tratar com sucesso quadros agudos, de forma complementar ao tratamento clássico, ou mesmo isoladamente, desde que o caso seja bem avaliado por um homeopata plenamente capacitado e experiente.

Esta é a minha opinião, mas reconheço ser uma dúvida bastante comum que cerca a Homeopatia, sendo, inclusive, muitas vezes motivo de polêmica entre os próprios homeopatas. Sempre enfatizo que a minha proposta é discorrer sobre a visão que tenho a respeito da Homeopatia, fundamentada em mais de duas décadas de estudo, pesquisa e experiência clínica, tendo por objetivo o tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos. Assim sendo, de acordo com a compreensão que tenho em relação à Medicina Veterinária, a Homeopatia e a Medicina Clássica de forma alguma são excludentes ou incompatíveis. Ao contrário, são complementares, podendo atuar, inclusive, em sinergia.

Baseado nessa filosofia, adotei o critério de trabalhar exclusivamente com pacientes encaminhados por colegas parceiros, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades, pois acredito, veementemente, que nossa união de forças e conhecimentos será refletida em um trabalho da mais alta qualidade, visando, sobretudo, proporcionar saúde e qualidade de vida aos nossos pacientes, que, hoje, são muito mais que amigos, sendo verdadeiros membros de nossas famílias.

A seguir, um exemplo de complementaridade entre o tratamento homeopático e o tratamento clássiico. Certa vez, atendi um paciente da espécie canina, da raça Yorkshire, com histórico de piodermite recorrente e suspeita de DAPP, apresentando intenso prurido, entre outros sinais clínicos. Após iniciar o tratamento homeopático, ocorreu uma melhora significativa dos sintomas cutâneos, com o proprietário avaliando em 90% o grau de melhoria em relação ao prurido. É importante ressaltar que este paciente permaneceu sob o tratamento de colega dermatologista, evidenciando o sucesso proporcionado pela sinergia entre a Medicina Clássica e a Homeopatia.

Desde 1992 trabalho como médico veterinário homeopata. Entretanto, tenho o maior respeito pela Medicina Clássica (Alopatia), por seus avanços em termos de conhecimento, pesquisa e tecnologia, beneficiando tantos pacientes e salvando inúmeras vidas. Na minha opinião, os dois métodos não são considerados antagõnicos ou excludentes, mas complementares, podendo, inclusive, atuar em sinergia. Afinal, o que importa é salvar a vida do paciente, curar quando for possível, proporcionando-lhe saúde, bem-estar e longevidade com qualidade de vida, seja qual for o sistema terapêutico empregado.

IX. PREVENÇÃO

A Homeopatia exerce uma ação preventiva, agindo em nível de suscetibilidade individual:

"Uma atuação importante sobre a criança é trata-la antes do nascimento, durante o período de gestação. Esse tratamento é importante, porque determinadas sensibilidades são hereditárias, ou seja, correspondem a tendências constitucionais que podem ser tratadas antes do nascimento. (...) Assim, quando uma gestante procura um médico homeopata e ele percebe a tendência, há a possibilidade de se fazer com que a mesma seja diminuída, pela administração de um medicamento apropriado para a mãe. (...) A criança cuja a mãe realizou o pré-natal com Homeopatia parece ser mais calma, nasce menos predisposta às doenças, pois a ação do remédio homeopático diminui sua sensibilidade. Além disso, o remédio homeopático equilibra a EV da mãe, torna-a menos ansiosa e, em consequência disto, transmite menos ansiedade ao filho." (BRUNO, 1995, p. 107)

"Com a Homeopatia, procuramos equilibrar o indivíduo, diminuindo sua sensibilidade às doenças, de tal maneira que ele se torne saudável física e psiquicamente" (BAROLLO, 1995, p. 19).

Um exemplo de ação preventiva bem interessante em Medicina Veterinária: há alguns anos atrás, atendi um paciente da espécie felina, diagnosticado com doença do trato urinário inferior dos felinos, apresentando crises mensais de disúria, especialmente com o clima úmido. Com a implementação de nosso tratamento homeopático, este paciente ficou 1 ano e 4 meses sem apresentar sequer uma única crise urinária, o que evidencia a extraordinária ação preventiva do tratamento homeopático, desde que seja empregado de uma forma adequada e correta.

X. SIMPLICIDADE E BAIXO CUSTO.

A Homeopatia é simples, baseada na observação da natureza e experimentação, sendo que o medicamento homeopático é de fácil manipulação e implica em baixo custo de produção.

Para Max Gehringer, o ser humano do século XXI acredita que ideias criativas e originais devam ser extremamente complicadas, pois, se forem óbvias e simples, serão desconsideradas. Entretanto, grandes ideias podem ser singelas, pois é muito simples ser criativo, como demonstra o histórico de invenções da humanidade. (GEHRINGER, 2009)

No texto "A era da inovação frugal", o Professor Luiz Marins fala a respeito do livro "FRUGAL INNOVATION", de Navi Radjou e Jaideep Prabhu, publicado pela THE ECONOMIST em fevereiro de 2015. Os autores falam da sofisticação desnecessária, que aumenta os custos e irrita o consumidor, que acaba pagando por recursos e funções que jamais utilizará. De acordo com o Professor Marins:

"Inovação frugal significa criar produtos simples e eficazes, porém de alta qualidade, para um consumidor cada vez mais exigente, preocupado e alerta em relação às suas economias pessoais e com elevada consciência ambiental e social. Significa que as empresas, em tempos de recursos escassos (e que jamais voltarão a ser abundantes) devem buscar fazer mais (e melhor) com menos." (anthropos.com.br)

Para o filósofo britânico John Gray, o progresso, o aumento do conhecimento científico e a evolução tecnológica, não trazem, necessariamente, felicidade e evolução social (Zero Hora, 07/07/2015).

Em contrapartida, a simples, relativamente barata, ainda não aceita cientificamente e "anacrônica" Homeopatia tem condições de ser altamente eficaz, mesmo em casos complexos, até mesmo naqueles em que o tratamento clássico apresenta resultados parciais e insatisfatórios, aliviando o sofrimento dos doentes, proporcionando-lhes saúde, bem-estar, felicidade e qualidade de vida, com o bônus de utilizar medicamentos isentos de toxicidade.

XI. OS SERES VIVOS NUNCA SERÃO MÁQUINAS.

Os tempos mudaram, a tecnologia evoluiu espantosamente, mas o organismo humano e animal ainda é o mesmo, sendo suscetível a diversos fatores, apresentando fragilidades, sendo carente de necessidades básicas, como amor, afeto, atenção, alimentação saudável e água potável. Vivemos cercados por instrumentos de alta tecnologia e precisão, mas ainda possuímos os mesmos organismos (com algumas adaptações) há milhares de anos. Decididamente, não somos máquinas! Portanto, não devemos ser tratados como tais!

Conforme a pensadora contemporânea, Marlene Pinheiro:

"O artificialismo da vida moderna proporciona algumas ilusões, que acabam, muitas vezes, ocasionando sérios danos físicos e mentais, comumente irreversíveis. Embora muitos queiram renegar a sua essência, ainda não existe sangue de plástico. Engana-se quem coloca a sua felicidade em riquezas materiais, como mansões, carros importados e joias caríssimas. As frias e insensíveis paredes do palácio não substituem o amor, o afeto e a atenção."

Na Medicina, apesar dos consideráveis avanços tecnológicos, inerentes ao diagnóstico e terapêutica, nota-se um crescente descontentamento das pessoas, com os custos, a tecnificação e a impessoalidade relacionados ao atendimento e procedimentos médicos (MORAIS, 2001).

Reportagem apresentada pelo programa "Fantástico", da Rede Globo de Televisão, em 10/01/2016, mostrou existir uma estimativa alarmante de que 500 mil pacientes por ano sofrem erros médicos no Brasil (g1.globo.com).

Indo em sentido oposto à crescente tecnificação e impessoalidade da Medicina Clássica, a Homeopatia valoriza alguns atributos marginalizados por aquela, tais como as angústias, os sofrimentos e as mais diversas sensações apresentadas pelo doente, importantíssimos para a sua compreensão por parte do homeopata, além de valorizar a relação médico-paciente. De acordo com Célia Barollo:

"Para que o tratamento tenha êxito, cabe ao médico e ao paciente construírem juntos esse quadro, com a maior riqueza de detalhes possível. Daí a importância de um aprimoramento da auto-observação por parte do doente e da absoluta franqueza do relacionamento médico-paciente. Por esse motivo a consulta homeopática é tão demorada, pois a intenção é individualizar ao máximo o paciente, determinando todos os fatores que o distingue das outras pessoas, muitos se surpreendendo com as perguntas feitas, aparentemente sem a menor relação com a sua doença." (BAROLLO, 1995, p. 22)

Paulo Rosenbaum relata a forma como faz a abordagem de cada paciente:

"A totalidade sintomática refere-se à completa descrição de cada sintoma e também ao conjunto de sintomas mais significativos, que individualizam um caso e nos permitem compor uma imagem do paciente. Para chegar à totalidade sintomática olho para o paciente buscando compreendê-lo, procuro estar em ressonância com ele. Para compor a totalidade sintomática, seleciono os sintomas característicos (modalizados) e os temas apresentados pelo paciente.” (ROSENBAUM, 2002, p. 207)

Para continuar lendo este artigo, clique em:

EM PLENO SÉCULO XXI, CADA VEZ MAIS INFORMATIZADO E TECNOLÓGICO, POR QUE A HOMEOPATIA NÃO É ANACRÔNICA? - PARTE II




Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br

CONTATO: celsopedrini@terra.com.br