A HOMEOPATIA É UMA CIÊNCIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS



A HOMEOPATIA É UMA CIÊNCIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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INTRODUÇÃO

A Homeopatia consiste no tratamento pelo princípio dos semelhantes: "similia similibus curantur", ou semelhante cura semelhante. O medicamento homeopático cura no indivíduo doente os mesmos sintomas que é capaz de produzir em organismos sadios. Por exemplo, a ingestão da Cinchona officinalis em uma pessoa saudável provoca febre intermitente, tremores, calafrios, etc. Ou seja, os sintomas da malária. Dessa forma, os doentes acometidos pela malária poderão ser curados pela Cinchona officinalis, preparada de acordo com a farmacotécnica homeopática. Foi a partir desta observação, que Samuel Hahnemann iniciou o caminho para a estruturação do modelo de tratamento pelos semelhantes.

A ciência clássica está estruturada no paradigma mecanicista cartesiano. Idealizado por pensadores, como Augusto Comte (1798-1857), o positivismo defende que o verdadeiro conhecimento acontece exclusivamente através da ciência. Assim sendo, uma teoria só poderá ser considerada verdadeira se for comprovada cientificamente. Para Karl Popper (1902-1994), uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações feitas (HAWKING, 2004). Thomas Kuhn (1922-1996) afirma que o paradigma científico simboliza o conjunto de valores e crenças de uma comunidade científica em particular (CARILLO JUNIOR, 2008). Conforme Kuhn, paradigma equivaleria a um mapa ou uma lente, que norteia os procedimentos científicos. Partindo-se desta premissa, se utilizarmos um outro mapa ou uma outra lente, quer dizer, um outro paradigma, originaríamos uma conformação diferente da realidade, ocasionando, como resultado, uma outra ciência (QUEIROZ, 1996).

Base é o fundamento, o suporte, a premissa pela qual algo ou uma ideia é concebida e sustentada. A Medicina Clássica possui uma concepção materialista, baseada no paradigma mecanicista cartesiano, sendo analítica, determinista e apoiando-se no positivismo, como fundamentação filosófica. Entretanto, esta concepção não possui aptidão para explicar e fundamentar a Homeopatia, sendo esta a causa do tratamento pelos semelhantes ser colocado à margem da ciência tradicional.

A palavra evidência faz alusão ao que é claro, incontestável, indiscutível, não dando margem a dúvidas. Basear-se em evidências equivale a admitir que a prática médica pode ocorrer sem uma fundamentação científica (CONTERNO). Por apresentar resultados satisfatórios e consistentes nas áreas de pesquisa e prática clínica, tanto em Medicina Humana quanto em Medicina Veterinária, a Homeopatia pode ser considerada uma ciência baseada em evidências, mesmo contrariando o modelo científico clássico, podendo, ainda, ser concebida e explicada através da utilização de um outro paradigma.

VIAS DA PESQUISA CIENTÍFICA

Duas são as vias da pesquisa científica: análise e síntese. A via reducionista ou analítica objetiva explicar do que e como é feita a matéria (viva ou inanimada), buscando conhecer suas sutilezas e pormenores estruturais. Para isso, inicia seu estudo a partir do mais complexo e universal, evoluindo no sentido do mais simples e específico, sendo o modelo que é adotado, de uma forma prevalente, pela ciência e medicina convencional, baseado no paradigma mecanicista cartesiano. Por exemplo, ao analisarmos os organismos dos mamíferos, constatamos que são compostos por órgãos, que, por sua vez, são constituídos por células, moléculas e átomos. Indo no sentido inverso, do mais simples e particular ao mais universal e complexo, a síntese adota a via integrativa ou holística, enfatizando os conceitos de integração, interdependência, cooperação e interatividade, na busca da compreensão de um sentido maior, de totalidade e funcionamento em conjunto, dos mais diferentes elementos da natureza. Assim sendo, o objetivo da síntese é a compreensão do significado de tudo que existe. Nesta via, parte-se do mais simples em direção ao mais complexo. Por exemplo, átomos formam moléculas, que originam células, que constituem órgãos, que compõem o organismo dos mamíferos. (BELLAVITE, 2002)

Em uma visão sistêmica, análise e síntese devem ser consideradas concomitantemente, enxergando a parte dentro do todo, e o todo como detentor desta parte e de todas as partes ao mesmo tempo, sendo que este todo está inserido dentro de outro, e assim sucessivamente. Não somente sistemas dentro de sistemas, mas, também, padrões dentro de padrões. (CARILLO JUNIOR, 2008)

MÉTODO CIENTÍFICO

O método científico é constituído de observação, razão e experiência. De acordo com Feynman, para que compreendamos a natureza, tudo o que nos é permitido é observar o jogo, já que não conhecemos as suas regras. Mas precisamos conhecê-las. E como saberemos se estas serão as regras corretas, já que não conseguimos analisar integralmente o jogo? Para chegar às "regras do jogo", poderemos encontrar três situações: 1) A que a simplicidade da organização da natureza permite prevermos com exatidão os acontecimentos, mostrando-nos o funcionamento das regras; 2) A formulação de regras menos específicas derivadas do caso anterior, até descobrirmos uma nova regra; 3) E por simples aproximação. Muitas vezes podemos ter apenas uma compreensão parcial da natureza, sem entender a função individual das peças do jogo e sua relação com o mesmo. O objetivo é encontrar as leis por trás do experimento, compreender a natureza em sua totalidade, como aspectos distintos de um conjunto de fenômenos único. Feynman conclui que tudo o que sabemos é que, à medida que avançamos, descobrimos algumas peças que não se encaixam e continuamos tentando montar o quebra-cabeça. Não sabemos se há um número finito de peças e se o quebra-cabeça tem limites. (FEYMNAN, 2005)

De acordo com a "Nature", mudar a metodologia pode tornar crível qualquer tese. Pesquisas diferentes apontaram que ou jogadores negros ou brancos são mais propensos a levar cartão vermelho durante os jogos. Os pesquisadores Raphael Silberzahn, da Iese Business School (Barcelona) e Eric Uhlmann, da escola de negócios Insead, de Singapura, demonstraram que, dependendo da metodologia escolhida, é possível demonstrar quase qualquer tese. “A maioria dos pesquisadores consideraria isso perturbador”, escrevem os autores. “Isso significa que tomar qualquer análise individual a sério demais pode ser um erro, ainda que isso seja encorajado pelo nosso sistema de publicação científica e pela cobertura da mídia.” As disparidades aconteceram em função de que os desenhos das pesquisas foram amplamente diversificados, proporcionando a opção de livre escolha da metodologia preferida. (Folha de S.Paulo, 23/10/2015)

LIMITAÇÕES E INCERTEZAS

Só poderemos provar nossas ideias através da experiência. Considera-se uma experiência ideal aquela totalmente livre de influências exteriores que não temos condições de considerar, especificando todas as condições iniciais e finais do experimento. Acreditava-se que sempre que fossem estabelecidas as mesmas condições em um experimento, o resultado seria o mesmo. Mas isso não é verdadeiro, pois não acontece exatamente a mesma coisa, apenas poderemos estabelecer uma média estatística dos resultados. O comportamento da natureza mostra-nos ser absolutamente impossível fazer uma previsão exata do que ocorrerá numa experiência. Por exemplo, experiências em locais diferentes poderão proporcionar resultados diferentes. Como revela-nos a mecânica quântica, é impossível prever exatamente o que acontecerá em qualquer circunstância. (FEYMNAN, 2005)

De acordo com o físico Fritjof Capra, as teorias científicas não possuem condições de descrever integralmente a realidade.

"Na Física, as interpretações dos experimentos são chamados modelos ou teorias, enquanto a compreensão do fato de que todos os modelos e teorias são aproximados constitui um fato básico da pesquisa científica de nossos dias. (...) Os físicos sabem que seus métodos de análise e raciocínio lógico são incapazes de explicar de imediato a totalidade dos fenômenos naturais; assim, esses físicos isolam um determinado grupo de fenômenos e tentam construir um modelo que descreva esse grupo. Assim procedendo, deixam de lado outros fenômenos e, por isso, o modelo não dará conta por inteiro da descrição integral da situação real.” (CAPRA, 1985, p. 39.)

A validade dos modelos teóricos dependerá da amplitude do espectro dos fenômenos observados, representando uma limitação de qualquer teoria, que será sempre aproximada. Ao ultrapassar as fronteiras dos fenômenos observados, um modelo perderá sua utilidade, havendo a necessidade de sua ampliação, aperfeiçoando o seu grau de aproximação (CAPRA, 1985).

Mesmo ideias consideradas corretas e plenamente aceitas por muito tempo, por terem sido verificadas por meios de alta precisão, podem estar erradas, como nos mostra a teoria da relatividade, que "desbancou" a mecânica newtoniana, já que os experimentos que estabeleceram as leis de Newton foram realizados dentro de um determinado limite de velocidade, em que os efeitos da relatividade não poderiam ser evidenciados (FEYNMAN, 2006).

Em um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo (10/07/2011), o físico Marcelo Gleiser afirma que "Um resultado científico é válido, numa margem de erro, até que uma nova descoberta científica seja anunciada e bem avaliada".

Uma outra questão, refere-se que a física está baseada na observação da natureza (ou seja, dos fenômenos naturais), por meio da experimentação científica, sendo seus resultados interpretados e comunicados, normalmente por palavras, constituindo-se numa abstração, um mapa aproximado da realidade. Assim sendo, chegamos à conclusão que as interpretações das expressões verbais carecem de precisão, sendo, ainda, incompletas. (CAPRA, 1985)

Denomina-se "reificação" o processo de confundir o nome com a coisa. De acordo com Gregory Bateson (1904-1980), o nome não é a coisa, nem o mapa é o território. (MACHADO, 2008)

A indeterminação e a imprevisibilidade, inerentes tanto à teoria das estruturas dissipativas de Prigogine, como à teoria quântca e à teoria do caos, tornam evidente que o nosso conhecimento científico atual é extremamente limitado, para que possamos ter uma compreensão mais clara e precisa a respeito da natureza, do mundo e do universo, incluindo os fenômenos relacionados aos mesmos (CAPRA, 2001).

Nem sempre as previsões da ciência são confirmadas. Felizmente! Lembram do surto de gripe aviária, em 2006? A revista 'ISTO É' , de março daquele ano, estampava na capa: "Pandemia - A gripe do frango está chegando. Especialistas dão prazo de 18 meses para o vírus contaminar todo o planeta e estimam em 50 milhões o número de mortos.” Ainda bem que as previsões dos cientistas nem sempre são corretas!

O POSITIVISMO

Tendo em Augusto Comte um de seus maiores representantes, o positivismo foi originado do progresso do iluminismo, tendo por objetivo expurgar a metafísica e a teologia da realidade humana, valorizando a observação fenomenológica, os fatos e a razão, fundamentada tão somente na existência física material, defendendo a tese de que o verdadeiro conhecimento ocorre apenas através da ciência. Consequentemente, qualquer conhecimento que não possa ser comprovado cientificamente torna-se não merecedor de crédito, sendo colocado no rol de crenças e superstições, relacionando-se à metafísica e à religião.

Entretanto, até que ponto teremos a certeza e a segurança de que o conhecimento científico merece nossa confiança e nosso crédito irrestritos? A reportagem a seguir, do jornal Folha de S.Paulo, nos incita a refletirmos e a termos uma certa dose de prudência:

"Cresce número de artigos científicos 'despublicados' por fraude ou erro. Enquanto a produção científica quadruplicou desde os anos 70, retratações cresceram seis vezes. Para testar rigor das revistas científicas, artigo fajuto foi enviado para 300 publicações e aceito por metade delas." (Folha de S.Paulo, 30/10/2013)

Ao discorrer sobre a importância do positivismo na ciência moderna, escrevendo o prefácio do livro "A Arte de Curar Versus a Ciência das Doenças: História Social da Homeopatia no Brasil", de Madel Luz (1996), Marcos Queiroz refere que:

"Para se apresentar como um método legítimo de obtenção de conhecimentos, a ciência impôs a concepção ideológica positivista que, quando instituída entre os séculos XVIII e XIX, expressava uma concepção revolucionária, na medida em que contrapunha aos princípios teológicos e metafísicos os fatos e a razão como fundamentos da verdade. Segundo esta concepção, a procura pela verdade seria produzida através de uma atitude neutra e imparcial diante do objeto de conhecimento, livre e desinteressada, portanto, de qualquer influência social, econômica, política e cultural. A ciência justificaria a si mesma porque, a qualquer momento, poderia checar experimentalmente uma hipótese ou uma teoria. Essas seriam imediatamente descartadas, caso não se confirmassem pelos fatos, ao mesmo tempo que outras novas viriam a ser testadas. O conhecimento assim acumulado serviria para garantir um saber mais evoluído e avançado no futuro." Entretanto, a razão positivista colocou em um plano secundário algumas dimensões humanas, como sensibilidade, intuição e emoção. (QUEIROZ, 1996, pp. 9 e 10)

Stephen Hawking considera que uma teoria científica será segura se for baseada na abordagem positivista, de Karl Popper, que considera que uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica as observações que fazemos. Uma teoria científica adequada deve fazer a descrição de diversos fenômenos fundamentados em um número mínimo de princípios simples, colocando em prova suas previsões. A teoria será aceita se ocorrer a concordância entre as previsões feitas e as observações pós-experimento, mesmo não podendo-se provar sua exatidão. A teoria deverá ser alterada ou rejeitada se houver desencontro entre previsões e observações. Discorrendo acerca do tempo, Hawking diz:

"Quem adota a posição positivista, como eu, não consegue dizer o que o tempo realmente é. Tudo o que se pode fazer é descrever o que se revelou um ótimo modelo matemático para o tempo e dizer quais as suas previsões". (HAWKING, 2002, p. 31.)

O filósofo Luiz Carlos Machado expõe as limitações dos modelos adotados pela ciência contemporânea:

"A 'modernidade' caracterizou-se pela expectativa de que o conhecimento científico pudesse proporcionar um retrato 'verdadeiro' do ser humano, daquilo que nele é universal, e das leis básicas que governam a sua vida, tanto do ponto de vista biológico quanto sociológico. O positivismo, como fundamento filosófico, e a pesquisa quantitativa, como instrumento metodológico, refletem essa perspectiva histórica. Em contrapartida, hoje nos sentimos confrontados com a ideia da multiplicidade de discursos, com a convivência de diferentes recortes (construções) da realidade, sujeitos à validação a partir de suas lógicas internas e não de um parâmetro externo e universal. Em outras palavras, a noção de objetividade cede espaço ao conceito maior de complexidade." (MACHADO, 2008, p. 11.)

Questionando os limites da ciência em seu livro "A Ilha do Conhecimento" (Ed. Record, 2014), o físico brasileiro Marcelo Gleiser defende que o avanço da ciência aumenta dúvidas e o limite com o desconhecido: "Os cientistas têm uma visão um pouco romântica e antiquada de que a ciência é capaz de tudo. Mas você tem que ser honesto sobre como funciona a ciência e aquilo que a ciência é capaz de fazer. O objetivo do livro é trazer um pouco de sobriedade na divulgação científica." (Folha de S.Paulo, 11/08/2014)

CONDICIONAMENTO E PARCIALIDADE

Uma outra questão a ser considerada relaciona-se à imparcialidade de um experimento. Não é possível realizar uma experiência científica totalmente imparcial e livre de preconceitos, pois, mesmo de uma forma subliminar, o sujeito da experiência afetará o objeto e o resultado da mesma. Na física quântica, por exemplo: de acordo com John Wheeler, a resposta obtida numa experiência, como a questão referente à dualidade onda-partícula inerente ao elétron, dependerá da pergunta a ser feita, das características da montagem do experimento e do instrumento de registro escolhido. Dessa forma, o autor da experiência está inescapavelmente envolvido em fazer com que aconteça aquilo que parece estar acontecendo (GOSWAMI, 2003).

Consequentemente, os resultados científicos obtidos sofrerão condicionamentos relacionados aos conceitos, pensamentos e valores atrelados ao padrão mental do pesquisador, evidenciando que o ideal clássico de objetividade científica não pode mais ser sustentado em um nível quântico (CAPRA, 1985).

Comumente os modelos teóricos separam os elementos que o contrapõem, fazendo com que os pesquisadores seccionem as particularidades daquilo que observam e que, de uma forma constante, terminam por validar o seu modelo (MACHADO, 2008).

Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo exemplifica esta questão de condicionamento em uma pesquisa:

"Grupo põe neurociência social em dúvida. Equipe da Universidade da Califórnia diz que método pode inflacionar a força da ligação entre região cerebral e emoção. Após analisar 50 estudos, o pesquisador Hal Pashler questionou cerca de 30 investigações; cientistas criticados o contestam. (...) na maioria dos estudos, que relaciona regiões cerebrais com sentimentos como rejeição social e ciúme , os pesquisadores interpretam os dados através de um método que inflaciona a verdadeira força da ligação entre uma região cerebral e a emoção ou comportamento.” (Folha de S.Paulo, 19/01/2009)

PARADIGMAS

O desenho não é o objeto, assim como o mapa não é o território. O que enxergamos depende dos modelos teóricos que estamos utilizando a fim de interpretar o que observamos (e a comunicação da interpretação é feita por palavras, sendo imprecisa e incompleta). Podemos, inclusive, modificar a forma de ver o passado (tornando-o dinâmico), de acordo com os conceitos e as teorias utilizadas. Segundo Abraham Maslow, "Se a única ferramenta que você tem é um martelo, comece a tratar todas coisas como se elas fossem pregos.” (GOSWAMI, 2003)

Paradigma é o modelo, o padrão. O paradigma científico constitui o conjunto de valores e crenças de uma sociedade científica em particular (CARILLO JUNIOR, 2008).

Discorrendo sobre o conceito de Paradigma de Kuhn, Marcos Queiroz afirma que:

"De acordo com Kuhn, paradigma é análogo a um mapa que norteia e governa a percepção, as perguntas e os procedimentos do cientista diante de seu objeto de conhecimento; ou como uma lente que permite configurar e ordenar certos fatos de uma realidade que, em si mesma, é infinita. Um outro mapa, uma outra lente, ou seja, um outro paradigma produziria uma configuração diferente da realidade e, consequentemente, outra ciência.” (QUEIROZ, 1996, p. 11)

Talvez possamos concluir que os paradigmas que fundamentam o conhecimento médico e científico contemporâneo, representados pelo modelo mecanicista cartesiano, pelo positivismo e pelo determinismo, não possuam metodologias e instrumentalizações apropriadas, ou seja, o "mapa" ou a "lente" adequados para enxergar, interpretar e compreender a Homeopatia, enquanto sistema médico, dotado de um corpo filosófico e terapêutico específico, em função das limitações impostas por tais paradigmas.

Lembrando que a ciência sempre mudou, conforme à descoberta de novos conhecimentos, Amit Goswami afirma que a ciência como a conhecemos, baseada no materialismo científico (no realismo, de que tudo é feito de matéria, de átomos, sendo tudo mais apenas fenômenos secundários da matéria, de que existe "lá fora" uma realidade real e objetiva), está esgotando as suas possibilidades, pois não consegue explicar uma série de fenômenos, originando inúmeros paradoxos e mistérios, sugerindo que isso ocorra por ignorarmos a possibilidade de que seja falsa a suposição de que tudo constitui-se de matéria (os átomos, as partículas elementares), por tratar-se de uma suposição não provada, propondo, ainda, que um novo paradigma deva emergir, em que a consciência, e não a matéria, é a essência de tudo o que existe, pois o universo parece não existir sem algo que perceba a sua existência (GOSWAMI, 2003).

OS PARADIGMAS CIENTÍFICOS

Os paradigmas construtivista e fenomenológico destacam-se na ciência contemporânea. O paradigma construtivista admite que a realidade possa ser vista de diferentes formas, onde o observador tem uma participação ativa na construção da realidade, objetivando procurar a concepção múltipla dos fenômenos, fundamentando-se em processos de associação e relação. Já o fenomenológico defende que existe uma realidade prévia e integral, em que o trabalho do observador consiste em revelar esta realidade pré-existente, sendo baseado numa metodologia positivista, onde deve-se provar experimentalmente os fatos da natureza e instaurar uma relação de causa e efeito entre eles, tendo por objetivo analisar a realidade para ter condições de generalizar, prognosticar e ter o controle sobre os fenômenos ambientais. A ciência médica que detém a hegemonia no mundo ocidental baseia-se neste último. (CARILLO JUNIOR, 2008)

CIÊNCIA E MEDICINA

Luiz Carlos Machado fala sobre o "paradigma da simplificação":

"Não seria esse o modelo operacional da ciência hegemônica, que, para controlar e dominar a realidade, ou separa o que está ligado ou unifica o que é diverso? Esse pensamento dominante, infelizmente também na ciência médica, é, em última instância, herdeiro da formulação de Galileu, segundo a qual o livro da natureza se escreve em caracteres geométricos e a matemática deve ocupar um lugar central na ciência moderna. Desses pressupostos derivam as noções de que conhecer significa quantificar e de que o método científico deve operar segundo a redução do que, em essência, é complexo. As leis da natureza tornam-se a expressão mais acabada da pressuposta regularidade dos fenômenos, que podem assim ser observados e medidos com 'rigor'". (MACHADO, 2008, pp. 10 e 11)

Machado faz uma reflexão sobre os paradigmas adotados na medicina e o tratamento instituído:

"No caso da medicina, mais especificamente, por sua conceituação histórica sempre presente (mesmo que muitas vezes não explicitada) de saúde e doença, (...) muitas vezes também detectamos essa mesma armadilha: transformar suas hipóteses em alguma coisa do tipo proposições autocumpridas e de perder de vista essa natureza recursiva e autocorroborativa, aliás, tão presente em seu atual discurso, que nada mais é do que o espelho de um modelo biológico geral que tem a pretensão de ser o único e, portanto, o verdadeiro. Uma mínima reflexão poderia revelar o quanto os seus diagnósticos (em outras palavras, os paradigmas adotados, no sentido mais amplo da palavra) determinam as suas escolhas terapêuticas." (MACHADO, 2008, pp. 9 e 10.)

Responsável pela Apresentação do livro "O Milagre da Imperfeição", do Prof. Dr. Romeu Carillo Junior, o filósofo Luiz Carlos Machado afirma:

"O que o prof. Carillo nos demonstra, de uma maneira suave e ao mesmo tempo impactante, é que os modelos científicos devem ser entendidos como constructos teóricos, histórica e culturalmente determinados, e ao mesmo tempo provisórios e parciais, adequados à compreensão de determinados recortes de uma realidade que, por sua complexidade, jamais pode ser apreendida em sua totalidade. Sua matéria é sempre constituída por hipóteses, quer sejam compreendidas do ponto de vista da atividade cotidiana ou da atividade de pesquisa. Como nos demonstra o prof. Carillo, a história da medicina é pródiga em nos fornecer evidências da natureza provisória das entidades nosológicas." (MACHADO, 2008, p. 12)

De acordo com o Dr. Sideny Burwell, daqui a 10 anos estará provado que cerca da metade do conhecimento disponibilizado na escola médica estará errado; entretanto, os professores não sabem qual é essa metade (CONTERNO).

O Prof. Dr. Romeu Carillo Junior enfatiza a importância da concepção de doença:

"A ciência médica hegemônica fundamenta-se no paradigma fenomenológico. Acredita, portanto, que a doença seja algo já formado e existente na natureza. Como tal, considera que o seu papel seja desvendar experimentalmente os fatos da natureza que a determinam e estabelecer uma relação entre causa e efeito. O objetivo dessa operação analítica da realidade é generalizar, predizer e controlar as situações que a desencadeiam. Esse conceito está tão enraizado na mente dos cientistas que a doença possui sinônimos como 'entidade nosológica', ser existente independentemente do indivíduo que a apresenta, muito ao contrário do que propõe o aforismo: 'Não existem doenças e sim, doentes’. (...) A terapêutica sempre é compatível com a concepção que se tem de doença. O resultado de uma concepção falha ou incompleta é uma terapêutica inadequada." (CARILLO JUNIOR, 2008, pp. 55 e 56.)

A respeito de inúmeros crânios trepanados encontrados no período Neolítico (26.000 a.C-5.000 a.C.), o Prof. Dr. Romeu Carillo Junior discorre sobre a concepção de doença da época, base para a respectiva terapêutica:

"Inúmeros crânios trepanados nesse período foram encontrados na Eurásia e nas Américas, notadamente no Peru, indicando, segundo a maioria dos estudiosos, práticas mágicas ou religiosas relacionadas à concepção de doença daquele tempo. Provavelmente, segundo alguns autores, os humanos neolíticos tinham a crença de que algo como um 'espírito mau' pudesse se apoderar do indivíduo e, por se tratar de um local relativamente fechado e seguro, buscasse refúgio no interior da calota craniana. A trepanação, portanto, representaria o primeiro ato terapêutico historicamente documentado, aparentemente amplamente utilizado, talvez por ser adequado e necessário em vista dessa concepção de doença (...) Não será surpresa se, daqui a 20 mil anos, os seres humanos, se é que ainda existirão, tiverem a mesma dificuldade para entender as concepções de doença e formas terapêuticas atualmente aceitas como indiscutivelmente corretas." (CARILLO JUNIOR, 2008, p. 17)

O MODELO BIOQUÍMICO E MOLECULAR DA FARMACOLOGIA CLÁSSICA NÃO PODE EXPLICAR A AÇÃO TERAPÊUTICA DE SOLUÇÔES ULTRADILUÍDAS

Os medicamentos homeopáticos são produzidos por sucessivas diluições e sucussões, processo chamado de dinamização ou potencialização, por aumentar, em princípio, o potencial terapêutico da solução final. A escala de dinamização mais utilizada é a CH, ou seja, Centesimal Hahnemanniana, que foi o método empregado pelo criador da Homeopatia, Samuel Hahnemann, para produzir os medicamentos administrados aos seus pacientes. Nesta escala, parte-se de uma substância em dose ponderal, diluída em 99 partes de um solvente (normalmente, utiliza-se uma solução hidroalcoólica), passando esta solução, ainda, por um processo de sucussão, por 100 vezes. O resultado desta preparação, determinada substância na 1CH, é submetido ao mesmo processo, originando o medicamento homeopático 2CH. E assim, sucessivamente. É importante notar que, apesar de inúmeras observações evidenciarem que o aumento gradativo das dinamizações implica em um incremento no potencial terapêutico, concomitantemente o número de moléculas da substância inicial diminui drasticamente. Até que, a partir de uma determinada dinamização, por volta da 12CH, de acordo com o Número de Avogadro, não existiriam mais moléculas da substância original, mas apenas moléculas do solvente, ou seja, água e álcool. Dessa forma, de acordo com o modelo bioquímico e molecular da farmacologia clássica, este medicamento homeopático não possuiria nenhum valor terapêutico, por não conter mais nenhuma molécula da substância inicial. Portanto, qualquer efeito terapêutico provocado por esta substância, administrada em qualquer paciente, poderia ser explicado, única e exclusivamente, pelo efeito placebo, agindo em um nível psicológico, em relação à sua expectativa de melhora, em função do tratamento instituído.

Conforme Paolo Bellavite:

“A principal objeção ao uso de diluições que entram no campo ‘não-molecular’ ou ‘metamolecular’, é constituída pelo fato que elas aparentemente contradizem o modelo biomédico dominante, que é justamente o modelo bioquímico-molecular. Numa preparação na qual pouca ou nenhuma molécula de fármaco está presente, não se consegue explicar, na base dos conhecimentos farmacológicos atuais, como tais soluções podem exercer algum efeito. Para muitos, a ausência de explicação exclui qualquer crédito científico que se possa dar aos resultados clínicos e experimentais; para outros, constitui um desafio para procurar, antes de tudo, uma explicação plausível.” (BELLAVITE, 2002, p. 344.)

HOMEOPATIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

Embora reconheça que a utilização de soluções ultradiluídas seja o principal empecilho para que a ciência clássica a aceite, Bellavite (citando Sílvio Chibeni) corrobora que a Homeopatia é uma ciência fenomenológica:

“É justamente na utilização de remédios em ultradiluições – o que corresponderia nos dias de hoje às chamadas soluções não-moleculares – que a medicina homeopática encontra ainda o principal obstáculo para seu reconhecimento científico. Porém, o fato de não se ter encontrado uma explicação insofismável do mecanismo de ação do remédio homeopático não lhe retira o caráter científico já que sua eficácia clínica vem sendo comprovada na prática clínica e nos estudos clínicos controlados (trials). Tanto por seu corpo teórico (experimentação no homem são; utilização de doses mínimas; cura pela lei dos semelhantes) como por sua eficácia clínica comprovada, a homeopatia pode ser considerada como uma ciência, uma ciência fenomenológica, já que esse fenômeno comprovado empiricamente continua sendo uma verdade independentemente da explicação teórica de qual é o mecanismo de ação do remédio homeopático (Chibeni, 2000).” (BELLAVITE, 2002, p. 47.)

Célia Barollo é veemente ao defender o caráter científico da Homeopatia:

“A homeopatia é rigorosamente uma ciência, uma revolução na medicina convencional, iniciada por Hahnemann há quase dois séculos. (...) Embora Claude Bernard seja considerado o 'Pai da Medicina Experimental' (século XIX), muitos anos antes Hahnemann iniciava suas experiências com metodologia científica, obtendo resultados que podem ser reproduzidos quantas vezes se desejar.” (BAROLLO, 1995, pp. 19 e 33.)

Em um simpósio realizado durante o XXVIII Congresso Brasileiro de Homeopatia, realizado em Florianópolis-SC, em 2006, o Dr. Michel Van Wassenhoven apresentou um painel científico da Homeopatia, sob o título "Homeopatia Baseada em Evidências". Neste simpósio, foi relatada uma pesquisa mundial objetivando confirmar sintomas patogenéticos de medicamentos homeopáticos, através de estudos de casos clínicos, com os dados de todas as partes do mundo sendo enviados para um banco na Itália. O autor afirma que, dessa forma, a Homeopatia pode ser comprovada por estudos.

QUEBRANDO PARADIGMAS

Paradigma é o padrão, a regra, é o exemplo a ser utilizado como modelo a ser seguido, de acordo com o que determinado grupo ou comunidade acredita e considera essencial e correto.

Nasci em Porto Alegre-RS, onde as crianças têm duas escolhas: ou serem gremistas ou serem coloradas. Por influência da família da minha mãe, sofri uma grande pressão para escolher o Grêmio, como clube de meu coração. Entretanto, o azul do Grêmio não era a minha cor preferida, nem, muito menos, o vermelho do Inter! Desde que me conheço por gente, eu sempre gostei mesmo foi do Verde! Mas, de acordo com os familiares, de nada adiantava eu gostar do verde, pois teria que escolher entre o azul do Grêmio ou o vermelho do Internacional, pois, afinal, era assim que as coisas aconteciam na capital gaúcha! Desde criança, sempre fui muito teimoso e, dessa forma, não me conformava com o fato de escolherem por mim, o clube que iria torcer. Até que uma hora, os meus parentes se cansaram de insistir para que eu fosse gremista, me dando algumas opções de clubes de futebol com a cor verde: Juventude de Caxias do Sul, Gaúcho de Passo Fundo, Guarani de Campinas... Na última hora, uma tia lembrou do Palmeiras! E, aos 6 anos de idade, me tornei Palmeirense! Nada contra os que torcem para o Grêmio, ou para o Inter, ou para o Corinthians, ou para o São Paulo, ou para o Santos, ou para o Esportivo de Bento Gonçalves (como era o caso do meu pai)... Mas eu gostava mesmo era do verde e, daquele momento em diante, me tornei um torcedor do Palmeiras! Mas isso não me tornava melhor ou pior que ninguém! Aliás, considero o futebol uma excelente forma de lazer, sendo um grande fator de congraçamento e estreitamento de amizades. Cada um torcendo para o seu time, mas sempre com respeito e educação, prezando pela paz, como deve ser com as pessoas de bem. Todavia, desde os tempos de colégio, futebolisticamente era visto como diferente, pois fugia ao padrão de ser torcedor de Grêmio ou Inter! Para terem uma ideia, até terminar o meu segundo grau, nunca tive um colega que torcesse para outro time! Dessa forma, houve uma quebra de paradigma!

Aos 19 anos, entrei na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, porque sempre gostei dos animais e queria tratá-los e curar as suas doenças. Mas, confesso, que Medicina nunca foi uma das minhas profissões preferidas, muito pelo contrário. Quando criança, brincava que ainda não sabia o que queria ser, mas duas coisas certamente não seria: Militar (talvez, por sua disciplina rígida, já que sempre preferi a flexibilidade) e Médico, já que passava mal só em ver sangue... Pois a vida é mesmo irônica! Acabei me formando em Medicina Veterinária, uma profissão que lida cotidianamente com a vida e com a morte, sendo que, ainda, realizei diversas cirurgias em cães e gatos, durante a minha carreira. Para quem não podia nem ver sangue, acho que concordamos que foi uma superação! Entretanto, não estava satisfeito, pois não era exatamente dessa forma que eu sonhava em trabalhar! Além do mais, não concordava com alguns preceitos de minha profissão, em que pacientes eram simplesmente "descartados" por não haver mais recursos para tratá-los, pois a Medicina Veterinária Clássica havia esgotado as suas possibilidades. E, infelizmente, muitos desses animais acabavam sendo condenados à eutanásia! Nunca me conformei com isso! E, desde os tempos de faculdade, comecei a me interessar pela Homeopatia, que emergia como uma opção terapêutica que fugia ao molde estabelecido pela Medicina Tradicional, apresentando uma outra concepção. Lembro que, naquela época, quando falava do meu interesse em Homeopatia, meus colegas já me olhavam de forma diferente! Por quê? Porque fugia ao padrão estabelecido pelo estudo e conhecimento clássico de nossa faculdade!

O churrasco e o chimarrão são tradições do povo gaúcho! No entanto, não tomo chimarrão e estou me tornando cada vez mais vegetariano! Convenhamos: um gaúcho que não toma chimarrão, que não come churrasco e, ainda por cima, é Palmeirense!!! Só faltava mesmo estudar e trabalhar com Homeopatia em Medicina Veterinária! Pois este sou eu, quebrando paradigmas, assim como qualquer um de nós pode quebrar os seus, desde que não concorde ou não sinta-se confortável com algo ou com alguma situação, previamente estabelecida, que lhe foi imposta!

De acordo com David Niven, a busca permanente de aprovação, por parte de pais, parentes, amigos e colegas, almejando alcançar um padrão de sucesso profissional, somente para satisfazer as expectativas dos outros, pode propiciar um júbilo passageiro, mas não traz a verdadeira felicidade:

"Depender da aprovação dos outros é desligar-se de si mesmo, é desconhecer seu próprio desejo e sua capacidade de auto-avaliação. É abrir mão do seu verdadeiro valor. (...) Nove entre dez pessoas sentiram, quando crianças, alguma necessidade de mostrar competência para ganhar ou merecer o amor dos pais. Para a maioria, esse padrão se mantém na fase adulta, quando continuam usando suas carreiras para obter aprovação das pessoas amadas, apesar da ansiedade e decepção que este padrão possa produzir - Jones e Berglas, 1999. (NIVEN, 2002, pp. 114 e 115)

Discorrendo sobre a imputação de culpa, como forma de controlar pensamentos, emoções e atitudes de outras pessoas, o especialista em psicologia comportamental, Robert Anthony, afirma que:

"A culpa é a principal ferramenta dos manipuladores. Tudo de que alguém precisa para nos subjugar é nos fazer sentir culpados: imediatamente, somos compelidos a voltar a suas graças. (...) A sociedade diz que você deve se conformar. Se você faz ou diz alguma coisa rotulada como anti-social, logo é considerado culpado. (...) Sentimentos de culpa decorrentes de comportamento social irregular condicionam os 'culpados' a se preocupar com o que outras pessoas dizem e pensam. A opinião alheia oprime e inibe tanto que a pessoa jamais pode se ver livre para fazer as coisas que deseja para sua felicidade. Antes de fazê-las, precisa olhar à volta para constatar que não está, de fato, desagradando a ninguém. Por isso é que o rótulo é colocado em você de maneira tão marcante. (...) A maioria admite, sem qualquer resistência, ser governada por padrões de comportamento já enquadrados, estabelecidos e aceitos pela sociedade. (...) Lembre-se: ao mundo você somente deve provas de sua honestidade." (ANTHONY, 1979, pp. 87, 91, 92 e 98)

UM OUTRO MODELO É POSSÍVEL

Jesus Cristo quebrou diversos paradigmas em sua época, defendendo valores que contrariavam os detentores do poder de então. Todos sabemos qual foi o desfecho: a crucificação. Samuel Hahnemann, inconformado com o pífio resultado da medicina oficial de sua época, chegou a abandonar a profissão, criando, posteriormente, o método de tratamento pelos semelhantes. Apesar do sucesso alcançado no tratamento de seus pacientes, foi duramente criticado, ridicularizado e até perseguido pelos defensores do sistema médico tradicional de seu tempo.

Gosto muito de assistir o Programa Motivação & Sucesso, do Professor Marins, na Rede Vida de Televisão, e ler os seus textos, disponíveis em seu site (www.anthropos.com.br). Acho muito interessante o texto "A coragem de ir contra a corrente", em que o autor fala da importância de pensar por si próprio, tendo uma consciência crítica, sem se deixar influenciar por opiniões alheias, propagadas insistentemente pela mídia, amigos ou grupos, que, muitas vezes, nos induz a fazermos o que sabemos que é errado, nos conduzindo em uma direção que não escolhemos. Outro texto que me chama muito a atenção é "Não tenha medo de falhar", onde é enfatizado que o erro faz parte do processo de aprendizagem, por isso não devemos ter receio em correr riscos e falhar, pois, assim, encontraremos o caminho correto a ser seguido.

Além da opção em trabalhar com Homeopatia em Medicina Veterinária, acabei, com o passar do tempo, trilhando o meu próprio caminho, desenvolvendo e aprimorando uma metodologia própria, baseada no conhecimento teórico que adquiri (em cursos de especialização, pós-graduação e aprofundamento, congressos, simpósios, etc.) e, especialmente, através da prática clínica, em mais de duas décadas de atuação. Não considero este caminho, que estou trilhando, como o único, nem como o melhor a ser seguido. Também não o julgo o pior. Apenas o considero ser mais adequado para mim, dentro de minha visão de mundo, da vida, adaptado às minhas qualidades e limitações, a fim de que possa atingir, de uma forma mais eficaz, os meus objetivos em minha profissão: proporcionar uma vida digna, saudável e de qualidade aos meus pacientes, os animais.

A HOMEOPATIA É EFICAZ NO TRATAMENTO DE CANINOS E FELINOS

Trabalho com Homeopatia desde 1992, quando iniciei o meu curso de Especialização pela SGH, objetivando o tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos. Considero ser este o grande diferencial da Homeopatia, beneficiando e até mesmo curando pacientes em que o tratamento clássico apresenta resultados parciais e insatisfatórios.

Como já relatei em outras oportunidades, após concluir a minha especialização, estudei outras escolas homeopáticas, vindo a conhecer outras metodologias, além de realizar diversos cursos na área de Medicina Complementar. Este conhecimento teórico, somado à prática clínica, fundamentaram uma metodologia própria que estou desenvolvendo e aprimorando, sendo a mesma utilizada em um estudo de eficácia que realizei na Liga Homeopática do Rio Grande do Sul (mediante uma parceria), em Porto Alegre, durante 8 anos, entre 2005 e 2013. Neste estudo, 96% dos pacientes caninos e felinos, portadores de doenças crônicas e/ou distúrbios comportamentais, que foram tratados pela Homeopatia e acompanhados por um período superior a 6 meses, apresentaram melhoras significativas em sua condição inicial e qualidade de vida, conforme a metodologia empregada e os parâmetros de avaliação propostos. A condição inicial refere-se aos sintomas inerentes ao diagnóstico relacionado à queixa principal. É importante notar a importância dos SINTOMAS em Homeopatia! Enquanto a Medicina Clássica, que utiliza o modelo mecanicista cartesiano, sendo, dessa forma, materialista, vale-se de exames subsidiários (laboratoriais, por imagem, etc.) para estabelecer o diagnóstico e tratamento da doença (estabelecendo, até mesmo, o prognóstico da mesma), a Homeopatia tem por objetivo abordar, compreender e tratar o doente, através do estudo de seus sintomas, que servem, ainda, de parâmetro para a avaliação de sua evolução. A partir dos resultados deste estudo de eficácia que realizei, pode-se inferir algumas conclusões, como, por exemplo: o tratamento homeopático pode ser eficaz em pacientes caninos e felinos, portadores de doenças crônicas e distúrbios comportamentais; a Homeopatia trata o doente em sua totalidade, pois diversos pacientes apresentaram melhoras concomitantes de sintomas de ordem física e comportamental; há fortes indícios de que a ação do medicamento homeopático não pode ser explicada pelo efeito placebo, já que o estudo foi realizado em pacientes caninos e felinos, que não seriam, em princípio, suscetíveis a tal efeito; etc. Para saber mais sobre este estudo, veja: "Estudo da eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos": Parte I , Parte II , Parte III .

Posso receber críticas a respeito da metodologia que utilizei neste estudo. Por exemplo, não segue um padrão científico pré-estabelecido, é carente de exames subsidiários, etc. Tudo bem, concordo que a metodologia empregada possa ser questionada. Além do mais, reconheço que este estudo pode e deve ser aperfeiçoado. Certamente, se hoje começasse uma outra pesquisa clínica, muita coisa seria diferente, a começar pela experiência adquirida. Quando iniciei este trabalho de pesquisa, a minha intenção era tão somente a documentação de casos clínicos individuais, comprovando o que já constatava na minha prática cotidiana, que o tratamento homeopático funciona muito bem em animais. Queria, então, registrar este fato, mostrando o atendimento do paciente desde a sua primeira consulta, acompanhando a sua evolução, mediante as diversas reavaliações. E tudo registrado, em fichas clínicas, vídeos e fotos. Seria a minha resposta quanto à questão se a Homeopatia funciona ou não em animais! Entretanto, em determinado momento percebi que poderia realizar um trabalho mais abrangente, resultando no referido estudo de eficácia.

Lucieni Oliveira Conterno discorre sobre o assunto em "Prática Baseada em Evidências". A seguir, busco fazer uma correlação entre o que a autora apresenta e o meu estudo de eficácia da Homeopatia em caninos e felinos:

* De acordo com Conterno, a bioestatística é uma das disciplinas que fundamentam a medicina baseada em evidências. Conforme o "Dicionário Médico Enciclopédico Taber", a Estatística refere-se à "coleta sistemática, organização, análise e interpretação de dados numéricos concernentes a qualquer objeto". Já a Bioestatística consiste na "aplicação de processos e métodos estatísticos à análise de dados biológicos" (Dicionário Médico Enciclopédico Taber, 2000, pp. 211 e 662). Meu estudo de eficácia está repleto de dados estatísticos, relacionados aos pacientes, sua morbidade e evolução.

* Conterno afirma que a prática clínica baseada em evidências deve refletir o conhecimento atual e utilizar as melhores informações científicas existentes. Para o tratamento instituído em meus pacientes, participantes do estudo que realizei, utilizei os mais diversos conhecimentos referentes ao universo homeopático, desde os adquiridos em meu curso de especialização (unicismo), até outras escolas, que utilizavam metodologias distintas, como a de terceiro nível (também unicista), o pluralismo (de León Vannier) e a visão sistêmica. É importante salientar a participação em inúmeros congressos e simpósios, além de outros eventos, mantendo-me atualizado com as novidades da esfera homeopática.

* Conterno afirma que a prática baseada em evidências aceita a incerteza nas decisões clínicas, além de reconhecer que a experiência clínica e os conhecimentos de fisiopatologia, apesar de necessários, são insuficientes nas decisões clínicas. Por ter uma concepção diferenciada, em que o tratamento é específico para o doente, não para a doença, baseando-se na captação e compreensão dos sintomas de cada paciente, a Homeopatia alinha-se na questão da incerteza nas decisões clínicas, pois considera cada paciente como inédito e exclusivo, devendo receber um tratamento igualmente individualizado e específico. Consequentemente, pacientes com o mesmo diagnóstico clínico, poderão receber medicamentos homeopáticos diferentes.

* Conterno sustenta que a prática baseada em evidências integra o conhecimento das ciências básicas com a evidência e com as experiências clínicas pessoais. No tratamento pela Homeopatia, utilizo todos os conhecimentos adquiridos, desde os acadêmicos até os mais atuais. Inclusive, defendo a sinergia entre a Medicina Veterinária Clássica e a Homeopatia, o que ocorreu em grande parte dos pacientes participantes do estudo.

* Em relação ao tipo de estudo, este foi em caráter retrospectivo.

* Quanto à questão: o que é a melhor evidência? Conterno afirma que deve-se valorizar o que é clinicamente relevante (não, simplesmente, a pesquisa "bem feita"), sendo que a pesquisa clínica ideal deve ser centrada no paciente, levando em consideração o que de fato importa para o mesmo (morbidade, mortalidade, qualidade de vida). Dessa forma, a pesquisa deve ser voltada para o doente (não para a doença): é o POEMS - Patients oriented evidence that matters ("provas centradas no doente, aquilo que importa"). São os estudos que tentam responder a perguntas clínicas, sendo que os resultados são avaliados em termos de sintomas, qualidade de vida, mortalidade. Este aspecto é muito interessante, porque todo o meu estudo foi centrado em cada doente, mais especificamente, em seus sintomas, sendo estabelecidos como indicadores de morbidade. Também levei em consideração, na evolução do tratamento homeopático de cada paciente, a sua qualidade de vida.

* Conterno afirma que os POEMS (estudos centrados no paciente), apresentam o potencial de mudar a prática. Muito interessante, pois, de acordo com os resultados de meu estudo, a Homeopatia mostrou-se altamente eficaz no tratamento de pacientes caninos e felinos, portadores de doenças crônicas e/ou distúrbios comportamentais. Dessa forma, o tratamento homeopático emerge como uma opção terapêutica viável, atuando de forma complementar ou não ao tratamento médico veterinário clássico, especialmente quando este último apresenta resultados parciais e insatisfatórios.

* A autora expressa a importância da evidência ser avaliada de uma forma crítica, principalmente em três aspectos: a) Relevância da Evidência: refere-se ao impacto que os resultados podem produzir quando adicionado ao corpo de conhecimentos que embasam a conduta médica. Acredito que o impacto produzido por meu estudo poderá ser significante, senão imediatamente, ao menos em médio e longo prazo, pois um estudo que demonstra que 96% dos pacientes tratados apresentaram melhoras significativas em sua condição inicial e qualidade de vida, apresenta um alto grau de relevância, no sentido de ser incorporado ao conjunto de conhecimentos que fundamentam o procedimento médico veterinário. b) Importância da Evidência: É a capacidade de generalização dos resultados além da população da pesquisa. O objetivo deste trabalho de pesquisa foi o tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos, sendo que, nos dois últimos anos, a ênfase esteve nas áreas de dermatologia e comportamento. Este serviço esteve disponível à toda a comunidade, com ênfase nos animais de estimação da população carente. Pelo fato dos pacientes terem sido atendidos aleatoriamente, conforme a procura do atendimento por parte de seus responsáveis, considero que os resultados deste estudo podem ser extrapolados além do conjunto de pacientes envolvidos na pesquisa. Dessa forma, o resultado de nosso estudo demonstra um alto grau de importância da evidência, no que concerne à eficácia do tratamento homeopático na população canina e felina, portadora de doenças de caráter crônico e distúrbios de comportamento. c) Nem tudo que está publicado tem embasamento científico explícito, pois nem toda a informação que se diz baseada em evidência, realmente é. De acordo com os resultados deste estudo, considero que há um alto grau de evidência no mesmo, possuindo fundamentação científica. Nunca é demais relembrar que todos os casos clínicos participantes do estudo foram amplamente documentados, em fichas clínicas, fotos e vídeos, para posterior comprovação.

* Quanto aos níveis dos estudos que fundamentam as recomendações de conduta, o meu estudo de eficácia enquadra-se no Nível VI - Série de Casos.

* Quanto à questão de confrontar experiência clínica e evidência clínica, Conterno afirma que a evidência advinda da pesquisa clínica deve somar à experiência e não substitui-la, sendo que a experiência clínica é fundamental para se fazer uso adequado da evidência. Quando iniciei meu trabalho de pesquisa na Liga Homeopática do RS, já possuía mais de 13 anos de experiência trabalhando com Homeopatia em Medicina Veterinária. Entretanto, continuava me aperfeiçoando e atualizando, realizando diversos cursos e participando de inúmeros congressos e eventos, nas áreas de Homeopatia, Clínica de Cães e Gatos e Medicina Complementar. O início deste trabalho de pesquisa marcou o começo de um novo ciclo em minha vida profissional, em que passei a empregar novos conceitos e metodologias, baseados nos conhecimentos que estava adquirindo progressivamente. As evidências resultantes deste estudo vieram a corroborar significativamente a minha experiência clínica, sendo esta última essencial para o discernimento da melhor forma de empregar tais evidências. Avalio que os resultados altamente satisfatórios deste estudo que realizei são em função de minha experiência clínica trabalhando com Homeopatia, demonstrando a importância da conjugação entre a experiência e a evidência clínica.

* Por fim, Conterno ressalta a importância de se procurar a evidência, fazendo alguns questionamentos: Há evidência sobre determinado tema? Qual a força desta evidência? A evidência deve ser incorporada à minha prática? De acordo com os resultados de meu estudo, afirmo haver uma forte evidência de que o tratamento homeopático apresente o potencial de ser altamente eficaz no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos. Como já relatei anteriormente, experiência clínica e evidência clínica percorrem de forma entrelaçada o caminho do conhecimento, a fim de ampliar as possibilidades terapêuticas, no sentido de beneficiar progressivamente os nossos pacientes, proporcionando aos mesmos uma vida mais digna, saudável e com qualidade. Quanto à questão referente à ação do medicamento homeopático, há uma forte evidência de que não ocorra pelo efeito placebo, pois este estudo foi realizado em pacientes caninos e felinos, que não teriam, em princípio, plena consciência de que estão sendo tratados, não estando sujeitos, portanto, a um efeito psicológico positivo, relacionado à melhora em função do tratamento instituído.

Apesar das ressalvas anteriores, tenho a opinião de que o fato de não seguir rigidamente as normas de uma metodologia científica pré-determinada, não pode ser um fator de depreciação e descrédito deste trabalho. O parâmetro utilizado para a avaliação dos pacientes foi a evolução de seus sintomas, através da anamnese realizada com seus proprietários, além do exame clínico e observação do paciente, sendo que, eventualmente, foram utilizados exames complementares. As melhoras clínicas e comportamentais dos pacientes realmente ocorreram, isto é verídico, incontestável! Além disso, a avaliação dos proprietários relatando uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, atribuindo esta melhora ao nosso tratamento homeopático instituído, e demonstrando estarem plenamente satisfeitos com o mesmo, também foi levado em consideração. Apenas por não seguir rigidamente as normas de uma metodologia científica pré-estabelecida, pode ser motivo para desqualificar este trabalho, rotulando-o como não-científico? E as melhoras? E as curas ocorridas em grande parte destes pacientes que participaram do estudo, mediante o nosso tratamento homeopático? "Mas você está fora do padrão, por isso ignoramos o seu trabalho, pois ele não é científico!" Não é científico? Mas, afinal, o que é ciência? É um modelo matemático, como proposto por Popper? Sim, concordo! Mas não é o único! Não é a maneira exclusiva de ver e sistematizar a vida e os fenômenos naturais! Eu tenho o direito de utilizar um outro mapa ou uma outra lente, ou seja, um outro paradigma, como propõe Thomas Kuhn, originando, assim, uma outra configuração da realidade e, consequentemente, uma outra ciência!

Sim, meus amigos, vocês podem até discordar peremptoriamente, mas este meu estudo de eficácia do tratamento homeopático em caninos e felinos é científico, sim! Pode até não se enquadrar, por completo, nos parâmetros estabelecidos pelo "mapa" da ciência clássica, tradicional. E não estou desmerecendo esta última, muito pelo contrário! Inclusive, defendo uma união de forças e conhecimentos, da ciência médica clássica, com a Homeopatia e, até mesmo, como outros métodos não tradicionais, em prol e benefício da saúde, bem-estar e qualidade de vida de nossos pacientes. Apenas defendo, com veemência, que não existe uma única maneira de ver e compreender a vida, assim como não há um método exclusivo de conceber, abordar e tratar os nossos pacientes. Afinal, como foi reiteradamente exposto neste texto, podemos utilizar um outro "mapa" ou uma outra "lente", ou seja, um outro modelo para configurar a nossa realidade. E foi isto que eu fiz: utilizei um outro "mapa", quer dizer, um paradigma diferente para conceber e estruturar este estudo, chegando à conclusão que a Homeopatia foi eficaz no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos. Assim sendo, a Homeopatia é uma ciência, sim! A Homeopatia é uma ciência baseada em evidências!

CONCLUSÕES

O conhecimento científico atual é extremamente limitado, baseado em modelos teóricos, que descrevem de forma imprecisa e parcial a realidade, devendo, ainda, ser compreendidos dentro de um contexto histórico e cultural específico. A ciência clássica fundamenta-se filosoficamente no positivismo, só aceitando como verdadeiro o que pode ser provado cientificamente. Entretanto, o paradigma mecanicista cartesiano utilizado pela ciência clássica não tem condições de descrever integralmente a realidade, colocando à margem modelos que contrariem suas premissas básicas, como é o caso do sistema terapêutico que utiliza o princípio da semelhança. Há necessidade da utilização de um outro “mapa”, ou seja, um outro paradigma, como propõe Thomas Kuhn, para que uma configuração diferente da realidade seja efetuada, gerando, assim, uma outra ciência, que tenha a aptidão necessária para explicar de forma adequada a Homeopatia, já que a mesma proporciona resultados altamente satisfatórios, fato comprovado pela prática clínica e pela pesquisa, incluindo um estudo que realizamos em caninos e felinos, apresentando um alto grau de eficácia.


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Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

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