CASO DE AGRESSÃO EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA



CASO DE AGRESSÃO EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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Espécie: Canina.
Raça: Poodle.
Sexo: Masculino.
Data de Nascimento: abril / 1999.
Idade na Primeira Avaliação: 1 ano e 3 meses.
Data da Primeira Avaliação: julho / 2000.
Atendimento Domiciliar.
Diagnóstico: Agressão Dirigida a Pesssoas Familiares.

* Introdução.

Fui chamado para atender este cão da raça Poodle, sob forma de atendimento domiciliar. Os proprietários (um casal, além da mãe do proprietário) moravam em uma casa, localizada em um bairro residencial de Porto Alegre-RS. Talvez, possamos dizer que a situação em que os mesmos se encontravam fosse um tanto crítica, pois, em função da agressividade do paciente, seus proprietários haviam sido mordidos diversas vezes. Na última semana a situação agravou-se, sendo que o paciente, inclusive, não queria deixar o dono entrar em casa. Este paciente também apresentava um quadro de otite crônica, agravada no último mês. Em função de sua agressividade, os proprietários não estavam conseguindo nem tratá-lo.

Realizei minha especialização em Homeopatia pela SGH, entre 1992 e 1994. O curso preconizava uma abordagem unicista, a partir de uma concepção vitalista, baseada em Hahnemann, Kent, Paschero, entre outros autores clássicos. O objetivo consiste em tratar o doente como um todo, buscando a sua individualização. Considera-se os sintomas mentais (comportamento, nos animais), os sintomas gerais (que dizem respeito a todo o organismo) e os sintomas particulares (sintomas físicos, localizados nos diferentes sistemas orgânicos). Dessa forma, o tratamento homeopático deve ser específico para o doente, não para a doença que o mesmo apresenta. A partir de um profundo e minucioso estudo da totalidade dos sintomas do paciente, que o caracterizam como um indivíduo único, elege-se aquele medicamento homeopático específico que, por semelhança de sintomas com o quadro do paciente, colocaria a sua força vital em harmonia, ocasionando o desaparecimento dos sintomas e o restabelecimento da sua saúde.

A seguir, listarei os temas principais deste paciente, resultado de minha compreensão, a partir de uma meticulosa anamnese e sagaz observação do mesmo. Posteriormente, torna-se necessário transformar estes sintomas captados em uma linguagem repertorial, a fim de encontrar o medicamento homeopático mais específico possível para este paciente.

* Histórico.

Quando os donos o adotaram, tinha sete meses de idade, sendo que fazia dois dias que haviam mudado para a atual residência. Nesta época, o paciente apresentava excessiva agitação.
No começo conseguiam pegá-lo no colo, mas, depois de um certo tempo, não podiam nem olhar para ele, pois tornava-se extremamente agressivo e mordia.
Os donos adotaram outros dois cães e colocaram o paciente, que vivia dentro de casa, para morar no quintal. Depois colocaram-no dentro de casa novamente.
A proprietária relata a suspeita de que os antigos donos o tenham agredido, porque ele fazia muita "sujeira" dentro de casa; além disso, ficava sozinho o dia todo.

* Agressividade.

Começou a morder o seu dono de um dia para o outro, em torno de duas semanas após ser adotado. Mordia forte e depois continuava brincando. Foi ficando agressivo.
Ele passa da brincadeira para a agressividade em um instante. Está brincando e, de repente, morde; depois, continua brincando.
Vira de barriga prá cima, mas se os donos colocam a mão nele, morde (e morde forte, prá machucar).
Encosta e roça nos donos, mas não quer que estes encostem a mão nele.
Procura colo, mas se tocarem nele, morde.
Rosna para os donos. Se estes abrirem a porta, rosna.
Consideram-no anti-social, pois não gosta que falem ou olhem prá ele.
Já atacou o dono sem ser provocado umas duas ou três vezes. Em um episódio, em que o seu dono estava com a mão na porta, o paciente deu a volta e o mordeu por trás.
Já acorda "azedo", "armado", parece não reconhecer os donos, pronto para atacar..
Demonstra quando vai morder: fica tenso, rosna e dá o bote; parece uma cobra.
Levaram ele para adestramento: mordeu várias vezes o treinador.
Rói, rasga, morde e corta em pedacinhos os panos da cama dele.
Quando os donos o levam na rua para passear, só ataca outra pessoa se esta colocar a mão nele; se estranhos chegarem perto, sentindo-se ameaçado, rosna.
De uma semana para cá está muito pior; teve piora drástica. Está muito "atacado". Piorou muito após voltar do Veterinário (ficou durante um periodo na Clínica Veterinária). Teve que voltar com "enforcador".
Obs.: durante a consulta, permaneceu na sala rosnando.

* Autoritário. Intolerante à Contradição.

O paciente só faz o que quer; se precisarem fazer um curativo, pentear, cortar os pelos, etc., jamais conseguirão fazê-lo.
O dono não consegue se impor com ele.
Com gritos, "ralhando" com ele: encara, não aceita, fica mais violento.
Ontem (dia anterior à Primeira Avaliação) não queria deixar o dono entrar em casa.
Sempre que vai ao Veterinário (uma vez por mês, em média), volta furioso.
Se o manda sentar, rosna, mas senta.
No começo, com assobio, sentava; mas, depois, começou a rosnar.

* Relação com os Proprietários.

O proprietário acha que o paciente tem medo dele, apesar de não respeitá-lo.
O dono não consegue se impor com ele.
Antes, seus donos podiam brincar com o paciente; agora, não aceita mais, não podem fazer mais nada com ele.
Se vão chegar perto dele, rosna.
É mais agressivo com o dono. Com a mãe do proprietário, a agressividade é regular. É menos agressivo com a proprietária.
Ele procura ir atrás dos donos; se deixam a porta do quarto aberta, entra.
Proprietários tem medo que não consigam nem tratar dele, por sua agressividade.

* Relação com outros Cães.

Os donos adotaram outro cão, SRD, já adulto, em torno de duas semanas após adotá-lo.
O paciente começou a "azucrinar", incomodar este cão, mas depois acabava apanhando dele.
Quando este cão SRD chegou, o paciente quis cruzar com ele.
Incomoda, irrita este cão, até que o mesmo reage, dando uns "para-te quieto" nele.
O paciente se dá bem com o outro cão da casa, Pastor Alemão, de cinco meses de idade.
Antes do cão SRD chegar, já tinha mordido os donos.
Na rua, passando cachorro grande, "fica na dele", às vezes recua, senta.

* Agitação.

Excessiva agitação no começo; os donos nunca conseguiram fazer com que ficasse no colo, para que pudessem fazer carinho nele.

* Ciúme.

Se os donos entrarem em contato com os outros cachorros, fica "louco", "doente" e grita excessivamente. É muito ciumento. Proprietários relatam que vivencia "crises existenciais" por causa disso.

* Rotina.

Gosta mais de ficar na rua do que dentro de casa.
Não fica sozinho: quando proprietários não estão, fica com a mãe do dono.

* Adestramento.

O primeiro dia de adestramento foi um "horror". Não aceitou a autoridade do treinador, o encarava, não cedeu em nenhum instante.
Mordeu o treinador diversas vezes; é muito rápido.
Durante o treinamento, teve um período em que ficou mais tranquilo, deixando até que fosse tosado.
Os proprietários observaram que voltava mais "atacado" do treinamento e, por isso, desistiram do adestramento (estavam programadas trinta aulas, sendo executadas apenas a metade delas).

* Tremores.

Nos últimos dias está mais nervoso, deita e treme. "É uma tremedeira só!". Parece semelhante a uma convulsão. Se "põe nos donos" (os agride), se estes chegam perto dele, neste momento. O paciente parece olhar para ponto vago, apresenta um "olhar perdido".
Os tremores ("tremedeira") iniciaram há uma semana. Ocorreram vários episódios (os donos viram pelo menos quatro).

* Sono.

O sono é meio agitado. Rosna, às vezes "dorme de olho aberto", "sonha".

* Clima.

É mais sensível ao calor do verão.
Em dias de chuva, vai na rua só para fazer xixi.

* Apetite.

Não come a refeição completa; come um pouco e sai; depois volta.
Só come quando tem vontade.
Gosta mais de pão do que qualquer outra coisa. Também gosta de doces.
Ao tomar leite, apresenta vômitos e diarréia pastosa.
Come muita grama.

* Otite Crônica.

O problema iniciou após o primeiro banho, em torno de um mês após ser adotado. Melhorou, depois piorou novamente.
Apresenta dor de ouvido.
Os dois ouvidos são afetados, mas, principalmente, o ouvido esquerdo. Ouvidos apresentam secreção escura. Diagnóstico de sarna otodécica.
Otite piorou há um mês. Levaram ao Médico Veterinário que trabalha com a Medicina Clássica, mas não conseguem medicá-lo, por sua agressividade.

* Outros.

Apresenta gases fétidos, esporadicamente.
Faz xixi pela casa e na sua cama.
Apresentou reação ao ser vacinado (Anti-rábica e Polivalente Canina): inchaço em todo o corpo no mesmo dia, além de muita sonolência; foi medicado e melhorou.

CONSIDERAÇÕES

Desenvolvi a análise do caso baseado na totalidade sintomática característica do paciente, enfatizando a questão da agressividade. Em Homeopatia, os sintomas são fundamentais para a abordagem, compreensão e tratamento do indivíduo doente, servindo, ainda, de parâmetro para a avaliação de sua evolução. Quanto mais detalhes e minúcias encontrarmos a respeito dos sintomas do paciente que estamos estudando, maiores subsídios teremos para compreendê-lo, aumentando a probabilidade de que a evolução seja satisfatória.

Efetuei a repertorização do paciente, com posterior estudo comparativo dos sintomas apresentados pelo mesmo e os sintomas dos medicamentos com melhor pontuação na repertorização, pelo estudo em diversos livros de matéria médica homeopática. Após profunda e criteriosa análise, optei por um único medicamento, que, no meu entendimento, estaria mais adequado ao tratamento do paciente. Ou seja, a totalidade sintomática despertada por este medicamento, em indivíduos saudáveis (sintomas compilados em matérias médicas homeopáticas) seria a mais semelhante ao conjunto de sintomas apresentado por este paciente.

OBSERVAÇÕES

A Homeopatia possui uma concepção diferenciada, em termos de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e cura. Por isso, adotei o critério de não revelar o medicamento prescrito ao paciente, a fim de evitar induções equivocadas. Sempre é necessário ressaltar que o tratamento homeopático deve ser específico para o indivíduo doente, não para a doença que ele apresenta, seja de ordem física ou comportamental (como é o caso deste paciente), levando-se em consideração a sua unidade (o doente é concebido como um todo indivisível) e individualização, pois cada paciente deve ser abordado e compreendido como um ser único, original e exclusivo. Portanto, cada caso é um caso diferente, autêntico e inédito. Samuel Hahnemann, criador da Homeopatia, no parágrafo 6 do Organon da Arte de Curar, fala em "Observador imparcial, livre de preconceitos". Jame Tyler Kent afirma que "É muito importante para o homeopata estar livre de preconceitos, pois, desta maneira, evita obstáculos que o impeçam de raciocinar, sendo necessário evitar outras opiniões, pois estas opiniões confundem e desfiguram a compreensão dos casos, sendo que, quanto maior a autoridade científica possua o homeopata, menor será o seu preconceito" (KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986, p. 47). Sem Preconceito, neste caso, refere-se ao fato de o homeopata, ao atender um paciente, sempre considerá-lo único e inédito, não deixando-se influenciar por outros casos semelhantes e/ou possuidores de patologias com o mesmo diagnóstico clínico clássico, que, porventura, já tenha atendido anteriormente. Considero ser este o verdadeiro caminho da arte de curar pela Homeopatia, para que possamos alcançar o mais alto grau de excelência em nosso trabalho.

Também adotei o critério de omitir os sintomas repertorizados. Tenho a opinião de que a Homeopatia é uma arte e que o tratamento estabelecido para cada paciente estará de acordo com o conhecimento e a experiência que o homeopata possua. Portanto, considero que a compreensão de cada paciente é muito individual, estando de acordo com o histórico, o estudo (ou seja, a metodologia empregada, tendo por base determinada escola homeopática) e a prática de cada profissional. Em mais de duas décadas de estudo, pesquisa e experiência clínica em Homeopatia, venho desenvolvendo e aprimorando uma metodologia própria, sendo a mesma que empreguei no estudo para avaliar a eficácia da Homeopatia em caninos e felinos, que realizei durante 8 anos, com resultados altamente satisfatórios. Demonstro, na prática, os fundamentos desta metodologia, através da apresentação de diversos estudos de casos clínicos, alguns, inclusive, em vídeo, no Curso que disponibilizo: "Uma nova visão sobre Homeopatia - proposta de metodologia para uma Homeopatia eficaz".

Esta metodologia própria que utilizo não nasceu por soberba ou vaidade, mas pela mais autêntica necessidade, até pela consciência que tenho de minhas dificuldades e limitações (assim como cada um de nós, seres humanos, também apresenta as suas). É a forma que encontrei de me sentir mais à vontade, com mais condições e encontrando mais facilidade para desempenhar meu trabalho, a fim de alcançar as metas estipuladas, com mais segurança e eficácia. Na verdade, tudo foi ocorrendo muito naturalmente, sem pressão ou atropelos, pois sempre procurei ser muito metódico ao estudar o caso de cada paciente, tendo por finalidade proporcionar ao mesmo saúde, bem-estar e qualidade de vida. Tenho por característica priorizar sempre a qualidade em meu trabalho e a consistência de resultados, mesmo que isso acarrete em uma menor velocidade, com os objetivos sendo alcançados em médio ou longo prazo. Talvez, isso resuma a minha atuação, nestes quase um quarto de século de dedicação ao estudo e trabalho com Homeopatia em Medicina Veterinária, pois sempre considerei uma responsabilidade muito grande estar imbuído da faculdade de tratar e curar os nossos animais. Costumo brincar que o meu maior defeito, a teimosia, também seja a minha maior virtude, a persistência. Decidi estudar Medicina Veterinária não por status, dinheiro ou falta de alternativa, mas porque sempre gostei e me identifiquei com os animais, tratando-os com carinho, respeito e compaixão. E, posteriormente, me especializei em Homeopatia justamente por não me conformar que tantos seres puros e indefesos sejam condenados em diversos sentidos, ou por esgotarem-se os recursos terapêuticos da Medicina Clássica ou, até mesmo, por falta de compreensão, por parte de nós, seres humanos, que os nossos grandes amigos animais também possuem inteligência, sentimentos e emoções. Condenar um animal à eutanásia, seja por qual motivo for, sempre me causou grande revolta, indignação e repugnância. Confesso que não consigo lidar de forma racional com isso! Até porque, na minha opinião, condenar um animal à morte não tem nada de racional! Mas existem outras formas de condenação, como sujeitar um animal a levar sua existência acometido por determinada doença, comprometendo a sua qualidade de vida. Por isso, a minha opção em estudar a Homeopatia, para ajudar os nossos queridos amigos animais a terem uma vida mais digna, saudável e de qualidade. Sem falar na possibilidade de salvá-los de uma morte prematura e irracional.

EVOLUÇÃO

Dez dias após à administração da primeira dose do medicamento, recebi um telefonema da proprietária, que me fez o seguinte relato: "Ficamos muito surpresos! Administramos o medicamento em seu pote de água à noite e no outro dia parecia que tinham trocado o cachorro: não era mais o mesmo cão. Ele mudou completamente, não mordeu mais, ficou dócil, carinhoso. A evolução está 'super-positiva'. Estamos espantados! Ele 'roubou' uma comida, coisa que não fazia. Começou a brincar, parece ter voltado à infância!".

SEGUNDA AVALIAÇÃO: Outubro de 2000 (três meses após à Primeira Avaliação).

Relato da evolução do paciente quanto aos seguintes aspectos:

* Agressividade.

Em geral, diminuiu bastante a agressividade.
Não mordeu mais forte, não machucou mais; agora só faz "advertência".
Mordiscou de leve o dono em duas ocasiões: primeiro pediu colo, depois o mordeu; e, outra vez, quando o seu dono abriu a porta.
Em uma ocasião, mordiscou o dedo da dona, que o colocou de castigo; depois, foi encostando-se na dona (como se arrependido, tentando "fazer as pazes").
Obs.: É importante salientar que estes acontecimentos, além de representarem um número bastante inferior ao que ocorria antes do tratamento, evidenciaram um grau de agressividade bastante atenuado, por parte do paciente. Antes, ele mordia seguidamente e machucava muito. Após o tratamento, ocorreram apenas estes episódios esporádicos, sob forma de "mordiscadas" (sem apertar os dentes, nem machucar os donos), como se fosse uma "advertência".
Não tenta mais pegar a mão. Agora, quando pode, tenta pegar o tênis ou sapato, mais como um "alerta de advertência, sem machucar". É como se dissesse: "Cuidem-se!"
Ocorreram ocasiões em que coçava e rosnava com ele mesmo.
Quando é contrariado é que se "ataca", resmungando, às vezes com ele mesmo.
Os donos já sabem como será o seu humor durante o dia, conforme a sua primeira reação, ao acordar de manhã.
Sua reação é imprevisível: às vezes se roçando no dono e, de repente, fica "duro", tenso; isto é um sinal de que está ficando brabo.
No início, ficou bem tranquilo, dócil, amistoso. Depois, regrediu um pouco, ficou um pouco mais "atacado".
Colocaram "enforcador" para levá-lo ao Veterinário, mas não conseguiram tirar o mesmo; o "enforcador" teve que cair sozinho.
Antes, se ele rosnava, seu dono ficava brabo também; agora, dono brinca com ele e aí ele também brinca.
Antes do tratamento, o paciente não aceitava a presença de estranhos; agora, está aceitando.
Não roeu, nem destruiu mais os seus panos, nem a bolinha, com a qual brinca.
Segundo os proprietários: "Ele acalmou muito, não dá para comparar!".
Obs.: Durante esta Segunda Avaliação, o paciente estava em outro local da casa, quieto; donos o trouxeram para a sala, onde estávamos e, no início, estava bem agitado, subindo no sofá para ficar junto com a dona, no seu colo. Sempre agitado. Por duas ou três vezes foi até onde eu estava sentado, me cheirar (lembrando que, na Primeira Avaliação, nem chegou perto de mim e ficou rosnando o tempo todo).

* Relação com os Proprietários.

Nos dias seguintes à administração do medicamento homeopático, apresentava-se mais "dorminhoco" e afetuoso; lambia os donos e aceitava o carinho destes; foi para o colo dos donos.
Começou a brincar; chora quando vê a dona. Antes, era "mais na dele", indiferente. Agora está mais apegado aos donos, afetuoso.
Em uma oportunidade, "roubou" um doce e fez "festa" para todos.
Se donos vão medicá-lo, faz um "drama".
Brinca com bolinha; dona usa deste recurso para convencê-lo.
Apresenta medo que o toquem com a mão; se for com o pé, aceita sem problemas.
Aceita que ponham a mão por baixo, com cuidado; por cima, não aceita.
Após a tosa, ficou mais sociável, acessível; antes, nem conseguiam penteá-lo.
Avaliam que o seu problema maior é com o dono.
Tentou dormir ao lado do dono, quando este fingiu dormir no sofá (não fazia isso há muito tempo).
Suspeitam que ele não enxerga direito, só reconhecendo os donos ao cheirá-los (esta é uma suposição dos proprietários).
Chora, pede para ficar junto com os donos.
Faz festa, vai para o colo da dona.
Está feliz, alegre!

* Otite Crônica.

A Otite melhorou (sem nenhuma outra medicação). Mas, às vezes, sacode a cabeça.

* Tremores.

Tremores, à semelhança de convulsões, continuaram ocorrendo, mas em menor grau.
Grita, esconde-se, apresenta tremores; parecia perder o controle, como se fosse uma convulsão, com os olhos parados.
Depois de um certo dia, não quis ir mais para a rua, de manhã; notaram que, nesse periodo, ocorriam as crises.
Parece não enxergar as pessoas, não olha para elas; olha para um canto vazio; se passar por ele, rosna, treme.
Sacode as orelhas, parece "chicote". Ocorre um "estremecimento" do corpo, da cabeça para a cauda, chegando a levantar as pernas.
Os proprietários relatam que, apesar disso, os tremores diminuiram bastante. Antes do tratamento, duravam o dia inteiro. Agora, duram de trinta minutos a uma hora. Antes, assemelhavam-se mais a convulsões; agora, parecem só um "chilique".

* Outros.

Se alguém chega perto dele ou excita-se com algo, vai comer, volta e vai comer de novo.
Apetite aumentou: quando excitado, vai comer; antes não fazia isso.
Gosta mais de pão e bolachinha.
Come todos os dias uma folha de uma planta do quintal da casa.
Não teve mais diarréia.
Donos avaliam que está muito ciumento.
A relação com o cão SRD da casa, melhorou; já toleram-se mais.
Diminuiram os episódios de urinar pela casa.
Passou a tomar mais água.
O nariz ficou úmido; antes, era seco.
Não gosta mais de ficar sozinho; antes, não se importava.
Sobe e desce a escada com três patas; nunca apóia o membro posterior direito. Mas corre normalmente, com as quatro patas.
Durante a primeira parte esta avaliação, estava quieto em outro local da casa. Se isto ocorresse antes do tratamento, estaria latindo.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A EVOLUÇÃO

O paciente apresentou diversas melhoras, além de muito rápidas também, o que surpreendeu bastante os proprietários.
Diminuiu de forma muito significativa a sua agressividade, tanto qualitativa, quanto quantitativamente. Demonstrou atitudes agressivas somente em casos isolados. E, quando isto ocorreu, sucedeu-se de uma forma mais branda: antes, mordia e machucava; após o tratamento homeopático, passou apenas a mordiscar, sem machucar, como se fosse um sinal de advertência.
Passou a ser menos autoritário e menos intolerante à contradição. Os donos passaram a conseguir utilizar estratégias para convencê-lo (principalmente sob forma de brincadeiras), o que seria inconcebível antes do tratamento.
Ficou mais afetuoso com os donos e a brincar mais com eles.
Aceitou mais as pessoas estranhas.
Não destruiu mais os panos de sua cama.
Diminuíram significativamente os episódios de urinar pela casa.
Passou a ser bem mais fácil de lidar com ele.
Ficou mais alegre e feliz.
Os sintomas da otite melhoraram significativamente.
Os tremores diminuiram em grau de intensidade e tempo de duração.
Melhorou sua relação com o outro cão da casa.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A AGRESSÃO EM CANINOS

De acordo com Horwitz & Neilson, em "Comportamento canino & felino", a agressão em caninos dirigida a pessoas familiares, também chamada de agressão de dominância, agressão relacionada a status e agressão competitiva ou por conflito, costuma acontecer em circunstâncias relacionadas a acesso a atitudes preferidas, interações, como afagar, mover, manipular e repreender o animal ou afastar objetos do mesmo. Determinados casos podem ser impulsivos e imprevisíveis, com consequências graves e lesivas. Em geral, este tipo de agressão está associada a ansiedade subjacente, conflito e má comunicação ou ausência de regras transparentes entre o proprietário e o animal durante o contato social. Alguns cães podem sofrer prejuízos em relação à comunicação, interpretando equivocadamente os sinais de seres humanos, fazendo-os responder de forma agressiva. A agressão também pode ser intensificada por repreensões e castigos físicos. A terapêutica inclui em priorizar a segurança de seres humanos, prevenindo ferimentos, técnicas de manejo e de modificação comportamental, dieta, castração e terapia com drogas. Quanto a este último item, de acordo com as autoras, "Não há medicamentos licenciados para o tratamento da agressão canina. Existem poucos trabalhos publicados. O único estudo controlado, duplo-cego, com placebo sobre medicação para agressão por dominância, mostrou um forte efeito do placebo e nenhuma diferença entre este e a medicação em relação a reduzir comportamentos agressivos. Os proprietários devem estar cientes de que o uso de um medicamento é extrabula" (HORWITZ & NEILSON, 2008). Ainda de acordo com as autoras, nunca devem ser utilizados medicamentos sem ocorrer modificação comportamental, sendo que a medicação apenas diminuirá a intensidade e/ou frequência das respostas agressivas, mas não fará com que desapareçam inteiramente. As medicações serotoninérgicas, como Clomipramina e Fluoxetina, possuidoras de diversos efeitos colaterais, são indicadas para situações com prologada exposição inevitável a estímulos desencadeantes, podendo levar até 4 semanas para ter eficácia. Além disso, a medicação deve ser mantida por vários meses, até a obtenção de sucesso com o tratamento, com o animal apresentando uma resposta comportamental adequada e satisfatória. (Cf. HORWITZ, Debra F. & NEILSON, Jacqueline C. Comportamento canino & felino. Porto Alegre, Ed. Artmed, 2008, pp. 62-72).

CONCLUSÕES

Considero este caso extremamente elucidativo, em diversos aspectos, pois nos ensina muitas coisas, inclusive desmistificando alguns tabus relacionados ao tratamento pela Homeopatia e quebrando diversos paradigmas.

* A ação do medicamento homeopático pode ser extremamente rápida.

Um dos grandes mitos relacionados ao tratamento homeopático é que os resultados são muito lentos, sendo os medicamentos administrados em "doses homeopáticas". A evolução extremamente rápida deste paciente, em que foi utilizada uma única dose do medicamento homeopático, ocorrendo uma melhora monumental, literalmente, "da noite para o dia", evidencia que a evolução do tratamento pela Homeopatia pode ser extraordinariamente célere. Mas, para isso, devem ser respeitados alguns fatores essenciais, como a semelhança entre sintomas (doente/medicamento), elegendo-se o medicamento o mais semelhante possível ao quadro apresentado pelo paciente (ou seja, o seu "simillimum"), além da dinamização mais adequada possível. Também deve-se levar em consideração o caráter genético e hereditário do paciente, com suas predisposições; o seu estado de higidez orgânica; fatores ambientais que poderiam dificultar uma evolução adequada; procedência e conservação do medicamento homeopático; além de fatores idiossincrásicos inerentes ao paciente em questão.

* A ação do medicamento homeopático não ocorre devido ao efeito placebo.

Por não encontrar explicações que satisfaçam o paradigma mecanicista cartesiano, em que está fundamentada, a ciência médica clássica atribui ao efeito placebo a única explicação plausível para a ação do medicamento homeopático, justificando, dessa forma, a evolução positiva e os casos de cura do tratamento pela Homeopatia. Efeito placebo consiste em uma melhora atribuída a uma ação psicológica em relação à expectativa proporcionada pela administração de uma determinada substância, destituída de valor terapêutico. São os casos de auto-sugestão, em que o doente apresenta melhoras por acreditar no tratamento instituído, mas a substância medicamentosa ingerida é inerte. E isto pode ocorrer em seres humanos. Entretanto, partindo-se da premissa de que os animais não teriam plena consciência de que estão sendo tratados, eles não seriam suscetíveis ao efeito placebo. O paciente deste caso, um canino portador de um quadro de agressividade direcionada aos seus proprietários, apresentou uma melhora espetacular após algumas horas da administração de uma única dose do medicamento homeopático bem indicado para trata-lo. Não sendo ele passível de apresentar uma melhora por auto-sugestão ou por acreditar no tratamento instituído, pois, em princípio, não sabia e muito menos tinha a consciência de que estava sendo tratado, conclui-se, categoricamente, que o medicamento homeopático possui valor terapêutico, com a sua ação não ocorrendo em função do efeito placebo.

* A ação bioquímica e molecular da farmacologia clássica não explica o modo de ação dos medicamentos homeopáticos.

Os medicamentos homeopáticos são produzidos por sucessivas diluições e sucussões, processo chamado de dinamização ou potencialização, por aumentar, em princípio, o potencial terapêutico da solução final. A escala de dinamização mais utilizada é a CH, ou seja, Centesimal Hahnemanniana, que foi o método empregado pelo criador da Homeopatia, Samuel Hahnemann, para produzir os medicamentos administrados aos seus pacientes. Nesta escala, parte-se de uma substância em dose ponderal, diluída em 99 partes de um solvente (normalmente, utiliza-se uma solução hidroalcoólica), passando esta solução, ainda, por um processo de sucussão, por 100 vezes. O resultado desta preparação, determinada substância na 1CH, é submetido ao mesmo processo, originando o medicamento homeopático 2CH. E assim, sucessivamente. É importante notar que, apesar de inúmeras observações evidenciarem que o aumento gradativo das dinamizações implica em um incremento no potencial terapêutico, concomitantemente o número de moléculas da substância inicial diminui drasticamente. Até que, a partir de uma determinada dinamização, por volta da 12CH, de acordo com o Número de Avogadro, não existiriam mais moléculas da substância original, mas apenas moléculas do solvente, ou seja, água e álcool. Dessa forma, de acordo com o modelo bioquímico e molecular da farmacologia clássica, este medicamento homeopático não possuiria nenhum valor terapêutico, por não conter mais nenhuma molécula da substância inicial. Portanto, qualquer efeito terapêutico provocado por esta substância, administrada em qualquer paciente, poderia ser explicado, única e exclusivamente, pelo efeito placebo, já mencionado anteriormente. Entretanto, já discutimos que o efeito placebo não ocorre em animais, pelos mesmos não possuírem, em princípio, plena consciência de que estão sendo tratados. Um outro detalhe importantíssimo no tratamento deste nosso paciente canino, apresentando um quadro de agressão contra seus donos: o medicamento homeopático utilizado, apresentando uma resposta extremamente rápida e espetacular, foi dinamizado na 200CH. Ou seja, mais de 16 vezes acima do que seria o limite da matéria, em que ainda existiriam moléculas da substância original. Portanto, a evolução deste caso demonstra, peremptoriamente, que não há nenhuma possibilidade de que a ação do medicamento homeopático ocorra devido a um efeito bioquímico e molecular, que é o modelo farmacológico clássico. Assim, deve-se buscar outras explicações para a ação dos medicamentos homeopáticos. Uma hipótese possível, consiste que o medicamento homeopático contenha um campo eletromagnético, proveniente da substância que lhe deu origem. Dessa forma, sua ação seria informacional, através de ondas eletromagnéticas oscilando em frequências específicas, hipótese fundamentada em conceitos estabelecidos pela Física moderna, especialmente, a teoria quântica, e também pelo eletromagnetismo clássico. Para saber mais sobre este tema, sugerimos a leitura de "Alguns comentários sobre a ação do medicamento homeopático".

* A Homeopatia trata o doente, não a doença.

A Homeopatia apresenta uma concepção diferenciada, pois o seu objetivo não é tratar doenças, conforme estamos acostumados a concebê-las, mas tratar o indivíduo doente. E isto vale, especialmente, para quadros crônicos, incluindo os distúrbios de comportamento. Considero ser este o grande diferencial do tratamento pelos semelhantes, beneficiando e curando pacientes em que o tratamento clássico apresenta resultados parciais e insatisfatórios. Além disso, o tratamento de distúrbios comportamentais em animais é um dos grandes campos de ação da Homeopatia. Entretanto, para alcançarmos um alto grau de eficácia no tratamento destas condições, necessitamos respeitar esta concepção diferenciada, pois o tratamento deve ser específico para o doente, não para a doença. Inclusive, o desrespeito a esta condição básica, é um grande fator de insucesso, tanto na prática clínica quanto no trabalho de pesquisa em Homeopatia. Este caso que estamos analisando, corrobora o conceito fundamental de que é preciso fazer um profundo e minucioso estudo da totalidade dos sintomas do doente, visando a sua individualização, para que possamos obter resultados altamente satisfatórios em nosso trabalho, demonstrando que é possível proporcionarmos um alto grau de eficácia através do tratamento pela Homeopatia, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas e que ela seja praticada por profissionais sérios e plenamente capacitados.

* A Homeopatia proporciona excelentes resultados em pacientes caninos portadores de distúrbios comportamentais.

A resposta rápida e consistente ao tratamento homeopático instituído, por parte deste paciente, não deixa nenhuma dúvida de que o tratamento pelos semelhantes apresenta um enorme potencial no que tange ao tratamento de problemas relacionados ao comportamento de cães. Entretanto, como já frisamos anteriormente, alguns fatores básicos devem ser considerados, como o respeito à diferente concepção de saúde e doença em Homeopatia.

* O sucesso do tratamento homeopático em caninos apresentando agressividade proporciona aumento da segurança em pessoas e evita o abandono e a eutanásia de cães.

Problemas relacionados ao comportamento, entre os quais, destaca-se a agressão, são preponderantes para o abandono de cães. Nos EUA, estima-se que apenas 38% dos proprietários mantenham seus cães de estimação a longo prazo, levando à rejeição e ao descarte anual de milhões deles (BEAVER, 2001). Nos casos de agressão, de acordo com Horwitz & Neilson, a segurança das pessoas deve ser prioritária: "Prevenir ferimentos em humanos deve ser a primeira preocupação. Os proprietários devem estar cientes de que a única maneira de evitar futuras lesões é a eutanásia" (HORWITZ, Debra F. & NEILSON, Jacqueline C. Comportamento canino & felino. Porto Alegre, Ed. Artmed, 2008, p. 65). Estima-se que a agressão dirigida a pessoas, ocasionada por mordidas, seja responsável pela eutanásia de 1,5 milhão de cães anualmente, nos Estados Unidos (VERSIGNASSI et. al. 2009). No entanto, a evolução extremamente rápida e positiva deste caso, um canino apresentando agressividade contra seus donos, demonstra que a eutanásia não é a única maneira de evitar novas lesões e ferimentos em pessoas, devido às agressões de seu cão. Assim sendo, a Homeopatia apresenta-se como solução viável e altamente eficaz para o tratamento de pacientes caninos apresentando agressividade, o que poderia evitar o abandono e a eutanásia de milhões de cães anualmente, em todo o mundo.

* O tratamento de cães agressivos pela Homeopatia apresenta ampla vantagem, em comparação ao tratamento convencional.

Segundo Horwitz & Neilson, não há estudos demonstrando a eficácia da terapia com drogas para o controle da agressão canina. A medicação indicada pela abordagem clássica, apresentando diversos efeitos colaterais, poderá levar até 1 mês para ter eficácia, devendo ser mantida por vários meses, até que o animal apresente uma resposta comportamental adequada e satisfatória. Além disso, este medicamento, proveniente da farmacologia clássica, somente diminuirá a intensidade e/ou frequência da agressividade, mas não fará com que a mesma desapareça totalmente. Por outro lado, o medicamento homeopático específico para tratar este paciente, obtido após um complexo, exaustivo e meticuloso estudo dos sintomas apresentados pelo mesmo, sendo isento de qualquer efeito tóxico ou colateral, proporcionou uma resposta rápida (apenas poucas horas após a administração da primeira dose), duradora (a reavaliação, 3 meses após, demonstrou que o paciente permanecia estabilizado) e eficaz, pois não ocorreram mais episódios significativos de agressão deste paciente canino contra os seus donos. E isto vem de encontro ao que preconiza Samuel Hahnemann, no parágrafo 2, do Organon: "O ideal máximo da cura é o restabelecimento rápido, suave e duradouro da saúde (...) da maneira mais curta, segura e menos nociva.", pois "A mais alta missão do médico (humano e veterinário) é restabelecer a saúde (física e mental) dos doentes, que é o que se chama curar" (Hahnemann, Samuel. Organon da Arte de Curar. & 1).


BIBLIOGRAFIA

BEAVER, Bonnie V. Comportamento Canino. Um Guia para Veterinários. São Paulo, Ed. Roca, 2001.

HAHNEMANN, Samuel. Organon da Arte de Curar. 6ª Ed. São Paulo, Ed. Robe, 2001.

HORWITZ, Debra F. & NEILSON, Jacqueline C. Comportamento canino & felino. Porto Alegre, Ed. Artmed, 2008.

KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986.

VERSIGNASSI, A. et al. Humano. SuperInteressante, ed. 263. São Paulo, Ed. Abril, março/2009, p. 63.



Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br

CONTATO: celsopedrini@terra.com.br