ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO



ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO



Celso Affonso Machado Pedrini *


* Médico Veterinário

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RESUMO

O desconhecimento e a falta de compreensão quanto ao mecanismo de ação do medicamento homeopático constitui-se em importante fator para que a Homeopatia sofra grande resistência por parte da ciência médica clássica.

Um grande obstáculo para a aceitação da Homeopatia, como ciência, reside na utilização de substâncias ultradiluídas, o que contraria o clássico modelo bioquímico e molecular. Entretanto, algumas teorias defendem a possibilidade da permanência de uma informação relacionada à substância original, mesmo em soluções que tenham ultrapassado o limite molecular.

O estudo dos fenômenos atômicos demonstra que, em última instância, tudo o que existe é constituído por campos eletromagnéticos. Assim sendo, a comunicação nos sistemas biológicos, e destes com o meio exterior, ocorre através de sinais eletromagnéticos em diferentes frequências.

O conhecimento científico estrutura-se nos modelos utilizados. Talvez seja necessário utilizar-se um novo paradigma, para que haja uma melhor compreensão a respeito da ação do medicamento homeopático.

Um outro modelo poderia consistir em conceber-se a doença não apenas como alterações estruturais e moleculares, mas, também, apresentando um campo eletromagnético anômalo. Dessa forma, a semelhança entre os sintomas do doente e os sintomas que determinada substância desenvolve em indivíduos saudáveis, fundamento básico do sistema terapêutico homeopático, corresponderia à semelhança entre os seus respectivos campos eletromagnéticos. A informação transmitida pelo medicamento homeopático poderia constituir-se em uma frequência guia, com o objetivo de corrigir o campo eletromagnético patológico, hipótese que é corroborada por conceitos inerentes ao eletromagnetismo clássico, restabelecendo, assim, a saúde do indivíduo doente.


INTRODUÇÃO

Embora venha apresentando resultados bastante satisfatórios em mais de duzentos anos de existência, no sentido de contribuir decisivamente para o restabelecimento da saúde dos pacientes, a Homeopatia ainda sofre uma grande resistência por parte da ciência médica clássica, no sentido de ser aceita como um sistema terapêutico incorporado à prática clínica rotineira. Não são raros os casos de discriminação, ridicularização e até perseguição de profissionais que atuam nessa área, sejam médicos, médicos veterinários, farmacêuticos ou odontólogos.

Na nossa opinião, existem dois motivos principais para que isso ocorra. Um deles refere-se à concepção de saúde e doença em Homeopatia, totalmente diferenciada da medicina convencional. Além disso, por possuir um corpo teórico específico, portador de conceitos e fenômenos intimamente atrelados a tal concepção, a Homeopatia acaba tornando-se desconhecida, estranha e não compreendida pela grande maioria que, em vista disso, acaba por desprezá-la e/ou rejeitá-la. O outro fator refere-se ao desconhecimento e falta de compreensão quanto ao modo de ação do medicamento homeopático, sendo esta a principal justificativa para que a Homeopatia seja colocada à margem da medicina tradicional.

O presente artigo trata justamente deste ponto nevrálgico e polêmico do universo homeopático, objetivando refletir sobre informações e conceitos oriundos de diversas áreas, tais como eletromagnetismo, física quântica, biologia, filosofia, pensamento sistêmico e complexidade, no sentido de apresentar uma proposta que tenha a capacidade (e, por que não, a pretensão) de explicar a ação do medicamento homeopático em indivíduos doentes, fundamentada em conhecimentos científicos reconhecidos e aceitos, que justifique a eficácia clínica da Homeopatia.


PARADIGMAS DA CIÊNCIA

Paradigma significa modelo, padrão. O paradigma científico reflete o agrupamento de valores e crenças de uma sociedade científica definida (CARILLO JUNIOR, 2008).

Os paradigmas construtivista e fenomenológico destacam-se na ciência contemporânea. O paradigma construtivista admite que a realidade possa ser vista de diferentes formas, onde o observador tem uma participação ativa na construção da realidade, objetivando procurar a concepção múltipla dos fenômenos, fundamentando-se em processos de associação e relação. Já o fenomenológico defende que existe uma realidade prévia e integral, em que o trabalho do observador consiste em revelar esta realidade pré-existente, sendo baseado numa metodologia positivista, onde deve-se provar experimentalmente os fatos da natureza e instaurar uma relação de causa e efeito entre eles, tendo por objetivo analisar a realidade para ter condições de generalizar, prognosticar e ter o controle sobre os fenômenos ambientais. A ciência médica que detém a hegemonia no mundo ocidental baseia-se neste último. (CARILLO JUNIOR, 2008).

A ciência clássica fundamenta-se no modelo mecanicista cartesiano, no positivismo e no determinismo. Isaac Newton (1642-1727) afirmou que toda a matéria é formada por objetos pequenos, sólidos e indestrutíveis, fundamentando o conceito de que o átomo é o responsável pela constituição material de tudo o que existe. René Descartes (1546-1642) instituiu o método do pensamento analítico, em que o todo poderia ser compreendido pela análise de suas menores partes. O determinismo defende que, se conhecermos plenamente as condições iniciais, poderemos fazer a previsão exata sobre qualquer evento. O positivismo defende que o verdadeiro conhecimento só ocorre através da ciência. A abordagem filosófica positivista, formulada por Karl Popper (1902-1994) e outros, considera que uma teoria científica é um modelo matemático que descreve e codifica o que é observado (HAWKING, 2002).

Ao discorrer sobre a importância do positivismo na ciência moderna, escrevendo o prefácio do livro "A Arte de Curar Versus a Ciência das Doenças: História Social da Homeopatia no Brasil", de Madel Luz (1996), Marcos Queiroz refere que: "Para se apresentar como um método legítimo de obtenção de conhecimentos, a ciência impôs a concepção ideológica positivista que, quando instituída entre os séculos XVIII e XIX, expressava uma concepção revolucionária, na medida em que contrapunha aos princípios teológicos e metafísicos os fatos e a razão como fundamentos da verdade. Segundo esta concepção, a procura pela verdade seria produzida através de uma atitude neutra e imparcial diante do objeto de conhecimento, livre e desinteressada, portanto, de qualquer influência social, econômica, política e cultural. A ciência justificaria a si mesma porque, a qualquer momento, poderia checar experimentalmente uma hipótese ou uma teoria. Essas seriam imediatamente descartadas, caso não se confirmassem pelos fatos, ao mesmo tempo que outras novas viriam a ser testadas. O conhecimento assim acumulado serviria para garantir um saber mais evoluído e avançado no futuro." Entretanto, a razão positivista colocou em um plano secundário algumas dimensões humanas, como sensibilidade, intuição e emoção. (LUZ, 1996).

Responsável pela Apresentação do livro "O Milagre da Imperfeição", do Prof. Dr. Romeu Carillo Junior (2008), o filósofo Luiz Carlos Machado traça um panorama dos paradigmas utilizados pela ciência contemporânea. Sendo determinista e reducionista, o conhecimento científico contemporâneo está baseado filosoficamente no positivismo, utilizando-se da pesquisa quantitativa como metodologia. Galileu Galilei (1564-1642) excluiu a qualidade da ciência ao afirmar que só os fenômenos que poderiam ser medidos e quantificados seriam designados de científicos, fundamentando, dessa forma, o pensamento preponderante na ciência moderna, em que a matemática aparece ocupando uma posição privilegiada. Desta premissa advém a concepção de que o conhecimento é representado pela quantificação, sendo que a metodologia científica deve atuar de forma a reduzir o que é complexo, pressupondo-se que os fenômenos naturais apresentem regularidade, podendo, assim, ser observados e quantificados com extrema exatidão. (CARILLO JUNIOR, 2008).

Entretanto, a indeterminação e a imprevisibilidade, características básicas de algumas teorias, como a quântica, a do caos e a das estruturas dissipativas, evidenciam que o nosso conhecimento científico atual é extremamente limitado para que possamos ter uma compreensão mais clara e precisa a respeito da natureza do mundo e do universo (CAPRA, 2001). Deste modo, torna-se impossível fazer uma previsão exata do que ocorrerá numa experiência, pois nunca acontece exatamente a mesma coisa, embora sob as mesmas condições, sendo que pode-se apenas estabelecer uma média estatística dos resultados (FEYNMAN, 2005).

Formulados a partir da interpretação de experimentos, todos os modelos ou teorias são aproximados, em função de não ser possível haver uma explicação da integralidade dos fenômenos naturais. Assim sendo, isola-se um determinado grupo de fenômenos e tenta-se construir um modelo teórico que descreva esse grupo, sendo que a validade de tal modelo estará na dependência da amplitude do espectro dos fenômenos observados, o que representa, consequentemente, uma limitação de qualquer teoria, que será invariavelmente aproximada. (CAPRA, 1985).

É importante também ressaltar que os resultados de uma experimentação científica são imprecisos e incompletos, pois sofrem uma interpretação, constituindo-se em uma abstração, ou seja, um mapa aproximado da realidade (CAPRA, 1985). Portanto, o que enxerga-se numa experimentação depende dos modelos teóricos utilizados, tendo por objetivo interpretar o que está sendo observado (GOSWAMI, 2003).

Conforme Luiz Carlos Machado, os modelos científicos devem ser compreendidos dentro de seu contexto histórico e cultural, sendo parciais e provisórios, próprios para o entendimento de certas frações de um cenário impossível de ser completamente compreendido, em função de sua complexidade (CARILLO JUNIOR, 2008).

Uma outra questão a ser considerada relaciona-se à imparcialidade de um experimento. Não é possível realizar uma experiência científica totalmente imparcial e livre de preconceitos, pois, mesmo de uma forma subliminar, o sujeito da experiência afetará o objeto e o resultado da mesma. Na física quântica, por exemplo: de acordo com John Wheeler, a resposta obtida numa experiência, como a questão referente à dualidade onda-partícula inerente ao elétron, dependerá da pergunta a ser feita, das características da montagem do experimento e do instrumento de registro escolhido. Dessa forma, o autor da experiência está inescapavelmente envolvido em fazer com que aconteça aquilo que parece estar acontecendo (GOSWAMI, 2003). Consequentemente, os resultados científicos obtidos sofrerão condicionamentos relacionados aos conceitos, pensamentos e valores atrelados ao padrão mental do pesquisador, evidenciando que o ideal clássico de objetividade científica não pode mais ser sustentado em um nível quântico (CAPRA, 1985). De acordo com Machado, comumente os modelos teóricos separam os elementos que o contrapõem, fazendo com que os pesquisadores seccionem as particularidades daquilo que observam e que, de uma forma constante, terminam por validar o seu modelo (CARILLO JUNIOR, 2008).

No entanto, de acordo com Marcos Queiroz, a razão positivista colocou todas as civilizações e culturas, bem como todos os conhecimentos e saberes, posicionados em relação ao saber científico produzido pela civilização ocidental moderna, considerada a mais evoluída. Valendo-se do contexto histórico que, a partir do Renascimento converteu o saber em um instrumento que tem por objetivo subjugar a natureza e os seres humanos, a medicina passou a surgir como uma ciência moderna, absorvendo o mecanicismo e o organicismo oriundos da física e da biologia, tornando-se uma instituição racional, onde não eram mais admitidas contestações a respeito das bases de seus conceitos. Possíveis erros seriam por conta da execução, jamais em função do método. (LUZ, 1996). Desta forma, em função de sua concepção de saúde e doença, frequentemente ocorre a transformação de suas hipóteses em um modelo biológico generalizado que aspira ser o único e genuíno; consequentemente, seus paradigmas determinam as suas opções terapêuticas, conclui Luiz Carlos Machado (CARILLO JUNIOR, 2008).

De acordo com Thomas Kuhn (1922-1996), o paradigma (ou seja, o modelo) é semelhante a um mapa que orienta e comanda a percepção, os questionamentos e a conduta do cientista frente ao que propõe-se conhecer. A utilização de um outro mapa, ou seja, um outro paradigma produziria uma realidade portadora de um aspecto distinto e, em consequência, uma outra ciência, afirma Queiroz, em relação ao conceito de paradigma de Kuhn. (LUZ, 1996).

E chegamos à questão proposta por Gregory Bateson (1904-1980): deve-se perguntar do que é feito ou qual é o seu padrão? Ou, quem sabe, ambos, já que estrutura e padrão de organização são inseparáveis. Compreende-se, agora, que estas questões são imprescindíveis, pois as respostas a elas geram paradigmas que consolidam a via da ciência. (CARILLO JUNIOR, 2008).

Talvez possamos concluir que os paradigmas que fundamentam o conhecimento médico e científico contemporâneo, representados pelo modelo mecanicista cartesiano, pelo positivismo e pelo determinismo, não possuam metodologias e instrumentalizações apropriadas, ou seja, o "mapa" ou a "lente" adequados para enxergar, interpretar e compreender a Homeopatia, enquanto sistema médico, dotado de um corpo filosófico e terapêutico específico, em função das limitações impostas por tais paradigmas.


TUDO O QUE EXISTE, SEJAM SERES VIVOS OU OBJETOS INANIMADOS, É COMPOSTO POR ÁTOMOS

A teoria dos fenômenos atômicos, objeto de estudo da física quântica, demonstra que os átomos que formam a matéria (ou seja, tudo o que existe), ao contrário de serem objetos sólidos e indestrutíveis, são constituídos, em sua maior parte, por um grande espaço vazio, região em que giram, em alta velocidade, os elétrons em torno de um núcleo, sendo que este, embora represente uma fração ínfima da totalidade do átomo, é responsável por praticamente toda a sua massa.

Estima-se que um núcleo atômico seja aproximadamente cem mil vezes menor do que o átomo todo. Entretanto, o núcleo contém quase toda a massa do átomo. Para se ter uma ideia do que este fato representa, se pudéssemos comprimir todo o corpo de um ser humano à densidade nuclear, o resultado seria inferior ao tamanho de uma cabeça de alfinete. (CAPRA, 1985).

Os elétrons movimentam-se no amplo espaço que existe entre os núcleos atômicos, constituindo uma pequeníssima porção da massa total, ainda que propiciem à matéria seu aspecto sólido, em consequência de seu caráter ondulatório. Os elétrons limitados a regiões restritas do espaço giram em alta velocidade (960 Km/seg.), sendo que é este fenômeno o responsável por fazer o átomo parecer uma esfera rígida e conceder o aspecto sólido à toda e qualquer tipo de matéria existente. (CAPRA, 1985).

A força de atração elétrica entre o núcleo atômico positivamente carregado e os elétrons negativamente carregados é a causa da ampla diversidade de estruturas e fenômenos em nosso meio ambiente. Assim sendo, a interação entre elétrons e núcleos atômicos é responsável pela totalidade das reações químicas e pela constituição das moléculas (associação de vários átomos), estabelecendo a base de todos os sólidos, líquidos e gases, bem como de todos os seres vivos e seus processos biológicos. (CAPRA, 1985).

Vemos que tudo o que existe, sejam seres vivos, seus órgãos, suas células ou objetos inanimados são formados por um arranjo de átomos. Portanto, os seres vivos são constituídos por átomos, sendo que a base da interação entre átomos é elétrica (o que implica, consequentemente, na presença de um campo eletromagnético). Todas as coisas, inclusive nós, seres humanos, constituem-se de partes positivas e negativas, em fortíssima interação e perfeitamente equilibradas. (FEYNMAN, 2005). Desta forma, cada átomo do corpo é um pequeno imã (dipolo magnético), cercado por um campo magnético, procurando alinhar-se com os dipolos vizinhos, formando grupos (MORETTO, 1978). As interações eletromagnéticas sobrevêm entre todas as partículas carregadas, respondendo pelos processos químicos e pela concepção de todas as estruturas de átomos e moléculas, constituindo, desta forma, todos os seres vivos e objetos inanimados existentes (CAPRA, 1985). Assim sendo, os seres vivos são dotados da propriedade de emitir um campo eletromagnético de baixa intensidade, numa banda de frequência que varia entre 1Hz a 10 quatrilhões de Hertz (BELLAVITE, 2002).


COMUNICAÇÃO NOS SISTEMAS BIOLÓGICOS

A informação é a chave em qualquer sistema biológico, tendo por objetivo a auto-regulação, a fim de proporcionar o restabelecimento e/ou manutenção da homeostase. Em função da comunicação entre átomos e moléculas ocorrer por intermédio de sinais eletromagnéticos, os organismos vivos aprenderam e tornaram-se capacitados a utilizar o eletromagnetismo como sinal de informação e comunicação entre células e tecidos. Em consequência, as informações nos sistemas vivos são transmitidas por sinais e receptores: "Enquanto a visão clássica da biologia molecular se refere ao ingresso de uma molécula sinal em um local específico do receptor, a biofísica clássica demonstra que os receptores são sensíveis também aos campos eletromagnéticos" (BELLAVITE, 2002). Assim sendo, "Os processos de adaptação e de transferência de informação entre o organismo e o ambiente, e dentro do próprio organismo, estão ligados aos campos eletromagnéticos" (BELLAVITE, 2002).

Evidências de estudos sobre eletromagnetismo defendem a possibilidade de que os sistemas vivos respondam a campos magnéticos extraordinariamente débeis, sobretudo em determinadas frequências específicas. Deste modo, admite-se que interações eletromagnéticas ocorram de forma ampla e contínua nos organismos vivos, pois sinais eletromagnéticos de baixa frequência podem ser emitidos ou recebidos. Assim sendo, a modulação da frequência representaria um código de sinal digital, possuindo um caráter de informação, objetivando o controle e a regulação de todos os processos celulares. Consequentemente, sinais eletromagnéticos de diferentes frequências percorrem, de forma integral e ininterrupta, todo o ser vivo, representando, assim, uma rede de informações, tendo por finalidade controlar o mecanismo celular e manter a homeostase dos sistemas biológicos. (BELLAVITE, 2002).

Já que tudo o que existe é constituído por moléculas que, em última instância, são compostas por agregados de átomos, sendo que a interação entre elétrons e núcleos atômicos é elétrica, o que proporciona a todos os átomos (e moléculas) possuírem um campo eletromagnético em uma determinada frequência, é viável admitir que o medicamento homeopático, assim como tudo o que existe, é composto por moléculas (que, por sua vez, são compostas por átomos), possuindo, consequentemente, um campo eletromagnético em uma determinada faixa de frequência específica.

De acordo com Paolo Bellavite, em seu livro "Medicina Biodinâmica: a Força Vital, suas Patologias e suas Terapias" (2002): "No âmbito da medicina biodinâmica os fenômenos de tipo biofísico possuem uma grande importância. De fato, na realidade o físico e o biológico não se encontram separados; se, por um lado, temos a matéria, tangível e mensurável (átomos, moléculas, órgãos, fármacos e assim por diante), por outro lado, temos o aspecto dualístico desta, ou seja, o seu espectro oscilatório eletromagnético. O aspecto dualístico da matéria é uma lei natural, fundamento da física: a luz possui um caráter tanto de partícula como de onda. Cada substância possui seu espectro eletromagnético dependente do conjunto de oscilações que a constitui; cada substância interage com as ondas eletromagnéticas tanto de um modo inespecífico (por exemplo, transferência de energia térmica) como de um modo específico (interações baseadas na ressonância entre as 'janelas' especiais de frequência)." (BELLAVITE, 2002).

Partindo-se dessa premissa, a transferência de informações nos sistemas biológicos seria possível se a vibração eletromagnética coerente pudesse ser influenciada e modulada por forças externas (papel que poderia ser desempenhado pelo campo eletromagnético do medicamento homeopático, portador de uma frequência específica), de modo que determinado sistema biológico passasse a assumir àquela frequência indutora externa (representada pelo campo eletromagnético do medicamento homeopático, conforme o nosso exemplo). (BELLAVITE, 2002). Lembrando que nós, seres humanos (assim como outros mamíferos), somos compostos por cerca de 70-80% de água, a informação eletromagnética, representada pelo sinal proporcionado pelo medicamento homeopático, poderia ser transmitida pela água, atingindo, desta forma, todo o organismo. Neste caso, as moléculas de água dispostas em ordem seriam semelhantes a um fio condutor de uma corrente de cargas elétricas e, consequentemente, seus respectivos campos eletromagnéticos (BELLAVITE, 2002).


SEMELHANÇA

O medicamento homeopático age conforme o princípio da semelhança - "similia similibus curantur", ou semelhante cura semelhante. Ou seja, o medicamento homeopático possui a capacidade de curar no doente os mesmos sintomas que provoca em um indivíduo saudável. Deste modo, a totalidade sintomática característica do doente deverá coincidir com a imagem patogenética do medicamento (que torna-se conhecida pela ação da substância em indivíduos saudáveis). Assim sendo, deve haver uma ressonância específica entre o indivíduo doente e o medicamento homeopático.

É importante ressaltar que o medicamento homeopático agirá somente se houver semelhança, estabelecendo-se um estado de sintonia, já que o organismo doente está sensibilizado pela doença, apresentando sensibilidade elevada ao medicamento homeopático semelhante, que, desta maneira, terá condições de produzir o efeito terapêutico almejado (KOSSAK-ROMANACH, 2003).

Como vimos anteriormente, a comunicação nos sistemas biológicos acontece através de interações eletromagnéticas. Assim sendo, o campo eletromagnético do medicamento homeopático poderia servir como uma frequência guia, a fim de corrigir o campo eletromagnético do indivíduo doente. Entretanto, para que isso ocorra, deverá haver uma ressonância específica entre os campos eletromagnéticos do doente e do medicamento, ou seja, ambos devem estar em uma mesma frequência (ou, ao menos, em frequências muito próximas). Desta forma, havendo uma correlação de semelhança entre os campos eletromagnéticos do doente e do medicamento homeopático, o organismo doente apresentaria uma sensibilidade exaltada a este medicamento, que teria condições de influenciar e modular o campo eletromagnético inerente ao indivíduo doente.

Em relação ao princípio da semelhança, fundamento básico para compreender-se o modo de ação do medicamento homeopático, poderíamos concluir que a semelhança entre os sintomas apresentados pelo indivíduo doente e os sintomas desenvolvidos por um determinado medicamento em indivíduos saudáveis, poderia refletir a semelhança existente entre os campos eletromagnéticos exibidos pelo doente e pelo medicamento. Portanto, ambos, indivíduo doente e medicamento homeopático, seriam portadores de ondas eletromagnéticas com frequências semelhantes, sendo, dessa forma, possível haver a interferência externa proporcionada por dado medicamento, já que estaria estabelecido um estado de sintonia, havendo uma ressonância específica entre o indivíduo doente e o medicamento homeopático.


ULTRADILUIÇÕES

As doses imponderáveis são, comumente, uma causa de repúdio ao método homeopático pela classe médica, pois a partir de uma determinada dinamização, que seria por volta da 12CH, de acordo com o número de Avogadro, não existiriam mais moléculas da substância inicial, servindo de argumento contrário a atividade das altas dinamizações utilizadas pela Homeopatia (KOSSAK-ROMANACH, 2003). Deste modo, a principal contestação à utilização de ultradiluições que entram no campo "não-molecular", refere-se à questão das mesmas supostamente estarem em desacordo com o padrão biológico preponderante, representado pelo modelo bioquímico molecular. Dessa forma, numa preparação, como é o caso dos medicamentos homeopáticos, onde pouca ou nenhuma molécula de fármaco está presente, não se é capaz de justificar, baseado em conhecimentos farmacológicos contemporâneos, a forma com que essas soluções ultradiluídas teriam a capacidade de realizar algum efeito. (BELLAVITTE, 2002).

Por contradizer o modelo bioquímico molecular, os principais argumentos que justificam a preservação de sinais da substância inicial em dinamizações elevadas tem origem na Física (KOSSAK-ROMANACH, 2003), já que o efeito terapêutico curativo do medicamento homeopático ocorre, mesmo que não hajam mais moléculas da substância original (GERBER, 1999).

Embora a Homeopatia encontre o principal obstáculo para o seu reconhecimento científico na utilização de medicamentos em ultradiluições, o fato de ainda não se ter encontrado uma explicação irrefutável para o mecanismo de ação do medicamento homeopático não constitui-se em justificativa aceitável para que seja abolido o seu caráter científico, em função de que sua eficácia vem sendo comprovada na prática clínica e em estudos clínicos controlados. Tanto por sua fundamentação teórica como por sua eficácia clínica comprovada, pode-se considerar a Homeopatia como uma ciência, uma ciência fenomenológica, já que esse fenômeno comprovado de forma empírica permanece sendo verdadeiro, não importando se há o conhecimento ou não a respeito da explicação teórica sobre o mecanismo de ação do medicamento homeopático. (BELLAVITE, 2002). Obs.: sugere-se a leitura de "Estudo da eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos", deste mesmo autor.


A ÁGUA POSSUI A PROPRIEDADE DE ARMAZENAR INFORMAÇÕES

Uma das possíveis explicações para o efeito biológico e terapêutico das substâncias ultradiluídas, que chegam a ultrapassar o limite molecular, pois já não possuiriam nenhuma molécula do composto original, consiste em creditar à água a capacidade de constituir-se em uma via de comunicação biológica. Caso esse fenômeno seja confirmado e aceito, representaria o reconhecimento da farmacologia homeopática. (BELLAVITE, 2002).

Admitindo-se a ausência de moléculas da substância medicamentosa a partir da dinamização 12CH, aventa-se a possibilidade da mensagem farmacodinâmica ser veiculada pelo solvente, função desempenhada pela água, que assumiria um papel fundamental na questão da memorização e informação biológica (KOSSAK-ROMANACH, 2003). Assim, a ação do medicamento homeopático não seria devida às moléculas de uma determinada substância presentes no solvente água, mas resultante de modificações na estrutura da própria água, pois, em dinamizações elevadas, a veiculação de um conteúdo informacional similar fundamentar-se-ia na reprodução e conservação de uma imagem análoga à substância original, que permaneceria no solvente água submetido a diversas e contínuas diluições e sucussões (BELLAVITE, 2002).

A formação de agrupamentos de moléculas de água em forma de clusters poderia ser a base para a explicação sobre a propriedade característica da água em constituir-se em um veículo de informação biológica significativa. Um cluster representa um número variável de moléculas de água que, após determinadas condições, como agitações ou sucussões de uma determinada solução, podem assumir diversas conformações poligonais, originando figuras geométricas complexas, que apresentam cavidades em seu interior. Partindo-se de uma visão físico-química desse nível, seria admissível a elaboração de um modelo teórico que contemplasse a possibilidade de que a água, depois de contatar com uma determinada informação molecular, representada pelas moléculas de soluto da substância inicial, apresente a capacidade de manutenção dessa informação, mesmo após sucessivos processos de diluições e sucussões a que foi submetida a substância original (metodologia de preparação dos medicamentos homeopáticos). Consequentemente, as moléculas de água assumiriam uma configuração de clusters, que apresentariam equivalência às estruturas da substância inicial, sendo que poderiam converter-se em fonte de referência a fim de conceber outros clusters, que seriam semelhantes à imagem original. (BELLAVITE, 2002).

Existem estudos atestando a existência de estruturas organizadas na água, formadas pelo processo de diluição e sucussão que caracterizam a metodologia de preparação dos medicamentos homeopáticos, corroborando a hipótese de formação de cluster semelhantes em soluções submetidas ao processo de dinamização homeopática. A grande questão é se esses clusters teriam a capacidade de apresentar uma estabilidade de informação. Embora o modelo teórico dos clusters seja atraente e mereça consideração, pois admite uma explicação para o fenômeno em que associações de moléculas de água convertem-se em um potencial veículo de comunicação biológica, até o presente momento não há uma fundamentação física para a conservação por um tempo satisfatório desses clusters, que possua a condição de justificar a ocorrência de uma memória por um período de tempo prolongado. (BELLAVITE, 2002).

Por outro lado, trabalhos sobre a física da água sugerem que a própria água tenha condições de armazenar e ser um meio de condução de oscilações eletromagnéticas. Estudos sugerem a existência de um fenômeno de "memória" eletromagnética da água, pois os efeitos dos campos eletromagnéticos sobre estruturas biológicas poderiam ser mediados por modificações da estruturação da própria água, que agiria como solvente. De acordo com o conceito de super-radiância, informações biológicas poderiam ser veiculadas através da água, mediante suas disposições moleculares e respectivos campos eletromagnéticos. As vibrações das moléculas de água podem se acoplar em função do campo eletromagnético, originando domínios oscilantes em fase. Uma molécula livre na água poderia comportar-se como uma antena, que lança uma mensagem numa certa frequência, promovendo a rotação dos domínios de super-radiância na sua própria frequência, induzindo blocos enormes de moléculas de água a simularem a frequência vibratória do campo eletromagnético da molécula original, resultando, assim, no fenômeno de memória da respectiva solução. Dessa forma, o fenômeno de memória não refere-se a moléculas individuais, mas a agrupamentos moleculares imensos que apresentam um movimento harmônico, simulando a frequência de vibração de outras moléculas ou de campos eletromagnéticos. (BELLAVITE, 2002).

Embora a física quântica moderna não exclua o fato de que a água possui uma propriedade ainda desconhecida, atualmente as teorias expostas, como é o caso da super-radiância, ainda estão à espera de uma confirmação experimental convincente, que representaria uma possível explicação "científica" para a eficácia clínica dos tratamentos homeopáticos (BELLAVITE, 2002). Sugere-se a leitura de "Estudo da eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos", deste mesmo autor.


A AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO SERIA BIOFÍSICA

Há evidências de que a ação do medicamento homeopático seja biofísica e não bioquímica, como os fármacos convencionais. O medicamento homeopático conteria uma informação eletromagnética da substância que lhe deu origem.

Sendo próprio da farmacotécnica homeopática, o processo de dinamização impregnaria o agente terapêutico com o campo eletromagnético da substância original, a fim de que ocorra a sua interação com o organismo, de acordo com o princípio de ressonância pelos semelhantes (VITHOULKAS, 1986). Lembrando que as informações nos sistemas vivos são transmitidas por sinais e receptores, sendo que os receptores orgânicos são sensíveis também a campos eletromagnéticos (BELLAVITE, 2002), admite-se a possibilidade de que o medicamento homeopático tenha a capacidade de estimular artificialmente o campo eletromagnético dos receptores (CARILLO JUNIOR, 1997). Desta maneira, a indução eletromagnética surge como uma forte possibilidade de ser um dos principais mecanismos empregados para a ação dos medicamentos homeopáticos sobre os receptores dos sistemas vivos (CARILLO JUNIOR, 1997).

Embora pareça haver uma grande possibilidade de que os medicamentos homeopáticos ajam nos sistemas vivos por intermédio de campo eletromagnético, isto ainda não foi confirmado experimentalmente, tornando-se necessárias pesquisas neste sentido (CARILLO JUNIOR, 1997). Entretanto, atualmente torna-se difícil de executar a aferição dos "fatores" responsáveis pelos efeitos terapêuticos dos medicamentos homeopáticos, em função da limitação imposta pela tecnologia médica até o presente momento (GERBER, 1999). Embora a imponderabilidade represente um obstáculo às pesquisas em Homeopatia, sendo utilizadas diluições muito inferiores ao número de Avogadro, as pesquisas concluem que os receptores orgânicos possuem a capacidade de reagir ao estímulo provocado pelos medicamentos homeopáticos (KOSSAK-ROMANACH, 2003).

A biologia molecular clássica concebe haver um local específico do receptor apto a receber o ingresso de uma molécula sinal. Entretanto, os receptores também apresentam sensibilidade aos campos eletromagnéticos, conforme demonstra a biofísica clássica. Uma posição intermediária poderia ser ocupada pela super-radiância, onde a molécula sinal informaria o domínio de coerência da água, comunicando à mesma uma determinada frequência oscilatória, sendo que o domínio de coerência faria a modulação dos receptores, havendo, desta forma, influência nas contínuas ocorrências de transdução de sinal. (BELLAVITE, 2002).


RESSONÂNCIA

Tendo por base o que foi exposto até aqui, é passível de admissão que a doença possa ser vista não somente como uma anormalidade estrutural e molecular (conforme a visão clássica), mas também como o distúrbio que envolve toda uma rede de informações eletromagnéticas que oscilam a frequências próprias e coerentes, tendo a capacidade de atuar em ressonância (BELLAVITE, 2002).

O fenômeno de ressonância caracteriza-se por transmissão de informação em relação a frequências vibracionais ou harmônicas, sem haver modificações estruturais ou transferência de matéria. Ocorrerá ressonância quando um sistema eletromagnético, caracterizado por uma frequência específica de oscilações, ingressar em uma condição vibracional induzida por frequências adjacentes, podendo ocorrer a diminuição da amplitude e até a anulação das oscilações, caso as ondas eletromagnéticas estejam fora de fase. (BELLAVITE, 2002).

Desta forma, o medicamento homeopático dinamizado, contendo um determinado campo eletromagnético oscilando em uma frequência própria, poderia agir no doente como uma frequência-guia externa, pois um distúrbio das oscilações e das comunicações a elas relacionadas poderia levar ao equilíbrio mediante a sintonização apropriada, o que significa a mudança de frequência imposta pela interação com outro oscilador, representado, neste caso, pelo medicamento homeopático. (BELLAVITE, 2002).

Ocorre superposição de ondas quando duas ou mais ondas se propagam simultaneamente no mesmo meio. A perturbação da onda resultante é igual à soma das perturbações causadas por cada onda isoladamente, sendo que os efeitos são subtraídos, podendo, inclusive, ser anulados, no caso de duas propagações com deslocamento invertido. Ocorrem fenômenos de interferência associados às ondas eletromagnéticas, consistindo em efeitos de duas ou mais ondas. A interferência pode ser construtiva, destrutiva (quando as ondas chegam em oposição, sendo que os deslocamentos são de sinais opostos) ou destrutiva completa. (BONJORNO et al.).


PROPOSTA DE UM MODELO TEÓRICO PARA A AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO

Vivemos em um mundo onde todos os seres vivos e os objetos inanimados são formados por moléculas, que, por sua vez, são constituídas por agregados dos mais diversos átomos, que possuem características próprias, de acordo com a interação estabelecida entre os elétrons e os núcleos atômicos, sendo que esta interação é elétrica, possuindo, consequentemente, um campo eletromagnético, que será característico de cada átomo, cada molécula, cada célula, cada órgão, cada ser vivo, cada medicamento e assim por diante. Partindo-se desta premissa, cada ser vivo e cada medicamento possuiria, além de uma configuração molecular e estrutural própria, também um campo eletromagnético oscilando em uma frequência própria, que lhe proporcionaria uma espécie de identidade eletromagnética específica, que seria somente sua.

O ser vivo adoece em função de anomalias celulares e moleculares, ou seja, em decorrência de distúrbios estruturais. Mas a doença também ocorre em consequência de ruídos em sua complexa rede de comunicação, acarretando, consequentemente, em uma instabilidade neste sistema vivo. Mas, se tudo o que existe possui também um campo eletromagnético, poderíamos admitir que um determinado quadro clínico, caracterizado por anomalias estruturais e funcionais específicas, também apresentaria seu campo eletromagnético oscilando em uma frequência específica, portador de uma "identidade" eletromagnética com características próprias.

Se admitirmos que isso seja verdade, o método de comparação entre o quadro de sintomas do paciente e o complexo de sintomas produzido pelo medicamento em indivíduos saudáveis, permitiria ao homeopata realizar a combinação experimental de frequências eletromagnéticas que poderia anular o campo eletromagnético patológico, neutralizando, assim, a doença, conforme preconiza o princípio dos semelhantes. Desta forma, o medicamento homeopático seria o portador da informação contendo a frequência específica que, por indução de ressonância, restabeleceria a saúde do indivíduo doente, sendo que apenas o ajuste adequado de frequências eletromagnéticas fará com que o tratamento pela Homeopatia alcance o sucesso almejado. (GERBER, 1999).

Assim sendo, o medicamento homeopático deveria conter uma frequência similar à do quadro de sintomas do indivíduo doente, pois os sintomas apresentados por este último corresponderiam a uma determinada frequência, que deveria ser semelhante à frequência correspondente ao complexo de sintomas provocados por determinado medicamento em indivíduos saudáveis. Ou seja, a correlação de semelhança entre os sintomas do doente e os sintomas que o medicamento provoca em organismos saudáveis, corresponderia à semelhança apresentada entre as frequências de oscilações inerentes aos campos eletromagnéticos do doente e do respectivo medicamento. A semelhança entre sintomas refletiria a semelhança entre frequências eletromagnéticas.

Mas, se esse medicamento, que apresentasse frequência semelhante ao quadro clínico do doente, fosse administrado em dose ponderal (molecular), acarretaria no fenômeno de interferência eletromagnética construtiva, com a consequente agravação dos sintomas e piora do quadro clínico. Entretanto, como já havia observado empiricamente Samuel Hahnemann, o criador da Homeopatia, quanto mais diluído e sucussionado (ou seja, dinamizado) for o medicamento homeopático, melhor será o seu efeito. Desta forma, o processo de dinamização a que é submetido o medicamento homeopático em sua manipulação, não apenas transmitiria uma imagem similar da substância original, em relação à configuração das moléculas de água (teoria dos clusters) e campo eletromagnético oscilando em uma frequência específica (teoria da super-radiância), mas, além disso, induziria a uma inversão de frequência (isto é uma hipótese), que seria inerente ao seu grau de dinamização.

Sendo assim, o medicamento homeopático, representado pela solução submetida a sucessivas diluições e sucussões, seria portador da mesma frequência eletromagnética da substância que lhe deu origem, frequência esta que seria semelhante à frequência correspondente ao quadro sintomático de determinado doente. Entretanto, esta frequência seria de sinal invertido, sendo que a superposição entre as ondas eletromagnéticas correspondentes ao medicamento e ao quadro de sintomas do doente ocorreria em oposição de fase. Com isso, haveria uma consistente diminuição na amplitude da onda de determinada enfermidade, sendo que a informação transmitida pelo medicamento homeopático poderia neutralizar o efeito patológico. Agora, se a frequência oscilatória do medicamento homeopático for invertida completamente, ou seja, sofrer uma inversão de 180 graus, em relação à frequência correspondente ao quadro clínico do indivíduo enfermo em questão, aí poderíamos ter uma interferência de ondas eletromagnéticas apresentando um caráter destrutivo completo, com a consequente anulação da frequência patológica e respectivo restabelecimento da saúde do indivíduo doente.

Talvez este fenômeno de interferência relacionado às ondas eletromagnéticas possa explicar o fato de que muitos pacientes reagem de uma melhor maneira a determinadas dinamizações do mesmo medicamento do que a outras. Ou seja, o processo de dinamização poderia induzir uma modulação na frequência oscilatória do campo eletromagnético do medicamento homeopático, funcionando como um ajuste fino, no sentido de encontrar-se, além do medicamento mais semelhante ao quadro de sintomas apresentado pelo paciente, (o seu "simillimum", ou similar próximo), também a dinamização mais adequada para o restabelecimento de sua saúde, da forma mais rápida, suave e duradoura possível.


CONCLUSÕES

O desconhecimento e a falta de compreensão quanto ao mecanismo de ação do medicamento homeopático constitui-se em importante fator para que a Homeopatia sofra grande resistência por parte da ciência médica clássica.

Os modelos científicos precisam ser compreendidos dentro de seu contexto, sendo limitados, transitórios, imprecisos e incompletos. O resultado de qualquer experimentação científica depende do paradigma utilizado (ou seja, do modelo), ocorrendo, ainda, uma limitação decorrente da interpretação e imparcialidade (mesmo de forma subliminar) do experimentador. Além disso, a indeterminação e a imprevisibilidade caracterizam algumas teorias. Dessa forma, todos os modelos ou teorias são aproximados. Todos esses fatores podem servir de justificativa para que o modelo científico contemporâneo encontre dificuldade em compreender e explicar a Homeopatia, enquanto sistema terapêutico.

Toda a matéria, seja viva ou não, é composta, em última instância, por átomos. Estes constituem-se da interação entre elétrons e seus respectivos núcleos atômicos. Sendo de natureza elétrica, essa interação possui, consequentemente, um campo eletromagnético. Assim sendo, tudo o que existe, sejam células, órgãos, seres vivos ou objetos inanimados (como medicamentos, por exemplo), possuem, além de sua estrutura física molecular tangível, também um campo eletromagnético. Possivelmente, passe por esta questão biofísica, tendo por base o estudo do eletromagnetismo, a explicação para ação de medicamentos homeopáticos em que a diluição ultrapassou o limite da matéria (número de Avogadro).

A comunicação em sistemas biológicos, e destes com o meio exterior, ocorre por intermédio de sinais eletromagnéticos. Desta forma, seria admissível que o campo eletromagnético inerente ao medicamento homeopático, sob condições especiais (ressonância específica de frequência), induzisse o organismo vivo a assumir a sua frequência.

A semelhança de sintomas entre doente e medicamento, poderia refletir a semelhança entre os campos eletromagnéticos dos mesmos. Desta forma, estando em ressonância, numa mesma frequência específica, seria estabelecida a sintonia entre ambos, havendo a possibilidade do campo eletromagnético do medicamento homeopático intervir como uma frequência guia, com o propósito de corrigir o campo eletromagnético do indivíduo doente.

A hipótese do medicamento homeopático agir em um nível biofísico informacional, contendo um sinal eletromagnético em uma frequência específica, poderia justificar a ação de concentrações ultradiluídas de medicamentos, consistindo em um outro modelo, diverso do clássico padrão bioquímico e molecular.

No preparo de medicamentos homeopáticos, a água poderia constituir-se em um veículo de memória e informação biológica, o que poderia ser justificado pela teoria dos clusters e pela teoria da super-radiância, que ainda precisam de comprovações experimentais convincentes.

Ao contrário da ação bioquímica e molecular dos fármacos convencionais, a ação dos medicamentos homeopáticos seria biofísica. O processo de dinamização impregnaria o veículo terapêutico com o campo eletromagnético da substância original, sendo que a ação poderia ocorrer em receptores, já que os receptores orgânicos também são sensíveis a campos eletromagnéticos.

A doença, representada classicamente por uma anomalia estrutural e molecular, também poderia ser concebida como um distúrbio que engloba toda uma rede de informações eletromagnéticas. Através do fenômeno de ressonância, poderia ocorrer uma interferência eletromagnética entre diferentes sistemas, desde que estejam em uma determinada frequência específica. Assim sendo, o campo eletromagnético do medicamento homeopático, apresentando ondas com deslocamento invertido em relação ao doente, poderia operar no organismo do mesmo objetivando corrigir sua frequência inadequada.

De acordo com a física moderna, tudo o que existe, em última instância, é constituído por interações eletromagnéticas. Desta forma, cada organismo vivo e cada medicamento, possuiria, além de sua configuração estrutural e molecular, também um campo eletromagnético específico. O processo de adoecimento, além de sua representação clássica, poderia também constituir-se em um campo eletromagnético anômalo. A semelhança entre sintomas do doente e sintomas do medicamento homeopático, poderia corresponder à semelhança entre os seus respectivos campos eletromagnéticos, que oscilariam em frequências específicas. Por ressonância, o campo eletromagnético do medicamento homeopático induziria o organismo doente a assumir a sua frequência. Sendo esta invertida em relação ao campo eletromagnético patológico, ocorreria a anulação deste último e o restabelecimento da saúde. O processo de dinamização, além de conservar a imagem da substância original, conforme defendem as teorias dos clusters e da super-radiância, poderia também provocar uma inversão de frequência. Assim sendo, a frequência eletromagnética do medicamento homeopático, além de apresentar-se semelhante à frequência do quadro sintomático do doente, seria também invertida. Desta forma, a superposição de ondas entre a informação transmitida pelo medicamento homeopático (e assumida pelo doente) e a frequência patológica original ocorreria em oposição de fase, com o decréscimo ou anulação da amplitude de onda correspondente à condição patológica. Consequentemente, a informação expedida pelo medicamento homeopático induziria a neutralização do efeito patológico, restabelecendo a saúde do indivíduo doente.

Embora este trabalho represente uma especulação teórica acerca do modo de ação do medicamento homeopático, o mesmo está fundamentado em conceitos coerentes e reconhecidos pela ciência. A confirmação ou não deste modelo é uma questão que só o tempo terá condições de esclarecer. Um diferente contexto histórico e cultural, além de tecnologias, instrumentais e metodologias distintas, talvez possam compor um outro paradigma, que tenha condições de explicar, de uma maneira mais clara e precisa, o modo de ação dos medicamentos utilizados pela Homeopatia, a fim de justificar a sua comprovada eficácia clínica.




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Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br