DESMISTIFICANDO A HOMEOPATIA



DESMISTIFICANDO A HOMEOPATIA - PARTE I



Celso Affonso Machado Pedrini *


* Médico Veterinário

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INTRODUÇÃO.

1. A MINHA VISÃO SOBRE A HOMEOPATIA.

2. A HOMEOPATIA FUNCIONA NOS ANIMAIS?

3. O QUE É HOMEOPATIA?

4. O MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO.

5. O MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO É UM PLACEBO?

6. QUAL É O MECANISMO DE AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO?

7. ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO.

8. QUAIS DOENÇAS PODEMOS TRATAR COM HOMEOPATIA?

9. QUAL É O DIFERENCIAL DO TRATAMENTO HOMEOPÁTICO?

10. UNICISMO X PLURALISMO.

11. QUAL É A CONCEPÇÃO DE SAÚDE E DOENÇA EM HOMEOPATIA?

12. O VITALISMO.

13. A VISÃO SISTÊMICA.

14. O TRATAMENTO HOMEOPÁTICO É INCOMPATÍVEL COM O TRATAMENTO ALOPÁTICO CONVENCIONAL?

15. FATORES RELACIONADOS AO SUCESSO DO TRATAMENTO HOMEOPÁTICO.

16. A EVOLUÇÃO DO TRATAMENTO HOMEOPÁTICO.

17. A HOMEOPATIA POSSUI CONDIÇÕES DE CONTRIBUIR NA QUESTÃO DA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE DE NOSSO PLANETA?

18. ESTUDO DA EFICÁCIA DA HOMEOPATIA NO TRATAMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS E DISTÚRBIOS COMPORTAMENTAIS EM CÃES E GATOS.

CONSIDERAÇÕES FINAIS.

BIBLIOGRAFIA.


INTRODUÇÃO.

Neste artigo pretendo falar um pouco sobre o meu trabalho com Homeopatia, que é baseado em mais de vinte e dois anos de estudo, pesquisa e experiência clínica, sendo direcionado, basicamente, ao tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos.

Embora seja um trabalho fascinante, em vista dos excelentes resultados alcançados pelo tratamento homeopático, ele torna-se também desafiador pela sua complexidade, acarretando, muitas vezes, numa falta de compreensão acerca de suas concepções e conceitos, promovendo o tom polêmico acerca do tema "Homeopatia".

Meu objetivo consiste em esclarecer a respeito de alguns pontos nebulosos e questões controversas que pairam sobre a Homeopatia, demonstrando que a mesma apresenta o potencial de ser um sistema terapêutico altamente eficaz, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas e seja praticada por profissionais sérios e plenamente capacitados, podendo ser explicada através de bases científicas, desmistificando, assim, alguns tabus que a envolvem, pois não possui nenhuma relação com práticas místicas ou exotéricas, por exemplo. Além de evidenciar o seu potencial terapêutico, citando, ainda, alguns exemplos de casos clínicos em medicina veterinária tratados com sucesso através da Homeopatia.


1. A MINHA VISÃO SOBRE A HOMEOPATIA.

Caro leitor, a minha proposta consiste em discorrer sobre esses mais de vinte e dois anos de estudo, trabalho e pesquisa em Homeopatia, onde venho, inclusive, desenvolvendo uma metodologia própria, baseada nas escolas que estudei.

Ou seja, o meu objetivo é falar sobre a visão que eu tenho a respeito da Homeopatia. Não estranhe se outros homeopatas, mesmo sendo médicos veterinários, emitirem opiniões ou conceitos diferentes dos meus. Nós poderemos, inclusive, divergir em determinados pontos. Mas isto não significa que qualquer um de nós esteja errado. Simplesmente, nós poderemos ter diferentes pontos de vista, em função do nosso histórico, do que nós estudamos e da nossa experiência. Afinal, o mesmo fato pode ser visto de maneiras diferentes, de acordo com a interpretação de cada observador, não é mesmo?

Gosto muito da diversidade de ideias. Levar em consideração pensamentos contrários aos nossos, sem, necessariamente, aceitá-los, é uma excelente oportunidade para reavaliar alguns conceitos e aumentar o nosso nível de aprendizado e conhecimento.


2. A HOMEOPATIA FUNCIONA NOS ANIMAIS?

Talvez esta seja uma das perguntas que mais me fizeram ao longo desses anos. Mas, certamente, é a que mais me causou inquietação, impulsionando-me a buscar uma explicação aceita cientificamente para a ação do medicamento homeopático, justificando os excelentes resultados apresentados em medicina veterinária e motivando-me ao trabalho de documentação de casos clínicos, produzindo, inclusive, um estudo sobre a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos.

A questão acima deixou de ser uma dúvida para mim no ano de 1989. Naquela época eu fazia residência no Hospital de Clínicas Veterinárias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, Brasil. Certa vez, atendi um gato da raça Siamês, diagnosticado com doença do trato urinário inferior dos felinos, com provável obstrução de vias urinárias, apresentando anúria, apatia e inapetência. Após alguns dias internado e recebendo tratamento convencional voltado ao seu quadro clínico, o estado do paciente agravou-se e ele foi encaminhado para que fosse executado um procedimento cirúrgico, como último recurso na tentativa de salvá-lo. Entretanto, como o seu quadro clínico era gravíssimo, seria muito difícil ele resistir à intervenção cirúrgica e à anestesia. Isto motivou-me a tentar o tratamento pela Homeopatia, mesmo não possuindo um maior conhecimento ou experiência. Momentos antes do paciente ser encaminhado à sala cirúrgica, eu iniciei a administração dos medicamentos homeopáticos, sem ter muita esperança, devido ao péssimo prognóstico, oriundo da gravidade de sua condição clínica. Porém, para minha surpresa e satisfação, o paciente passou a apresentar micção espontânea por volta de quinze minutos após o início da administração dos medicamentos homeopáticos. Lembrando que ele não urinava, o que ocasionava a sua grave condição clínica. Com isso, a cirurgia foi suspensa, já que ele dificilmente sobreviveria. O paciente permaneceu internado e recebendo a medicação homeopática, continuou urinando espontaneamente e foi apresentando uma melhora progressiva, até alcançar plena recuperação e receber alta, para a sua felicidade e a de seus proprietários.

Este evento mostrou-me, de forma clara e irrefutável, que a Homeopatia era uma realidade na qualidade de sistema terapêutico, pois, neste caso, foi a responsável por salvar a vida do paciente, exercendo uma ação rápida e altamente eficaz. Tal acontecimento estabeleceu uma perspectiva concreta para que, enfim, eu tivesse a possibilidade de trabalhar com um sistema terapêutico que não fosse tão agressivo aos pacientes, que não apresentasse tantos efeitos tóxicos, reações adversas e efeitos colaterais. Além de possibilitar o tratamento daqueles pacientes desenganados pela medicina clássica e que, muitas vezes, eram condenados à eutanásia. Foi isso que me motivou a estudar a Homeopatia, quando tive a oportunidade, a partir de 1992, quando iniciei o meu curso de especialização.


3. O QUE É HOMEOPATIA?

Homeopatia é um sistema terapêutico, criado há mais de 200 anos pelo médico alemão Samuel Hahnemann. O fundamento básico da Homeopatia é o princípio da semelhança: ou seja, o medicamento homeopático cura no doente os mesmos sintomas que ele provoca em um organismo saudável. E isto leva a um outro fundamento da Homeopatia: a experimentação no indivíduo são, a fim de que se tornem conhecidos os sintomas que determinado medicamento poderá provocar no indivíduo saudável, que serão os mesmos sintomas que este medicamento irá curar no doente, de acordo com o princípio de tratamento pelos semelhantes.

Hipócrates, considerado o "pai da medicina", afirmou que a recuperação da saúde dos indivíduos doentes poderia ocorrer através do princípio dos contrários, que foi adotado por Galeno, servindo de base para a medicina que detém a hegemonia no ocidente, a Alopatia. Daí advir os medicamentos que produzem efeitos opostos aos sintomas do doente, como, por exemplo, os antiinflamatórios, os antitérmicos, os antiespasmódicos, entre outros, que todos nós conhecemos tão bem. Mas Hipócrates também afirmou que a saúde poderia ser recuperada pelo princípio dos semelhantes, que foi adotado por Hahnemann, originando a Homeopatia.

Eu convido você a participar do nosso curso "Desmistificando a Homeopatia", onde debateremos, entre outros assuntos, os fundamentos e a trajetória da Alopatia, bem como a origem, o desenvolvimento e a evolução da Homeopatia, desde Hahnemann, passando pelos autores clássicos até os contemporâneos, abordando suas diferentes concepções e metodologias. Inclusive, discorrendo sobre alguns pontos polêmicos dentro do próprio universo homeopático, como a obrigatoriedade ou não de empregar-se apenas um único medicamento. Além da questão da ultradiluição dos medicamentos homeopáticos.


4. O MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO.

Sem dúvida, o maior obstáculo para que a Homeopatia seja admitida pela ciência médica, reside exatamente na questão da ultradiluição. A preparação do medicamento homeopático ocorre a partir de uma substância em dose ponderal, podendo ser do reino animal, vegetal ou mineral. Aliás, qualquer substância tem potencial para tornar-se um medicamento homeopático. Para isso, precisamos conhecer os sintomas que esta substância tem a capacidade de originar em um organismo saudável, que serão os mesmos sintomas que irá curar no organismo doente, conforme o princípio da semelhança, como vimos anteriormente.

Existe uma farmacotécnica específica para o preparo do medicamento homeopático. A título de ilustração, trarei o exemplo da preparação do medicamento Arnica montana. A escala mais utilizada é a Centesimal Hahnemanniana ou CH, que significa diluir uma parte do soluto (representado pela tintura mãe de Arnica) em 99 partes do solvente (que pode ser uma solução hidroalcoólica). Porém, não apenas diluímos esta centésima parte da tintura de Arnica, mas realizamos, concomitantemente, a sucussão desta solução, por 100 vezes. A este processo denominamos dinamização. Considero que aqui está o grande diferencial da Homeopatia. No final deste procedimento, teremos o medicamento Arnica montana 1CH (Centesimal Hahnemanniana). Se utilizarmos uma parte de Arnica montana 1CH e submetermos ao mesmo processo, obteremos o medicamento Arnica montana 2CH. E assim sucessivamente.

Como vemos, não é tão complicado, afinal, compreender a origem e o modo de preparação do medicamento homeopático. Entretanto, há uma questão bastante controversa: é que a partir de uma determinada dinamização, por volta da 12CH, provavelmente não existiriam mais moléculas da substância original, de acordo com o número de Avogadro. No caso do nosso exemplo, não existiriam mais moléculas da tintura mãe de Arnica. Portanto, se não há mais moléculas da substância inicial, o que temos, então, é apenas um veículo inerte, composto, neste caso, por água e álcool. Desta forma, não seria possível que um medicamento homeopático acima da 12CH exercesse qualquer tipo de efeito terapêutico, pois seria constituído por uma solução sem nenhuma molécula da substância que lhe deu origem, sendo, desta forma, um composto inerte.

Neste ponto é que está a origem da pressuposição de que a ação da Homeopatia seria comparada ao efeito placebo, agindo na expectativa positiva do paciente em relação ao tratamento instituído. Esse é o pensamento materialista da ciência e da medicina hegemônica do mundo ocidental, que está fundamentada no paradigma mecanicista cartesiano, no determinismo e no pensamento positivista. Nesta concepção, a doença seria representada por uma condição quantitativamente distinta do estado de saúde e por alterações celulares, conforme conceitos estabelecidos por Claude Bernard e Virchow, respectivamente. E a ação terapêutica ocorreria mediante à ligação de uma molécula sinalizadora ao seu receptor específico, sendo dose-dependente.


5. O MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO É UM PLACEBO?

Vimos que, de acordo com a concepção da ciência médica vigente, o medicamento homeopático, a partir da 12CH, não passaria de um placebo, por não possuir mais moléculas, ou seja, matéria, da substância original. Mas se o medicamento homeopático realmente não passasse de um placebo, que age somente por auto-sugestão, através de um efeito psicológico positivo na expectativa dos pacientes, como nós explicaríamos a sua atuação nos animais? Seria a Homeopatia em medicina veterinária um embuste? Afinal, a Homeopatia é uma fraude? Veja que interessante o caso que vou relatar a seguir.

Certa vez, atendi um cão da raça poodle, apresentando um distúrbio comportamental: ele era extremamente agressivo com os seus donos; atacava violentamente e mordia, sem motivo aparente. Após a primeira avaliação, estudei o caso e prescrevi um único medicamento, na 200CH. Ou seja, de acordo com o pensamento materialista da ciência médica vigente, placebo! Em torno de 10 dias depois, a proprietária me ligou. Explicou que diluiu o medicamento homeopático no pote de água do paciente à noite, antes de dormir, já que o nosso amigo poodle não permitia ser medicado. Na manhã seguinte, segundo o relato da proprietária, parecia que tinham trocado o cachorro! Ele não agrediu nem mordeu mais e ficou bem mais dócil. Era outro cão. Os proprietários simplesmente não acreditavam no que estavam vendo. Esta melhora ocorreu, literalmente, da noite para o dia! Eis a grande questão: como uma substância sem nenhum valor terapêutico, rotulada pela ciência clássica como placebo, poderia ter desempenhado tal efeito? Teria exercido um monumental efeito psicológico na expectativa deste poodle?

Perdoem-me por esta sutil ironia. Ela não é uma crítica, nem uma provocação a quem considera que o efeito do medicamento homeopático não difere do efeito placebo. Afinal, quem pensa desta forma está respaldado pela ciência clássica, baseada no materialismo do paradigma mecanicista cartesiano, que é determinista e positivista.

Desta forma, não desejo criticar quem assim pensa, mas convidá-los a participar do nosso curso "Desmistificando a Homeopatia", a fim de trocarmos ideias, conhecimentos e experiências, para que possamos debater em alto nível. Em vez de simplesmente rotular a Homeopatia como uma prática não-científica, em função da ciência ainda não conseguir explicá-la, conforme defende o positivismo. Como já disse, não critico e nem condeno os que não aceitam a Homeopatia, nem mesmo seus mais severos opositores. Considero que a sua imensa maioria adota esta postura por não compreendê-la, em função de sua complexidade e por ela possuir uma concepção totalmente distinta da ciência médica tradicional, a qual estamos acostumados, pela mesma estar solidamente enraizada em nossa cultura. Eu mesmo custei algum tempo para compreendê-la e aceitá-la! E apenas após 20 anos de estudo e trabalho com Homeopatia, avaliei ter condições de contribuir, de forma consistente, significativa e qualificada, para a sua compreensão e divulgação de sua poderosa eficácia, na qualidade de sistema terapêutico.

O que acabei de relatar é mais um motivo para convidá-lo a participar do nosso curso, a fim de que possamos esclarecer a respeito das diferentes concepções e conceitos inerentes à Homeopatia. Minha proposta não é simplesmente fornecer estas informações, a fim de que sejam passivamente aceitas, mas estimular o pensamento e o raciocínio, promovendo uma avaliação crítica sobre o tema, proporcionando, assim, um construtivo e enriquecedor debate!


6. QUAL É O MECANISMO DE AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO?

Voltando ao caso do poodle agressivo, que diminuiu significativamente sua agressividade, literalmente, da noite para o dia, após a administração do medicamento homeopático na 200CH, expliquei que, pela concepção da ciência médica vigente, o medicamento administrado não passaria de uma substância inerte, um placebo, em função de sua ultradiluição, ou seja, por não possuir mais moléculas da substância que lhe deu origem, de acordo com o número de Avogadro. Contudo, o prezado leitor há de concordar que a explicação mais razoável para o ocorrido dificilmente passaria pelo efeito psicológico exercido na expectativa do paciente, por tratar-se de um indivíduo da espécie canina, não é mesmo? Sendo assim, voltamos ao âmago da questão: afinal, como age o medicamento homeopático? Qual é o seu mecanismo de ação?

Primeiramente, devemos esclarecer que, ao contrário da ação bioquímica e molecular das doses ponderais dos medicamentos alopáticos, a ação do medicamento homeopático seria biofísica, agindo em um nível informacional. Sugere-se que o medicamento homeopático contenha uma informação eletromagnética da substância que lhe deu origem (sugerimos a leitura do artigo "Alguns comentários sobre a ação do medicamento homeopático", deste mesmo autor).

Com o intuito de ampliar meus conhecimentos e procurar compreender como age o medicamento homeopático no organismo doente, venho estudando, há mais de uma década, alguns temas relacionados à física, como, por exemplo, o eletromagnetismo e a teoria quântica. Além de participar de cursos na área de medicina complementar, onde destaco o curso de "Terapia por Informação Biofísica", promovido pela Sociedade Médica Brasileira para BIT. O resultado deste estudo, onde procuro fazer uma correlação, da forma mais fidedigna e transparente possível, entre os conceitos da física moderna e a Homeopatia, eu me coloco à disposição para debater e discutir com você. E proponho que esse debate seja realizado de uma maneira informal, arejada, com a mente aberta, sem dogmas ou pré-conceitos.

Participe do nosso curso "Desmistificando a Homeopatia", e vamos conversar e debater sobre os mais diversos aspectos pertinentes a este sistema terapêutico. Principalmente, em relação à sua fundamentação científica. Inclusive, colocando em discussão a proposta de um modelo teórico para o mecanismo de ação do medicamento homeopático, que é baseado em conceitos da física moderna e do eletromagnetismo. Seja você um profissional ou estudante da área de ciências médicas, biológicas, exatas ou humanas. Seja paciente ou, simplesmente, curioso sobre o assunto. Amplie e aprofunde os seus conhecimentos sobre este sistema terapêutico que apresenta o potencial de ser altamente eficaz, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas e seja praticado por profissionais sérios e plenamente capacitados.

Caro leitor, eu gostaria muito de dialogar e debater sobre todas essas ideias com você! Eu não sou o dono da verdade e estou aberto a sugestões e a críticas. Eu quero escutar o que você tem a dizer, ouvir a sua opinião e o seu ponto de vista, com atenção e respeito, para que nós possamos discutir e debater, em alto nível, no campo das ideias, pois, desta forma, todos nós enriqueceremos o nosso conhecimento. Afinal, apenas por não conhecermos algo, isto não significa, necessariamente, que este "algo" não exista! Não é verdade? Se hoje a ciência não consegue explicar qual é o modo de ação do medicamento homeopático, provavelmente seja porque não possui conhecimento e tecnologia adequados para isso. Mas o medicamento homeopático funciona, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas. Estamos falando de uma Homeopatia baseada em evidências. A prova está aqui, representada por diversos casos clínicos, em medicina veterinária, em que pacientes foram tratados pela Homeopatia, com resultados altamente satisfatórios. Esses e outros casos serão apresentados, a título de ilustração, em nosso curso. Além disso, o estudo que realizamos para avaliar a eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos é outra demonstração cabal do potencial terapêutico do medicamento homeopático (sugerimos a leitura do artigo "Estudo da eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos", deste mesmo autor).

Portanto, as evidências demonstram, claramente, que a Homeopatia funciona. Será apenas uma questão de tempo a ciência adquirir condições para explicá-la, talvez, até, utilizando-se de outro paradigma. Afinal, novas descobertas e avanços científicos estão ocorrendo em ritmo acelerado, principalmente no campo da física. Se lembrarmos que existem bilhões de galáxias no universo, entre as quais, a nossa Via Láctea, sendo que o nosso Sol é apenas uma entre as cerca de 100 a 200 bilhões de estrelas de nossa galáxia... E que a existência humana é ínfima, se comparada com os cerca de 14 bilhões de anos do universo, é fácil chegar à conclusão que temos muito ainda a compreender, a aprender, e a evoluir, tendo consciência de quem somos e qual é a nossa função no universo.


7. ALGUNS COMENTÁRIOS SOBRE A AÇÃO DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO.

O desconhecimento e a falta de compreensão quanto ao mecanismo de ação do medicamento homeopático constitui-se em importante fator para que a Homeopatia sofra grande resistência por parte da ciência médica clássica.

Um grande obstáculo para a aceitação da Homeopatia, como ciência, reside na utilização de substâncias ultradiluídas, o que contraria o clássico modelo bioquímico e molecular. Entretanto, algumas teorias defendem a possibilidade da permanência de uma informação relacionada à substância original, mesmo em soluções que tenham ultrapassado o limite molecular.

O estudo dos fenômenos atômicos demonstra que, em última instância, tudo o que existe é constituído por campos eletromagnéticos. Assim sendo, a comunicação nos sistemas biológicos, e destes com o meio exterior, ocorre através de sinais eletromagnéticos em diferentes frequências.

O conhecimento científico estrutura-se nos modelos utilizados. Talvez seja necessário utilizar-se um novo paradigma, para que haja uma melhor compreensão a respeito da ação do medicamento homeopático.

Um outro modelo poderia consistir em conceber-se a doença não apenas como alterações estruturais e moleculares, mas, também, apresentando um campo eletromagnético anômalo. Dessa forma, a semelhança entre os sintomas do doente e os sintomas que determinada substância desenvolve em indivíduos saudáveis, fundamento básico do sistema terapêutico homeopático, corresponderia à semelhança entre os seus respectivos campos eletromagnéticos. A informação transmitida pelo medicamento homeopático poderia constituir-se em uma frequência guia, com o objetivo de corrigir o campo eletromagnético patológico, hipótese que é corroborada por conceitos inerentes ao eletromagnetismo clássico, restabelecendo, assim, a saúde do indivíduo doente.

Embora represente uma especulação teórica acerca do modo de ação do medicamento homeopático, o que acabamos de relatar está fundamentado em conceitos coerentes e reconhecidos pela ciência. A confirmação ou não deste modelo, é uma questão que só o tempo terá condições de esclarecer. Um diferente contexto histórico e cultural, além de tecnologias, instrumentais e metodologias distintas, talvez possam compor um outro paradigma, que tenha condições de explicar, de uma maneira mais clara e precisa, o modo de ação dos medicamentos utilizados pela Homeopatia, a fim de justificar a sua comprovada eficácia clínica (sugerimos a leitura do artigo "Alguns comentários sobre a ação do medicamento homeopático", deste mesmo autor).


8. QUAIS DOENÇAS PODEMOS TRATAR COM HOMEOPATIA?

Frequentemente ouço esta pergunta. Ela pode parecer simples, mas a resposta encerra uma certa complexidade. Primeiramente, faz-se necessário esclarecer que a Homeopatia pode ser trabalhada em diferentes níveis, possuindo condições de tratar com êxito tanto doenças agudas, quanto doenças crônicas, sejam da área física ou mental (comportamental nos animais), desde que sejam respeitadas algumas condições básicas.

Na minha opinião, devemos falar sobre aqueles temas que dominamos e possuímos um profundo conhecimento. Em vista disso, vou me deter nas doenças de caráter crônico, por ser o campo de ação do meu trabalho com Homeopatia, onde possuo mais de duas décadas de estudo, pesquisa e experiência clínica.

Entretanto, esta é uma questão bastante complexa, pois a Homeopatia possui uma concepção diferente da medicina clássica, em termos de concepção de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e de cura. O objetivo da Homeopatia não é tratar doenças, conforme nós estamos acostumados a concebê-las, mas tratar o doente. Isto significa que devemos levar em consideração a interação entre o doente e a doença que ele apresenta; ou seja, como uma doença manifesta-se especificamente em um determinado indivíduo. Dessa forma, há dois conceitos básicos no tratamento pela Homeopatia: unidade e individualização.

O conceito de unidade significa que é preciso tratar o doente em sua totalidade, e não apenas quadros clínicos ou sintomas isoladamente. Por exemplo, ao atendermos um paciente apresentando uma afecção dermatológica: se formos tratá-lo pela Homeopatia, nós precisamos avaliá-lo em sua totalidade, e não levarmos em consideração apenas os sintomas cutâneos. Não devemos somente observar e analisar a pele deste paciente, mas percebê-lo e compreendê-lo integralmente, como um todo indissociável, a partir de sua totalidade sintomática característica, que será o reflexo de seus dramas, sofrimentos e predisposições a adoecer.

E o conceito de individualização. Ainda que vários pacientes apresentem o mesmo diagnóstico clínico convencional, é bem possível, e até provável, que eles recebam medicamentos homeopáticos diferenciados, porque o tratamento pela Homeopatia é individual, sendo específico para cada paciente. Portanto, precisamos individualizar o paciente. Mas, para isso, precisamos compreendê-lo. Sabemos que as pessoas são diferentes umas das outras. E essas diferenças têm uma causalidade genética e hereditária, sendo particular de cada indivíduo. Além disso, o meio ambiente em que ele vive também deverá ser considerado, seja em função de fatores sócio-culturais ou pela ocorrência de possíveis traumas. Enfim, cada pessoa concebe e enxerga o mundo e a vida de uma determinada forma, à sua maneira. E sua consciência, sensibilidade e comportamento serão fundamentados nesta visão que possui do mundo e da vida.

Para ilustrar o que acabamos de expor, citaremos alguns exemplos. Enquanto algumas pessoas são mais extrovertidas, comunicativas e possuem grande facilidade de sociabilização, outras são mais introvertidas, quietas e reservadas. Uns são mais ousados e anseiam por aventuras e desafios; outros são mais cautelosos, prudentes e buscam segurança. Alguns indivíduos sofrem e adoecem por uma desilusão amorosa; outros, por uma perda financeira. Uns choram facilmente, até por insignificâncias, independentemente da situação; outros, mesmo em circunstâncias trágicas, como a perda de entes queridos, não conseguem chorar na frente de outras pessoas, embora estejam arrasados emocionalmente. Existem aqueles que são mais resistentes a serem afetados pelas calúnias e injustiças, esquecendo e perdoando facilmente; outros, magoam-se com facilidade e dificilmente esquecem. Existem pessoas que se investem de donas da verdade, não admitindo qualquer pensamento ou ponto de vista contrário ao seu, chegando a ignorar, ridicularizar e até perseguir quem tenha ideias, posturas ou atitudes que não se enquadrem ao seu modo de pensar e agir; enquanto outras pessoas procuram respeitar, admitir e compreender o ponto de vista e a maneira de ser alheios, mesmo sendo radicalmente opostos aos seus, priorizando valores como o respeito, a educação e a aceitação da diversidade de filosofias, opiniões e condutas.

E as diferenças não estão somente na esfera mental e emocional. Conhecemos algumas pessoas que sofrem mais com o calor, outras com o tempo frio. Umas são mais sensíveis ao clima seco, outras à umidade. Alguns indivíduos são mais predispostos a adoecer em seu sistema respiratório, outros em seu sistema digestivo, enquanto há os que apresentam o seu sistema urinário mais sensível. E assim por diante.

Enfim, cada ser humano é diferente de qualquer outro membro de sua espécie, pois não existem pessoas completamente idênticas. E ser diferente não significa ser pior ou melhor que ninguém. Significa apenas possuir características psíquicas, intelectivas, emocionais e físicas diferentes. Por isso, na minha opinião, não devemos julgar e condenar precipitadamente, mas procurar compreender-nos de forma mútua, respeitando as nossas diferenças.

E essas diferenças também existem nos animais. De acordo com seu caráter genético e hereditário, além de fatores relacionados ao meio em que vive, como manejo, aprendizado e até possíveis traumas, cada animal terá o seu próprio comportamento, que o caracteriza como indivíduo único. Isto é muito fácil de ver nos cães. Existem aqueles que vocalizam mais, enquanto outros só manifestam-se em situações específicas. Alguns cães são mais comunicativos, procurando a sociabilização com outros cães e pessoas, mesmo que sejam desconhecidos. Outros são mais reservados, preferindo relacionar-se apenas com os seus donos. Uns são ousados, outros medrosos. Alguns tentam impor-se, demonstrando, muitas vezes, até uma certa agressividade, enquanto outros são dóceis e submissos. Uns são mais ativos, outros mais tranquilos. Alguns adoram passear, enquanto que, para outros, qualquer atividade física não é bem-vinda.

Vejam quantas características individualizantes poderemos encontrar nos animais. E quanto maior a convivência e a proximidade deles com seus respectivos donos, maiores e mais fidedignas serão as informações fornecidas. Isto, aliado a um arguto poder de observação do homeopata, constitui-se em fator básico para o sucesso do tratamento pela Homeopatia em medicina veterinária.

Portanto, cada animal possui suas características individuais e suas suscetibilidades, o que acarretará na predisposição a adoecer de uma determinada forma. E nós, homeopatas, devemos procurar perceber este indivíduo além de seus sintomas orgânicos. Devemos procurar compreender como cada ser sofre. E esse ser possui um organismo, que irá adoecer em decorrência desse sofrimento. Vemos isso rotineiramente em nosso trabalho. Por exemplo, cães que adoecem quando os seus donos vão viajar, ou quando é introduzido um outro cão mais novo, sendo que este filhote passa a ser o centro das atenções. Ou, ainda, quando ocorre a perda de um ser querido. Por isso, em Homeopatia precisamos compreender as sensibilidades individuais de cada ser, ou seja, suas suscetibilidades, suas idiossincrasias.

Parece que complicou um pouco, não é mesmo? A seguir falarei sobre um grande insucesso que eu tive, exatamente para corroborar a importância desses conceitos.

Esta foi a minha primeira experiência com Homeopatia e ocorreu quando eu estava na metade inicial do meu curso de medicina veterinária. E foi com a minha própria cadelinha, a Lobinha. Ela apresentava um quadro de conjuntivite crônica, com secreção ocular mucopurulenta bilateral. A Lobinha já havia passado por alguns tratamentos convencionais, que apresentaram apenas resultados paliativos: havia uma melhora parcial, mas os sintomas retornavam. E eu, sem nenhum conhecimento ou experiência, resolvi tratá-la com Homeopatia, baseado em um livro que indicava a utilização de determinados medicamentos homeopáticos, de acordo com os sintomas clínicos do paciente. Algum tempo depois, fui tomado por um sentimento de grande frustração, pois, embora tenha seguido estritamente as orientações do livro, o seu quadro clínico permaneceu inalterado, não havendo sequer uma melhora parcial. Submetido a tal decepção, não foi difícil para mim concluir que "a homeopatia não funciona!" Afinal, eu administrei os medicamentos homeopáticos para o quadro clínico em questão, exatamente como o livro recomendava, mas não houve sequer um efeito paliativo. Desta forma, foi mais simples e cômodo, para mim, culpar a Homeopatia. Eu não tive humildade e auto-crítica suficientes para discernir que, naquele momento, eu não estava capacitado para utilizá-la.

Hoje, tenho plena consciência de que são situações como esta que acabam por denegrir a imagem da Homeopatia, fazendo com que ela caia em descrédito. Por isso, eu considero uma responsabilidade muito grande falar sobre Homeopatia, principalmente para quem trabalha com ela. Indicar um ou mais medicamentos para tratar determinada doença, avalio ser, no mínimo, uma prática arriscada e perigosa, pois pode passar a falsa impressão de que hajam medicamentos homeopáticos específicos para tratar patologias específicas. Mas, em geral, não é isso o que acontece, porque a Homeopatia não trata doenças. A Homeopatia trata, isto sim, o indivíduo doente, seja humano ou animal, em sua totalidade, buscando compreendê-lo e individualizá-lo. Termos esta compreensão é fundamental, principalmente, para o tratamento de quadros crônicos. Agindo desta forma, estaremos atuando como homeopatas conscientes, seguindo os ensinamentos de Hahnemann, Kent, Elizalde e outros grandes mestres da Homeopatia. Caso contrário, estaremos fadados a resultados parciais e inexpressivos, não extraindo do tratamento homeopático o seu potencial máximo. Vejam o meu caso: quando inicio o tratamento de um paciente, considero-o como um ser único, inédito e exclusivo, independentemente do seu diagnóstico clínico. Procuro compreendê-lo em sua totalidade e busco individualizá-lo. E foi este tipo de abordagem que utilizei em todos os pacientes que participaram do estudo que fiz sobre a eficácia da Homeopatia, alcançando resultados bastante satisfatórios (sugerimos a leitura de "Estudo da eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos", deste mesmo autor).


9. QUAL É O DIFERENCIAL DO TRATAMENTO HOMEOPÁTICO?

Eu considero que um dos grandes diferenciais da Homeopatia é atuar onde a medicina clássica apresenta suas maiores limitações, como é o caso das doenças de caráter crônico e em distúrbios comportamentais (no caso da medicina veterinária). E, principalmente, naqueles casos em que a medicina clássica esgotou os seus recursos, simplesmente desistindo do paciente, pois, de acordo com o conhecimento médico e científico estabelecido até o presente momento, não existiriam tratamentos, comprovados cientificamente, para determinadas condições clínicas. E são justamente nesses casos que a Homeopatia tem a capacidade de demonstrar o seu grande potencial terapêutico, atuando onde a medicina clássica ainda não possui condições de oferecer uma resposta satisfatória, no sentido de contribuir, de forma significativa e decisiva, na recuperação da saúde dos pacientes, como no caso que relatarei a seguir.

Logo após concluir o meu curso de especialização, atendi um gatinho que apresentava um quadro de paralisia no membro posterior direito, após a aplicação de um medicamento antidiarréico por via intramuscular, o que havia ocorrido há 2,5 meses. Após passar por vários tratamentos convencionais, sem que ocorresse nenhuma melhora, sua proprietária recebeu a notícia de que não havia mais nada a fazer, sendo indicada, ainda, a amputação de sua perna direita, pois o paciente caminhava arrastando o membro afetado no chão, o que provocava escaras e um quadro infeccioso. Foi neste momento que a sua proprietária, bastante desesperada, me procurou, pois havia lido em uma reportagem que a Homeopatia apresenta ótimos resultados no tratamento de animais.

Por tratar-se de um quadro neurológico e ainda não possuir uma maior experiência com Homeopatia, pois recentemente havia concluído o meu curso de especialização, avisei-a de que o prognóstico era bastante desfavorável. Mesmo assim, estudei profundamente o caso e prescrevi um único medicamento ao paciente. Veja só como foi a sua evolução: 7 dias após, ele começou a movimentar a patinha, conseguindo até apoiá-la no chão e corria com ela levantada. E 14 dias após o início da administração do medicamento homeopático, o nosso paciente passou a caminhar normalmente; o seu membro posterior direito estava absolutamente normal, sem apresentar nenhuma sequela. E pensar que ele poderia ter a sua perna direita amputada há algumas semanas atrás... Este gatinho permaneceu sendo meu paciente e nunca mais apresentou nenhum tipo de distúrbio locomotor ou paralisia.

Mas que interessante, não é mesmo? A Homeopatia tratando e curando um quadro neurológico, em que a medicina clássica havia esgotado os seus recursos.


10. UNICISMO X PLURALISMO.

Prezado leitor, você pode estar se perguntando agora: "Mas, se a Homeopatia possui uma concepção diferente da que estamos acostumados... Se o seu objetivo é tratar o doente, e não a doença que ele apresenta... Afinal, qual é a metodologia utilizada pela Homeopatia?"

Em primeiro lugar, devo esclarecer que não há somente uma única maneira de trabalharmos com Homeopatia, já que existem diferentes escolas, que são divididas, empiricamente, nas chamadas linhas. A linha unicista defende a necessidade da utilização de apenas um único medicamento para o tratamento do doente. Por outro lado, a linha pluralista admite o uso de dois ou mais medicamentos. Existem, ainda, diferentes escolas, que utilizam procedimentos metodológicos distintos, dentro de cada uma dessas linhas. Entretanto, considero que uma classificação mais adequada seja em relação às diferentes concepções de saúde e doença, que servirão de base para a terapêutica.


11. QUAL É A CONCEPÇÃO DE SAÚDE E DOENÇA EM HOMEOPATIA?

Sabemos que a concepção de doença da medicina clássica é materialista, sendo baseada no paradigma mecanicista cartesiano. Por ser reducionista, a análise de uma pequena parte (como a célula, por exemplo), revelaria toda a doença. Logo, utiliza-se de uma terapêutica baseada nesta concepção. Por exemplo: a detecção de uma bactéria patogênica implicaria na utilização de um antibiótico para exterminá-la; a carência de um determinado hormônio acarretaria na sua reposição; a identificação de alterações na estrutura celular poderia indicar a extirpação cirúrgica do tecido afetado; e assim por diante.

Já a concepção de saúde e doença em Homeopatia é dinâmica, ou seja, imaterial, o que constitui-se em um outro obstáculo para uma melhor compreensão e aceitação por parte da ciência médica clássica. Ao contrariar o paradigma materialista desta última, acabou por originar uma forte rejeição, acarretando, consequentemente, em falta de entendimento, preconceito e até perseguições sofridas pela Homeopatia ao longo do tempo, por ser considerada não-científica, sendo, ainda, corriqueiramente, confundida com práticas místicas, esotéricas e, até mesmo, religiosas.

Entretanto, existem duas concepções principais de saúde e doença, ambas de origem dinâmica ou imaterial, sendo diferentes entre si, que têm a capacidade de explicar o sistema de tratamento pelos semelhantes: as concepções vitalista e sistêmica.


12. O VITALISMO.

A concepção vitalista, que foi utilizada por Samuel Hahnemann, o criador da Homeopatia, para explicar a ação do medicamento homeopático, defende que existe um princípio vital, também chamado de força vital ou energia vital, sendo diferente tanto do corpo material quanto do espírito, que é responsável por todas as sensações e funções do organismo, ou seja, pelo seu estado de saúde e doença. No estado de saúde, a força vital estaria em equilíbrio, funcionando harmonicamente. Já o transtorno da força vital ocasionaria a doença, sendo manifestada por sintomas. O medicamento homeopático, por semelhança de sintomas com o doente, agiria na sua força vital, colocando-a novamente em equilíbrio. Consequentemente, os sintomas desapareceriam e o paciente recobraria o seu estado de saúde.

Resumidamente, esta é a concepção vitalista de saúde e doença, que serve de base, principalmente, para as escolas unicistas. Eu tive formação unicista clássica, em que o objetivo consiste em tratar o doente em sua totalidade, levando-se em consideração seus sintomas mentais (que são os sintomas do comportamento nos animais), sintomas gerais (que expressam a totalidade do indivíduo, como sono, febre, lateralidade, etc., inclusive relacionados com o meio ambiente, como, por exemplo, modalidades climáticas, horárias, alimentícias, etc.) e sintomas físicos (aqueles sintomas particulares, localizados nos diferentes sistemas orgânicos - sendo que estes sintomas, de ordem local, são os que levam, normalmente, o proprietário a procurar ajuda profissional para o seu animal de estimação, no caso da medicina veterinária). É importante, ainda, ressaltar que esses sintomas observados no paciente devem ser modalizados ao máximo; ou seja, deve-se procurar as nuances e peculiaridades de cada sintoma exibido pelo paciente, procurando caracterizá-lo tanto quanto possível. A partir desta totalidade sintomática característica procura-se individualizar o paciente, com o objetivo de eleger um único medicamento, chamado de simillimum (o medicamento mais semelhante possível ao paciente, em relação aos seus sintomas), que seria capaz de colocar em equilíbrio a sua força vital e, consequentemente, restabelecer a sua saúde.

Observe que, nesta concepção, o diagnóstico clínico fica, muitas vezes, em um plano secundário. E foi desta forma que eu trabalhei, por muitos anos, como médico veterinário homeopata, sem me preocupar tanto com o diagnóstico clínico convencional, pois, em última instância, minha maior tarefa seria compreender o paciente como um todo, através de seus sintomas, que refletiriam o transtorno da sua força vital, prescrevendo um único medicamento, específico para esse indivíduo (seu simillimum), que colocaria novamente sua força vital em equilíbrio, restabelecendo seu estado de saúde.

A seguir, contarei o interessante caso de um paciente que tratei utilizando a metodologia unicista, ainda no início da minha carreira como médico veterinário homeopata.

A proprietária me procurou em função de seu cachorrinho apresentar alergia cutânea, que manifestava-se sob forma de um prurido contínuo, apresentando, frequentemente, crises, que o levavam a coçar-se até se machucar, inclusive, com sangramento. Conforme a concepção vitalista e procurando utilizar a metodologia ensinada pela escola em que fiz meu curso de especialização, abordei este paciente em sua totalidade, não apenas em relação aos seus sintomas cutâneos. Ele apresentava, ainda, um quadro digestivo, com vômitos e cólicas abdominais frequentes, além de uma intensa flatulência. Em termos de comportamento, apresentava uma irritabilidade muito grande, que o levava, muitas vezes, à agressividade, o que dificultava, inclusive, o seu manejo por parte da proprietária, pois, muitas vezes, ele chegava a mordê-la. O convívio com o outro cão da casa, que era muito dócil, tornava-se difícil, pois o nosso paciente frequentemente o agredia e machucava.

Eu prestei atendimento a este paciente por quase 10 anos. Desde o começo, ele apresentou melhoras significativas em sua totalidade. O prurido, que antes era contínuo, diminuiu consideravelmente; inclusive, ele passou a ter períodos em que praticamente não coçava, o que não ocorria antes do tratamento homeopático. As crises de prurido também tornaram-se bem menos frequentes mas, quando ocorriam, o grau da coceira era de menor intensidade, e o seu período de duração igualmente inferior. De forma semelhante, as crises de vômitos e cólicas abdominais diminuíram significativamente sua frequência e intensidade; mas, quando ocorriam, eram prontamente controladas pelo medicamento homeopático que eu prescrevia. Inclusive, este fato levou sua proprietária a ressaltar a eficácia e a rapidez da melhora proporcionada pela Homeopatia nos animais. Já a flatulência desapareceu desde o início do tratamento; obtivemos, portanto, uma melhora de 100% neste sintoma.

Este paciente também melhorou muito o seu comportamento, diminuindo significativamente sua irritabilidade e agressividade, facilitando o manejo por parte de sua proprietária e a melhora no convívio com o outro cão da casa, praticamente não o agredindo mais. Eles passaram, inclusive, a brincar juntos, fato que não acontecia antes do tratamento homeopático.

Recordemos que a queixa principal em relação a este paciente, ou seja, o fato que motivou sua proprietária a procurar o tratamento pela Homeopatia, foi o intenso prurido, de pressuposta origem alérgica: um provável caso de dermatite atópica. Entretanto, este paciente apresentou melhoras significativas em sua totalidade. Este é um exemplo bastante representativo do que o tratamento pela Homeopatia pode proporcionar, em termos de melhoras clínicas relacionadas à queixa principal (neste caso, o prurido), além de melhoras em sintomas comportamentais, em outros sintomas orgânicos e, principalmente, na qualidade de vida do paciente. Além de reduzir, também de forma significativa, a necessidade da utilização de medicação convencional, como corticóides, antialérgicos e antiflatulentos, evitando a exposição excessiva do paciente aos efeitos adversos, sejam tóxicos ou colaterais, destes medicamentos. Esta foi uma proprietária que acreditou no potencial da Homeopatia, investiu no tratamento, valorizou o meu trabalho e ficou plenamente satisfeita com os resultados obtidos.

Enfim, é isso o que a Homeopatia tem condições de proporcionar aos nossos animais de estimação: saúde, bem-estar, felicidade e, principalmente, qualidade de vida. Consequentemente, seus proprietários também ficarão felizes e satisfeitos.


13. A VISÃO SISTÊMICA.

Uma outra forma de compreender o processo de saúde e doença está baseada na concepção sistêmica, em que o funcionamento do ser vivo ocorre conforme um sistema complexo, mediante mecanismos de "feedback" e auto-regulação. No estado de saúde, o sistema vivo encontra-se em estabilidade. É importante ressaltar que, na visão dos sistemas complexos, a estabilidade do sistema significa a constante variabilidade das constantes internas, conforme as circunstâncias. Havendo uma instabilidade no sistema, que pode ser de origem predominantemente intrínseca ou extrínseca ao sistema, ocorre a doença. Nesta concepção, os sintomas da doença não constituem-se em um mal que deve, necessariamente, ser combatido e eliminado, mas representam um movimento efetuado pelo organismo, no sentido de restabelecer a sua estabilidade. Assim sendo, o medicamento homeopático deveria promover um movimento no mesmo sentido da sintomatologia apresentada pelo doente, ou seja, um quadro clínico semelhante, devendo-se, ainda, levar em consideração a compreensão da fisiopatologia dos sintomas.

Desde 2004, quando participei e concluí o Curso de Medicina Interna e Terapêutica, com nível de pós-graduação, da Associação Brasileira de Reciclagem e Assistência em Homeopatia - ABRAH (curso que ampliou a minha visão e enriqueceu consideravelmente os meus conhecimentos em Homeopatia), venho estudando a concepção sistêmica, sendo que, nos últimos anos, venho desenvolvendo uma metodologia em que também levo em consideração os seus conceitos e aplicando esta metodologia na medicina veterinária. Inclusive, desenvolvendo um trabalho de pesquisa na Liga Homeopática do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, onde atuei como voluntário durante oito anos, entre 2005 e 2013. O fruto gerado por este trabalho denomina-se "Estudo da eficácia da Homeopatia no tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos", que será apresentado mais adiante. A partir de 2011, passei a enfatizar o tratamento de quadros dermatológicos, utilizando conceitos relacionados à visão sistêmica. Posso testemunhar o grande salto de qualidade proporcionado ao meu trabalho, desde que passei a estudar, desenvolver e aplicar os conceitos inerentes a esta metodologia.

Como no caso de um cão acometido por demodiciose (a sarna demodécica). Quando iniciamos o tratamento homeopático, este paciente vinha de um intenso e diversificado tratamento com medicações convencionais. Mesmo assim, os resultados eram somente parciais. A proprietária queixava-se do forte odor ofensivo de sua pele, que chegava a impregnar o ambiente; além do intenso prurido, que provocava ferimentos. Abordei este paciente utilizando conceitos oriundos da concepção sistêmica. Desde o começo, ele foi apresentando uma melhora gradativa e consistente. Alguns meses após o início de nosso tratamento, este paciente já apresentava-se estabilizado. Sua proprietária considerou uma melhora de praticamente 100% dos sintomas cutâneos relacionados à demodiciose, além de apresentar-se consideravelmente melhor em seu comportamento e quadro geral. Em sua mais recente avaliação, dois anos e meio após iniciarmos o tratamento homeopático, o paciente mantinha-se plenamente estabilizado e preservando suas melhoras.

Novamente convido o leitor a participar do nosso curso "Desmistificando a Homeopatia", onde abordaremos tanto a concepção vitalista, quanto a concepção sistêmica de saúde e doença, debatendo o seu desenvolvimento e aplicação dentro da medicina veterinária, sempre de acordo com a nossa visão e experiência. Apresentaremos, a título de exemplificação, diversos casos clínicos, inclusive em vídeo, para demonstrar o potencial terapêutico da Homeopatia, em relação ao tratamento e controle de diversas condições clínicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos.

Mesmo correndo o risco de parecer presunçoso, considero que o tratamento pela Homeopatia, promovendo o controle e a cura de diversas condições clínicas e comportamentais, é a prova cabal de uma Homeopatia baseada em evidências, em medicina veterinária.


14. O TRATAMENTO HOMEOPÁTICO É INCOMPATÍVEL COM O TRATAMENTO ALOPÁTICO CONVENCIONAL?

Esta é uma outra dúvida bastante comum que cerca a Homeopatia, sendo, inclusive, muitas vezes motivo de polêmica entre os próprios homeopatas. Novamente, lembro ao leitor que a minha proposta é discorrer sobre a visão que tenho a respeito da Homeopatia, fundamentada em mais de duas décadas de estudo, pesquisa e experiência clínica, tendo por objetivo o tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em cães e gatos. Assim sendo, de acordo com a compreensão que tenho em relação à medicina veterinária, a Homeopatia e a medicina clássica de forma alguma são excludentes ou incompatíveis. Ao contrário, são complementares, podendo atuar, inclusive, em sinergia: a Homeopatia atuando nas áreas de maior limitação da medicina convencional (como em doenças crônicas e distúrbios comportamentais), sendo que a recíproca é verdadeira. Tenho o maior respeito pela alopatia, pois ela salva inúmeras vidas cotidianamente; além de proporcionar importantes avanços científicos e tecnológicos.

Baseado nessa filosofia, adotei o critério de trabalhar exclusivamente com pacientes encaminhados por colegas, com os quais tenha estabelecido previamente uma parceria, sejam clínicos gerais ou de outras especialidades, pois acredito, veementemente, que nossa união de forças e conhecimentos será refletida em um trabalho da mais alta qualidade, visando, sobretudo, proporcionar saúde e qualidade de vida aos nossos pacientes, que, hoje, são muito mais que amigos, sendo verdadeiros membros de nossas famílias. À título de ilustração do que acabei de falar, acho importante ressaltar que possuo uma experiência bastante interessante nas áreas de neurologia e ortopedia.

Em abril de 2009, atendi uma cadelinha da raça Dachshund. Em função de ter apresentado um quadro de claudicação nos membros posteriores, nossa paciente havia sofrido uma intervenção cirúrgica em sua coluna vertebral, na altura da 13ª vértebra torácica, fato ocorrido dois anos e meio antes de iniciarmos o nosso tratamento homeopático. Após um prolongado período de recuperação, ela voltou gradativamente a caminhar. Entretanto, permaneceu com uma intensa claudicação no membro posterior esquerdo, arrastando-o no chão, sendo que, às vezes, apresentava quedas, tendo muita dificuldade para levantar-se. Além disso, a dona precisava ajudá-la, segurando-a, para que a paciente conseguisse defecar e urinar de forma adequada.

Em torno de um mês após iniciarmos o nosso tratamento homeopático, fizemos a primeira reavaliação. A proprietária relatou que a paciente havia apresentado progressos significativos: estava caminhando melhor, conseguindo ficar mais em pé, parecendo ter mais força nas pernas, levantando-se mais facilmente e chegando até a subir as escadas, além de já conseguir defecar e urinar praticamente sem precisar de ajuda. Antes, ela comia sentada, passando a conseguir ficar em pé para comer. A sua proprietária considerou em torno de 70% a melhora, em relação a antes de iniciarmos o tratamento com Homeopatia, sendo que essas melhoras começaram em torno de sete dias após o início da administração dos medicamentos homeopáticos. Além disso, passou a estar mais disposta e ativa, como era antes da cirurgia.

Sua proprietária permaneceu seguindo rigorosamente o nosso tratamento e a paciente foi evoluindo de forma cada vez mais positiva, permanecendo estabilizada. Passou a caminhar tão bem que, às vezes, chegava até a pular. Inclusive, passou a fazer suas necessidades sozinha, sem precisar de ajuda. Sua disposição melhorou e passou a brincar novamente, parecendo ter rejuvenescido. Algumas pessoas que não a viam há algum tempo se espantaram, pois, antes, ela praticamente se arrastava, e agora conseguia caminhar dignamente. Em sua mais recente reavaliação, em novembro de 2012, a paciente permanecia estabilizada, plenamente adaptada em relação às suas limitações orgânicas. Sua proprietária avaliou em 80% a melhora em relação ao início do tratamento, estando plenamente satisfeita com o nosso tratamento homeopático, pelo mesmo proporcionar uma vida digna, saudável e feliz à sua querida amiga e companheira.

A Homeopatia contribuindo, de forma decisiva, na recuperação de pacientes que sofreram intervenções cirúrgicas do aparelho locomotor e da coluna vertebral, além de potencializar o tratamento pela acupuntura e a fisioterapia, são exemplos bem evidentes do que a sinergia entre a Homeopatia e outras especialidades médicas veterinárias podem proporcionar, em relação à saúde, bem-estar e qualidade de vida dos pacientes, com a consequente satisfação de seus proprietários.

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DESMISTIFICANDO A HOMEOPATIA - PARTE II



Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br

CONTATO: celsopedrini@terra.com.br