CASO DE PARALISIA EM MPD DE FELINO TRATADO PELA HOMEOPATIA



CASO DE PARALISIA EM MEMBRO POSTERIOR DIREITO DE FELINO TRATADO PELA HOMEOPATIA


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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Espécie: Felina.
Raça: SRD.
Sexo: Masculino.
Data de Nascimento: setembro / 1989.
Idade na Primeira Avaliação: 5 anos e 8 meses.
Data da Primeira Avaliação: 17/05/1995.
Diagnóstico Relacionado à Queixa Principal: Paralisia de Membro Posterior Direito.


* Introdução.

Atendi este paciente após alguns meses da conclusão de minha especialização em Homeopatia. Sua proprietária procurou-me após ler uma reportagem sobre os benefícios e as possibilidades do tratamento homeopático para os animais. Ela estava extremamente ansiosa, angustiada e preocupada com o seu gatinho de estimação, pois, após a aplicação de um medicamento antidiarréico por via intramuscular, o mesmo desenvolveu paralisia em seu membro posterior direito. A proprietária procurou orientação de outros veterinários que trabalham com a Medicina Convencional, mas não obteve sucesso. Por fim, recebeu a recomendação de amputação do membro afetado, daí advir o seu estado emocional atual, já que era extremamente cuidadosa e carinhosa com o seu gatinho.


PRIMEIRA AVALIAÇÃO: 17/05/1995.

* Queixa Principal: Paralisia de Membro Posterior Direito.

Em 06 de março de 1995, a proprietária levou o paciente ao veterinário, pois o mesmo apresentava diarreia. Nesta oportunidade, foi aplicado um medicamento antidiarréco injetável, por via intramuscular, no membro posterior direito.
Algumas horas após, iniciou o processo de paralisia em seu MPD: "Na mesma noite, ele ficou com a perna dura".
Dois dias após, levou a outro veterinário por causa do problema na perna, sendo prescrito antiinflamatório e complexo vitamínico B, mas sem ocorrer melhora.
A paralisia do membro posterior direito foi piorando gradativamente. A proprietária ainda relata que, desde a administração intramuscular do medicamento, a perna começou a ficar paralisada. No início, o paciente ainda apoiava o membro no chão, mas, aos poucos, foi piorando.
Duas semanas após o início do quadro, o paciente passou a noite fora e, quando voltou, estava pior, passando a arrastar mais a perna no chão. Nesta oportunidade, a proprietária o levou ao veterinário, que solicitou exame radiográfico, sem que nenhuma alteração fosse constatada.
Em 20 de abril de 1995, levou a outro veterinário. Este explicou-lhe que não havia mais nada a fazer e que, possivelmente, o paciente não iria melhorar. Como o membro posterior direito arrastava no chão, provocando ferimentos e infecções secundárias, recomendou que fosse feita a amputação de sua perna direita. Mas a proprietária não aceitou e nem conformou-se com esta conduta.
A proprietária relata, ainda, que o paciente apresenta uma grande sensibilidade na metade posterior de seu corpo, não permitindo ser tocado.
Apresenta maior sensibilidade no terço inferior do membro posterior direito.
Apetite diminuído há 7 dias.
Ontem, eliminou fezes pastosas e com sangue.
Não apresenta incontinência urinária ou fecal.
Está mais apático.
Atualmente, não está tomando nenhum medicamento.

* Histórico.

Nasceu na casa da dona.
Foi roubado quando tinha 3 a 4 meses; ficou fora durante 3 meses.
Castrado (porque saía muito para a rua).
Episódios de pneumonia e abscesso na porção proximal de membro posterior.

* Agressividade.

Ficou mais agressivo após ser castrado.
"Por qualquer coisa, se 'bota' nas pessoas."
Se dona o pegasse para fazer carinho, arranhava o rosto da mesma.
A proprietária relata que ele é um gato muito preso. Acha que sua revolta ocorre por deixá-lo muito preso, sem liberdade.
"Às vezes não está muito bem e dá tapa no outro gato da casa."
Apresenta um humor meio inconstante, pois, às vezes, deixa acariciá-lo; outras vezes, fica brabo, rosna.
Não tolera ser contrariado: se pessoas estão perto, agride; se estão longe, foge.
"Ele está brincando e, de repente, fica agressivo."
"Tem horas que aceita o colo, mas tem outros dias que não, e até agride. Nunca avisa que vai agredir, é perigoso; acho ele 'super-estranho'!".
Se está fora de casa (no ônibus, por exemplo), quer atenção. Em casa, se dona começa a falar muito com ele, já fica brabo.

* Relação com a Proprietária.

Enquanto sua dona não chega em casa, ele não dorme. Fica apreensivo se a mesma passar 2 a 3 dias fora de casa; não come.
"Ele parece um ser humano. Se o coloco para dormir no lugar dele, fica direitinho ali. Ele entende o que eu falo."
Às vezes não obedece a dona. A mãe da proprietária ele sempre obedece. A dona faz mais as vontades dele.
"Dizem que eu (a dona) sufoco ele demais; gosto de 'apertar' ele, dar muito carinho."
A dona é muito apegada ao paciente.
Obedece a mãe da dona porque ela "não fica tanto em cima", não fica insistindo para ele comer, etc.
Sempre faz xixi nos objetos pessoais da irmã da dona (a dona teve uma desavença com sua irmã há mais de 3 anos).
"É teimoso! Se o chamo prá comer, se coloco ele prá comer, aí não come, foge. Se der a comida onde ele estava, aí sim, come."
Não tem problema em andar de ônibus ou carro. Num certo ponto, começa a miar. A dona precisa conversar com ele, para que fique quieto. Se a dona parar de conversar com ele, aí ele mia. Ele quer atenção no ônibus. Mas, em casa, se começam a falar muito com ele, já fica brabo.
Se a proprietária chorar ou ficar triste, fica sempre ao lado dela.
Gosta que conversem com ele à noite. De dia, não gosta.
Dona relata que ele tem ciúme dela. Se alguém se aproxima da sua dona, não aceita. Dona estava jogando com outra pessoa, se meteu no jogo, não deixou que jogassem. Um dia, sua dona estava sentada com outra pessoa no sofá, o paciente passou por trás da mesma e sentou no meio dos dois.

* Relação com o outo Gato da Casa.

Convive com outro gato, que é mais jovem; brincam .
No início ficou com um pouco de ciúme, não chegava perto da dona.
Quando sua dona está com o outro gato, ele olha como se fizesse "descaso": "Ah, é! Então você está com o outro...".
O outro gato é muito carinhoso; não brigam. Mas, às vezes, o paciente dá "uns tapas" nele.
"Não admite que nenhum outro gato entre na casa; só aceitou este gato, porque acompanhou sua criação, desde pequeno.

* Deseja ficar Sozinho.

Gosta de ficar com a sua dona mas, às vezes, isola-se .
Tem mania de se esconder: em um canto escuro, onde ninguém o enxerga; em um quarto vazio; ou em cima da casa, no telhado.
"Gosta de ficar na dele, sozinho; em torno de 17 horas, aparece de volta."
Se esconde quando chega visita; não gosta de estranhos.
Não gosta do movimento de pessoas; não sabe se vai prá rua ou entra dentro de casa.

* Medos.

Tem medo de água. Uma vez vizinha jogou água fria nele, e ele entrou miando ("quase morreu!") .
Medo de chuva. Medo de temporais. "Quando começa a chover, morre de medo, tenta se esconder."
Com foguetes, fica mais é assustado.

* Apetite e Alimentação.

De uns 2 anos prá cá, o apetite diminuiu. A dona não associou com nada.
Gosta mais de carne crua. Come galinha e ração.
Uma vez dona deu peixe pra ele, e não gostou.

* Diarreia.
Qualquer coisa diferente que coma ocasiona diarreia.
Se comer carne que está há 2 ou 3 dias na geladeira, tem diarréia.
Tem diarreia se tomar leite.
Gosta de iogurte, mas, se tomar, tem diarreia.
A diarreia é de cor preta, consistencia líquida e de odor pútrido.

* Sono.

"Dorme como um anjo."
"O sono é tranquilo."
"Ronca frequentemente, como gente; ronca alto."
"Quando se sente bem é que ronca."
Gosta de dormir encostado na dona, com o seu lado esquerdo para baixo.

* Outros.

"É cheio de vontades, manias."
Friorento.
"Gosta de olhar quadros, parece que está entendendo."
"Não ronrona; ronca como ser humano."
Sua dona o considera um gato triste. Se ela chegar em casa, ele estando na frente da mesma, fica sentado, quieto, sempre "na dele", parece que "tá longe!". É sempre assim.
Ultimamente, está com muita sede; levanta à noite para tomar água.
Urina frequentemente, mas em pouca quantidade.
"A urina tem um cheiro horrível."
Às vezes fica até um dia sem urinar.
"Adora que tirem coisas do roupeiro, e gosta de olhar as coisas, cheirar, mexer, etc."
Normalmente larga muito pelo.


CONSIDERAÇÕES

De acordo com Jame Tyler Kent, quem está doente porque sua energia vital está alterada, necessita de um médico; quem sofre uma ferida lacerada, algum osso quebrado ou uma anomalia deformante, tem necessidade do especialista correspondente, se tem que extrair um dente, precisa de um dentista. Os danos materiais ocorridos em acidentes, os traumatismos, danos por objetos cortantes, etc., que afetam as partes externas, o corpo do homem, serão atendidos pelo cirurgião. O homeopata deve saber quando abster-se de tratar um caso e quando pode tratar. Quando aparecem manifestações, sintomas e sinais, o homeopata pode atuar. Mas se a condição do paciente é devida somente a causas exteriores, o homeopata não deve tomar parte do caso. (Cf. Kent, 1986)

Em relação a doenças locais, discorrendo sobre a ação simultânea local e geral do simillimum, Anna Kossak-Romanach afirma que:

“O acometimento local nem sempre guarda proporção com o agente causal, nem com o distúrbio interno, não se justificando deduções com base num fenômeno orgânico circunscrito.
Assim como drogas por via oral suscitam no indivíduo sadio e sensível manifestações gerais juntamente com alterações de partes internas, a ingestão de remédio homeopático atingirá simultaneamente distúrbios gerais e localizados. Uma condição local requer portanto a seleção do medicamento que, juntamente aos caracteres da afecção limitada, atenda à totalidade dos sintomas, como conjunto indissociável.” (KOSSAK-ROMANACH, 1984, p. 269.)

Quanto à proibição de tratamento local, Kossak-Romanach cita algumas exceções:

A atitude coercitiva em relação aos tratamentos locais merece ser reconsiderada. Vejamos três situações clínicas onde a intransigência frente a recursos locais torna-se absurda:
1. quando se mostra iminente a infecção secundária;
2. na imposição de alívio imediato (a exemplo do prurido intolerável);
3. quando sobrevém incapacidade funcional. (KOSSAK-ROMANACH, 1984)

Samuel Hahnemann, no parágrafo 5 do "Organon da Arte de Curar", afirma que "Como auxílio da cura servem ao médico os dados detalhados da causa ocasional mais provável da doença aguda..." No parágrafo 7, define "causa ocasionalis" como a causa que "manifestamente ocasione ou mantenha a doença."

Marcelo Pustiglione sustenta que deve-se diferenciar uma doença local que tem origem no transtorno dinâmico interno de uma doença local ocasionada por uma condição mecânica, pois as "queixas externas":

“Podem ser decorrentes de uma efetiva lesão externa (traumatismo, ferimento, mordedura, etc.) sendo denominada doença local que faz parte das condições mecânicas, exigindo, nesta fase, portanto, tratamento igualmente mecânico (sutura, redução de fratura, etc.) e medicamento homeopático prescrito com base na causalidade mecânica.” (PUSTIGLIONE, 2000, p. 163)

Assim, na classificação de doenças, proposta por Samuel Hahnemann, enquadramos o nosso paciente em "Doenças traumáticas e locais por causas externas".

Dessa forma, em um primeiro momento, focamos nossa atenção no sentido da repertorização dos sintomas relativos à paralisia de membro posterior direito, desconsiderando a questão da totalidade sintomática apresentada pelo paciente, pelo motivo de que o quadro clínico apresentado pelo mesmo foi decorrente de uma condição mecânica (lesão externa ocasionada por um objeto perfurante - neste caso, a agulha utilizada para administração de medicamento por via intramuscular), sobrevindo incapacidade funcional do referido membro.

Angel Minotti, no livro "Traumatismos, Heridas, Complicaciones y Secuelas" afirma que o tratamento de tais afecções não pode ser encarado como uma doença verdadeiramente crônica, sendo que o medicamento de fundo ou constitucional de nada servirá, exatamente por não tratar-se de doença crônica (MINOTTI, 1990).

Minotti afirma que para a hierarquização de um quadro agudo e crônico reversível-irreversível, deve-se considerar, em primeiro lugar, a causalidade, ou seja, o fator desencadeante dos sintomas atuais (MINOTTI, 1990).

Baseados nestes aspectos, efetuamos um estudo criterioso e detalhado, sendo que, após análise profunda, chegamos à conclusão de que determinado medicamento seria o de melhor indicação (ou seja, o mais semelhante possível) para este caso. Prescrevemos um único medicamento homeopático, em doses repetidas, e pedimos para que a proprietária nos ligasse sete dias após.


EVOLUÇÃO


Contato Telefônico: 30/05/1995.

Conforme havia solicitado, a proprietária entrou em contato sete dias após iniciar a administração do medicamento. Eis o seu relato:

"É incrível! Ele está melhorando! A paralisia da perna direita está diminuindo. Está apoiando o membro posterior direito no chão. Parece que não sente mais dor. Corre com a perna direita levantada, não arrastando mais no chão!."

Ajustei a frequência de administração das doses do mesmo medicamento e pedi que voltasse a me ligar em uma semana.


Contato Telefônico: 07/06/1995.

A proprietária relata que ele está andando normalmente. Só às vezes é que não apóia o membro afetado (perna direita). Ela mesma indaga-se: "Não será 'mimo' dele?" A proprietária está muito feliz, quase nem acredita que ele melhorou!
Agora, o paciente movimenta o seu membro posterior direito normalmente, não o arrasta mais no chão, conseguindo caminhar e até correr sem nenhuma dificuldade.

Extremamente feliz, agradecida e surpreendida pela evolução rápida e plenamente satisfatória de seu amiguinho, a proprietária fez o seguinte comentário:

"Muito obrigada, Dr. Celso! Graças ao seu tratamento homeopático, o meu gatinho agora pode voltar a caminhar, correr e levar uma vida normal. Eu sou muito grata por isso! E pensar que há 20 dias atrás ele poderia ter tido a sua perna direita amputada...."

Citaremos Samuel Hahnemann, parágrafo 1 do "Organon da Arte de Curar":

"A mais alta e única missão do médico é restabelecer a saúde nos doentes, que é o que se chama curar."

É importante esclarecer que este paciente nunca mais apresentou qualquer problema relacionado à paralisia ou outro distúrbio locomotor. Viveu ainda alguns bons anos ao lado de sua dona, recebendo carinho, atenção e com qualidade de vida.

Vejam que interessante: a Homeopatia tratando e curando um quadro lesional grave, em que a Medicina Veterinária Clássica havia esgotado os seus recursos, recomendando a extirpação cirúrgica do membro posterior direito do paciente, que encontrava-se paralisado. Este caso é um exemplo extremamente representativo do potencial da Homeopatia, demonstrando, inquestionavelmente, que o tratamento pelos semelhantes consiste em um sistema terapêutico viável e altamente eficaz, desde que sejam respeitadas algumas condições básicas e seja praticado por profissionais sérios e plenamente capacitados.

Este gatinho permaneceu sendo meu paciente. Após a cura da paralisia em seu membro posterior direito, traçamos o objetivo de equilibrá-lo como um todo, a fim de proporcionar-lhe saúde, bem-estar, felicidade e qualidade de vida. Para isso, utilizamos a concepção unicista, levando em consideração a totalidade sintomática, em relação aos seus sintomas mentais, gerais e particulares, além de sintomas raros, estranhos e peculiares, procurando individualizá-lo e tratá-lo como um todo. Salientamos que, durante todo o tratamento deste paciente, prescrevemos apenas um medicamento de cada vez, conforme apregoa o unicismo.

Como já explicamos em outras oportunidades, não é nosso objetivo neste artigo a exposição de repertorizações efetuadas, medicamentos administrados, dinamizações dos mesmos, frequência de administração, etc., pois cada paciente apresenta-se como um caso exclusivo, único e inédito. Lembramos, ainda, que sempre devemos considerar a sua unidade, buscando a sua individualização. Abordei este paciente em um período praticamente embrionário em relação a uma metodologia própria que passei a desenvolver e aprimorar, a partir de meu curso de especialização. Este e outros casos, onde demonstro, detalhadamente, a aplicação prática desta metodologia, serão apresentados em um curso que disponibilizo. Para mais informações, clique aqui.


A seguir, relataremos a evolução do paciente ao longo do tratamento:

O medo da chuva e o medo de barulho foram atenuados.
Não está mais com tantas "manias".
Brincando bastante; antes, não brincava.
Dona mudou com ele: precisa usar bastante "energia" para que obedeça.
Ficou mais amigo da dona, mais "inteligente".
Ficou mais carinhoso. Sua dona passou fim de semana fora e paciente a recebeu com carinho. Além disso, dificilmente ele resmunga quando sua dona vai pegá-lo no colo.
Passou por período em que o apetite melhorou consideravelmente.
"Super-bem; gordo!".
"Éstá precisando mais de carinho.".
Parece que sente mais a falta da dona.
Visitas de pessoas estranhas: vai cheirar (nunca tinha feito isso) e depois sai.
Periodo em que não saía mais de casa, só ficava na frente da mesma.
Tenta brincar com o outro gato da casa, mas este não quer.
Durante a consulta, estava no colo da dona.
"Após o tratamento ele ficou mais calmo; antes ele era mais agressivo."
Está muito apegado com a dona.
"Parece que ele está descobrindo as coisas. Parece estar mais esperto."
"Agora, corre para o colo das visitas. Antes, ele tinha verdadeiro pavor de visitas."
Agora, senta no colo da dona.
Quando sua dona dormia fora de casa, ficava desesperado no outro dia. Agora, "não dá bola", indiferente. Antes, ficava quase "louco" quando dona voltava.
Parece que ficou mais seguro. Sua dona acha que antes estava muito dependente.
"Está muito independente, ele sabe o que quer."
Numa ocasião, a sua dona relatou que preferia quando ele era mais apegado com ela.
"Antes, ele gostava de se esconder, de se isolar. Agora, não se esconde, nem se isola mais. Geralmente, fica na cadeira ou no sofá."
"Agora, ele sabe mais os horários da casa (rotina, etc.)."
"Está bem mais esperto. Antes, ele era muito pacato, 'paradão'!"
"Só fez menção, mas não chegou a agredir. Antes do tratamento, agredia seguidamente."
O paciente está muito valente, seguro; nunca foi um gato assim. Luta pelo que quer, está se impondo mais: "Aqui é meu e pronto!". Antes ele era um gato muito acomodado.
Perdeu o medo da chuva e o medo de foguetes.
Medo de ruídos e trovões diminuiu bastante.
"Não ronca mais. Chegou a ronronar."
"Após o tratamento com Homeopatia, não apresentou mais agressividade."
"Reage muito bem ao andar de carro e de ônibus, nem mia mais!"


CONCLUSÕES

Este paciente apresentou periodos de melhoras significativas, intercalados com periodos de retrocesso e agravações. Segundo Célia Barollo, no livro "Aos que se Tratam pela Homeopatia":

"A evolução para a cura no tratamento homeopático não será contínua, principalmente nas doenças crônicas, sendo geralmente irregular e apresentando periodos de melhora e piora e a duração do tratamento é bastante variável." (BAROLLO, 1995, p. 59)

Avaliando a evolução deste paciente, observamos que ele apresentou diversas melhorias, especialmente em seu comportamento, como, por exemplo: passou a ser menos agressivo, principalmente com a sua dona, não a agredindo mais; ficou mais afetuoso com ela; melhorou sua sociabilidade, não se isolando mais, convivendo melhor com a sua dona, com outras pessoas (inclusive estranhas) e com outros animais da casa; tornou-se mais seguro e independente; melhorou significativamente do medo da chuva e de barulho; passou a gostar de brincadeiras; ficou mais esperto e com mais vivacidade. Enfim, tornou-se um felino com um alto grau de estabilidade, melhorando de forma consistente a sua qualidade de vida. Sob a ótica vitalista, podemos afirmar que o tratamento homeopático harmonizou substancialmente a sua força vital, acarretando em uma melhor adaptação ao meio em que vivia e as significativas melhorias expostas anteriormente.

Mas, o mais importante de tudo, sem dúvida alguma, é que o paciente teve a sua integridade física preservada (pois corria o risco de ter o seu membro posterior direito amputado, em decorrência da paralisia do mesmo), podendo, assim, desfrutar integralmente do potencial que a vida lhe proporcionaria, ao lado de sua dona. E isto vem de encontro ao que afirma Samuel Hahnemann, criador da Homeopatia, no parágrafo 9 do livro "Organon da Arte de Curar":

"No estado de saúde, a força vital imaterial (autocracia), que dinamicamente anima o corpo material (organismo), reina com poder ilimitado e mantém todas as suas partes em admirável atividade harmônica, nas suas sensações e funções, de maneira que o espírito dotado de razão, que reside em nós, pode livremente dispor desse instrumento vivo e são para atender aos mais altos fins de nossa existência."

Talvez os mais altos fins da existência deste gatinho fossem trazer alegria, companheirismo e felicidade à sua dona e a todos os que tiveram o privilégio de desfrutar de sua companhia em sua passagem por este planeta.


BIBLIOGRAFIA

BAROLLO, Célia Regina. Aos que se tratam pela Homeopatia. 7ª ed. São Paulo, Ed. Typus, 1995.

HAHNEMANN, Samuel. Organon da Arte de Curar. 6ª Ed. São Paulo, Ed. Robe, 2001.

KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986.

KOSSAK-ROMANACH, Anna. Homeopatia em 1000 Conceitos. São Paulo, Ed. El Cid, 1984.

MINOTTI, Angel Oscar. Traumatismos, Heridas, Complicaciones y Secuelas. Buenos Aires, Ed. Albatros, 1990.

PUSTIGLIONE, Marcelo. 17 Lições de Homeopatia. São Paulo, Ed. Typus, 2000.



Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

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