CASO DE FOBIA DE BARULHO EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA



CASO DE FOBIA DE BARULHO EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA - PARTE I


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR O VÍDEO.

Nome: Peta.
Espécie: Canina.
Raça: SRD.
Sexo: Feminino.
Data de Nascimento: 21/02/2002.
Idade na Primeira Avaliação: 7 anos e 9 meses.
Data da Primeira Avaliação: 24/11/2009.
Período de Acompanhamento: 1 Ano e 10 Meses.
Nº Avaliações: 7.
Atendimento na Liga Homeopática do Rio Grande do Sul.
Diagnóstico Relacionado à Queixa Principal: Fobia de Barulho.


* Introdução.

Atendi esta paciente na Liga Homeopática do RS, em Porto Alegre, fazendo parte de uma pesquisa que realizei durante 8 anos, em parceria com esta instituição, fundada em 1941, voltada ao tratamento de doenças crônicas e distúrbios comportamentais em caninos e felinos, em que todos os casos de pacientes atendidos foram amplamente documentados, inclusive em vídeo. Considero isto muito importante, no sentido de chancelar a veracidade deste trabalho, propiciando a mais absoluta credibilidade a esta pesquisa, em que utilizei uma metodologia própria, que venho desenvolvendo e aprimorando há mais de duas décadas, desde que concluí a minha especialização em Homeopatia.

Realizei minha especialização pela Sociedade Gaúcha de Homeopatia (SGH), entre 1992 e 1994. O curso preconizava uma abordagem unicista, a partir de uma concepção vitalista, baseada em Hahnemann, Kent, Paschero, entre outros autores clássicos. O objetivo consiste em tratar o doente como um todo, buscando a sua individualização. Considera-se os sintomas mentais (comportamento, nos animais), os sintomas gerais (que dizem respeito a todo o organismo) e os sintomas particulares (sintomas físicos, localizados nos diferentes sistemas orgânicos). Dessa forma, o tratamento homeopático deve ser específico para o doente, não para a doença que o mesmo apresenta. A partir de um profundo e minucioso estudo da totalidade dos sintomas do paciente, que o caracterizam como um indivíduo único, elege-se aquele medicamento homeopático específico que, por semelhança de sintomas com o quadro do paciente, colocaria a sua força vital em harmonia, ocasionando o desaparecimento dos sintomas e o restabelecimento da sua saúde.

Desde os primórdios de meu trabalho com Homeopatia em Medicina Veterinária, procurei seguir os ensinamentos de Samuel Hahnemann. Por exemplo, na questão de como conduzir a anamnese, o criador do sistema terapêutico que emprega o princípio da semelhança transmite a seguinte orientação:

"O paciente detalha a marcha de seus sofrimentos; os que estiverem perto dele relatam as suas queixas, como se comportou e o que nele notaram; o médico vê, ouve e observa com seus outros sentidos o que há de alterado ou fora do comum nele. Escreve com precsão o que o paciente e seus amigos lhe relataram, nas próprias expressões empregadas por eles. Mantém-se calado, deixando que lhe indiquem o que têm a dizer, evitando interrompê-los (cada interrupção corta a ordem de ideias dos narradores e não lhes ocorre de novo exatatamente o que teriam dito a princípio, sem a interrupção) a não ser que divaguem. O médico, no início do exame, avisa que falem devagar, de modo que possa escrever as partes importantes do que têm a dizer." (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, & 84)

É lógico que a anamnese em Medicina Veterinária é realizada com os tutores do paciente, que verbalizam, conforme a sua interpretação e entendimento, as queixas, sofrimentos e demais elementos que compõe o quadro do doente, peças fundamentais para a sua individualização. Procuro escrever com a maior precisão possível o que os responsáveis pelo paciente falam, procurando preservar as suas próprias palavras. Inclusive, neste caso transcrevo a anamnese justamente com as palavras da tutora da paciente. Considero isto relevante, no sentido de explicitar as dificuldades encontradas pelos médicos veterinários homeopatas, em transformar as informações fornecidas pelos tutores em sintomas, mediante uma linguagem repertorial. Um outro detalhe que julgo importante: quando o proprietário estiver falando sobre um determinado assunto, procuro não interrompê-lo e perguntar sobre outra coisa; pelo contrário, ouço com atenção e busco estimulá-lo a falar mais sobre o assunto, fornecer mais detalhes, sem pressa, sem pressão, de forma calma e tranquila, para que o mesmo se sinta à vontade e seus pensamentos fluam com mais desenvoltura, relatando de uma maneira mais precisa.

Hahnemann também aconselha a melhor forma do médico homeopata ordenar as informações durante a anamnese:

"Ele abre uma linha nova a cada circunstância diferente mencionada pelo paciente ou seus amigos, de modo que os sintomas estarão anotados separadamente, uns debaixo dos outros. Pode assim acrescentar outras coisas a qualquer deles que tenha sido primeiro relatado de modo vago e depois exposto de modo mais explícito." (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, & 85)

Samuel Hahnemann enfatiza, ainda, a importância de valorizar minúcias e detalhes durante a anamnese, além de não induzir o paciente (ou seu responsável) a respostas enganosas:

"Quando os narradores tiverem terminado o que tinham a dizer, o médico retorna, então, a cada sintoma em particular, e obtém informações mais precisas sobre o sintoma (...) E assim o médico obtém informações mais precisas sobre cada detalhe em particular, sem jamais, contudo, formular as perguntas de modo que sugira ao paciente a resposta sim ou não (...) do que resultará um quadro falso da moléstia, e portanto, tratamento inadequado. (HAHNEMANN, Organon da Arte de Curar, && 86 e 87)

Foi assim que aprendi e é dessa forma que procedo até hoje, durante a anamnese do paciente, preocupado somente em captar as informações do seu tutor, da forma mais precisa possível, além de procurar observar cuidadosamente o paciente.

A partir de 2009, introduzi um questionário sobre o paciente que deve ser respondido pelo seu responsável antes da primeira avaliação. Dessa forma, faço um estudo inicial do caso, complementando e acrescentando detalhes e informações durante a anamnese, além de proceder da forma que mencionei anteriormente. Considero que, assim, há um enriquecimento significativo de subsídios, sendo isto fundamental para uma melhor investigação, compreensão e tratamento de cada paciente.

Anamnese, observação e exame clínico. O próximo passo seria a prescrição medicamentosa? Considero que aqui está um grande diferencial de meu trabalho, pois reservo a prescrição para um momento posterior, após estudar de uma forma profunda, metódica e minuciosa o caso de cada paciente. Na minha opinião, considero isto fundamental para o sucesso do tratamento, embora nem sempre seja compreendido, pois, muitas vezes, os proprietários querem a prescrição do medicamento na hora da consulta. Mas não é assim que trabalho. Prefiro até ser rejeitado por uma parcela de clientes, mais imediatistas, ansiosos, que querem o medicamento (e até os resultados) "prá ontem"! Tudo bem, não é minha intenção agradar a todos. O mais importante é ter minha consciência tranquila, de que estou fazendo o melhor trabalho possível, dentro de minha proposta, proporcionando um atendimento de excelência e de qualidade, alcançando resultados altamente satisfatórios, atendendo somente pacientes cujos seus responsáveis compreendam a minha metodologia e valorizem meu trabalho. Pois nunca devemos esquecer que o tratamento pela Homeopatia deve ser específico para o doente, não para a doença (obs.: lembrando sempre que o foco de meu trabalho está no tratamento de quadros crônicos). Por isso a importância de realizar um estudo profundo, metódico e minucioso de cada paciente, procurando compreendê-lo como um todo, objetivando individualiza-lo. Assim, pacientes caninos diagnosticados com fobia de barulho (como foi o caso desta nossa paciente), poderão receber medicamentos diferentes. Dessa forma, com um tratamento individualizado e específico para cada paciente, aumentaremos a probabilidade de alcançarmos um alto grau de eficácia em nosso trabalho. É cansativo? É trabalhoso? Pode até ser, mas os resultados compensam totalmente, ao vermos nossos pacientes desfrutando de uma vida digna, saudável e de qualidade. Consequentemente, seus tutores ficarão felizes e plenamente satisfeitos.

Desde 1995, passei a assistir cursos e conferências do Dr. Masi Elizalde e do Dr. Juan Gomes, médico veterinário homeopata (ambos argentinos), trazendo para a Medicina Veterinária a Homeopatia de terceiro nível, proposta pelo Dr. Elizalde. Um aspecto que passei a utilizar foi a de agrupar os sintomas em temas. Como o leitor irá reparar, os sintomas deste caso estão agrupados exatamente em determinados temas, representados por diagnósticos: fobia de barulho, comportamento de busca de atenção, submissão passiva, etc.


PRIMEIRA AVALIAÇÃO: 24/11/2009.

* Queixa Principal: “Reações de medo e pânico com trovoadas, foguetes e agora até com carro de som.”

* Fobia de Barulho.

“Fica agitada com os estrondos, começa a arranhar portas e janelas, chora e, em algumas ocasiões, até vomita.”
“Apresenta medos: por trovoadas, foguetes e, ultimamente, por carros de som.”
“Apresenta medo de temporais, trovões, estrondos e rojões.”
“Tentei todos os florais p/ medo e pânico, sem nenhuma melhora.”
“Agora, fica apavorada até com carro de som, querendo entrar desesperadamente pela porta e pela janela!”
“Se eu não der guarida, ela fica insistindo. Já arrancou porta p/ entrar, fez o maior estrago! Às vezes, ela chega a vomitar de tão desesperada que fica!”
“A Peta fica enlouquecida com temporais! Mas se entrar p/ dentro de casa, sente-se segura e fica tranquila.”
“Mesmo com cornetas de jogos, barulhos até corriqueiros, ela já sofre imensamente e entra em pânico!”
“Notei que apresentava medo de barulho quando ela tinha em torno de 1 ano de idade!”
“A Peta sempre teve medo de trovoada, mas não com esse desespero de querer entrar em casa!”
“No ano novo, ficou tão desesperada com o estrondo dos fogos de artifício, que tentou entrar dentro de casa na marra, e acabou ficando com metade do corpo preso na grade da porta.”
“Agora está tendo esse comportamento até com carro de som, com a sirene do carro dos bombeiros: começa a arranhar a porta e a janela, fica no desespero, querendo entrar!”
“Estou preocupada, pois o problema do medo está se agravando!”
“Interessante é que ela não mostra medo do som de ambulância.”
“Mas sempre fica desse jeito, entra em crise, com foguetes e trovões!”
“O que modificou é que nos últimos anos tenho passado o Natal e o ano novo fora de casa; aí ela começou a piorar, porque não tinha mais a minha presença p/ se sentir segura!”
“Eu noto que o que a Peta quer e precisa é se sentir segura!”
“No último temporal, eu não estava em casa; imagina o susto que ela passou!”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“Tem dias que a Peta é uma sombra comigo; ela vai aonde eu vou!”
“A Peta está bem se eu estou por perto!”
“Fica deitada embaixo da janela onde eu estou!”
“Para dirigir é um sufoco, fica sempre querendo por a pata em mim!”
“A Peta não se contenta em ficar sentada ganhando carinho; quer sempre receber mais carinho... mais carinho... Ela pede com a pata!”
“Quando chego em casa, os outros bichos vem fazer festa p/ mim, mas a Peta tem que ser a primeira; ela se mete na frente dos outros, pois quer toda a atenção p/ ela!”
“A Peta sempre quer receber mais carinho! Ela não se contenta!”
“Quando estou pelo pátio, tem o hábito de me seguir por onde ando, como se fosse uma ‘sombra’!”
“Gosta de ser consolada!”
“Quando quer algo, é muito insistente!”
“Gosta muito de receber carinhos e afagos; pede sempre!”
“Com pessoas estranhas, aceita numa boa e se dá ‘super-bem’! Agora, se começam a dar muita trela p/ ela, a Peta começa a querer subir no colo das pessoas botar as patas, pedindo carinho!”

* Ansiedade de Separação.

“Teve uma época que eu viajava muito, às vezes ficava uma semana fora. Um vizinho ia 2 a 3 vezes por dia visitá-los, dar comida p/ os bichos, ver se estava tudo bem com eles; e eles gostavam. Ele disse que a Peta quase não comia, e ele tinha que ficar junto p/ ela comer.”
“O que a Peta mais gosta de fazer é brincar com os outros cães, quando estou pelo pátio.”
“A Peta sente-se pior quando não estou por perto p/ socorrê-la!”
“O que a deixa melhor? Abrir a porta p/que ela entre ou simplesmente ficar conversando com ela pela janela.”
“Algumas vezes, quando recusa a ração do fim da tarde, tenho que ficar perto do prato p/ que ela coma um pouco.”

* Submissão Passiva.

“A Peta é meio submissa à mãe dela. A mãe fica mordiscando, lambendo ela, e aí a Peta se encolhe! Sua mãe é castrada e apresenta nódulos mamários.”
“Mas quando a Peta entra no cio, ela fica irritada, agressiva, porque a mãe fica incomodando; quando vejo, as duas estão se pegando, é uma briga feia, fica uma rosnando p/ outra! Sempre que a Peta entra no cio, ocorrem essas desavenças!”
“Ao ser contrariada, submete-se passivamente.”

* Micção Submissa.

“Com repreensões, já se encolhe toda; às vezes, até faz xixi.”
“Com xingamentos e gritos, fica triste e emburrada!”

* Vocalização Excessiva.

“Costuma gritar histericamente!”

* Vômitos.

“Nunca notei ela vomitar após tomar água.”
“Apresenta vômitos só quando ela entra em pânico!”

* Outros.

“A Peta é filha de uma cadela que me adotou! Nasceram 5 filhotes; a mãe era cor de mel, como os demais filhotes; a Peta era a única que tinha a cor preta.”
“Levei p/ ser adotada na agropecuária; foi a última a ser levada, tinha 4 meses de idade. Mas berrou por uma hora lá e tiveram que colocá-la nos fundos da loja. Ela gritava e berrava na agropecuária. Tive que trazê-la de volta p/ casa; a Peta me ganhou literalmente no grito!”
“A Peta entra no cio, mas não tem cão macho p/ cruzar com ela!”
“O cio é regular, acho que não sangra muito; vivemos num sítio, é muito grande o local p/ controlar!”
“Gosta de brincar com outros cães, quando está no pátio!”
“Foi introduzido um cãozinho novo em março, tinha uns 4 meses; a Peta aceitou ele bem!”
“Uma vez, colocaram uns filhotes de gatinhos na frente de casa, aí a Peta veio me avisar! Só que a mãe dela ficou furiosa e conseguiu puxar um gatinho pela tela. A Peta chorava desesperada! Mas consegui salvar o gatinho!”
“A Peta fica desesperada se acontece alguma coisa com os outros bichos, sejam cães ou gatos; ela fica preocupada, quer protegê-los!”
“Come 2 vezes por dia, comida e ração. Às vezes, não quer comer a ração.”
“Dou Hescue p/ ela (floral).”
“O que mais detesta é tomar banho.”
“O apetite é normal, mas, algumas vezes, não quer comer a refeição do fim da tarde. Adora comer arroz com carne.”
“Acho ela calma e obediente! Gosta de receber carinho, ir p/ o colo, brincadeiras. Adora ser elogiada!”
“Tem simpatia por pessoas estranhas.”
“Acorda facilmente.”
Nenhuma doença anterior. Fezes , sede, micção e urina: s/a.
Opacidade de córnea bilateral.


CONSIDERAÇÕES

Desenvolvi a análise do caso baseado na totalidade sintomática característica da paciente, enfatizando a questão da fobia de barulho. Em Homeopatia, os sintomas são fundamentais para a abordagem, compreensão e tratamento do indivíduo doente, servindo, ainda, de parâmetro para a avaliação de sua evolução. Quanto mais detalhes e minúcias encontrarmos a respeito dos sintomas do paciente que estamos estudando, maiores subsídios teremos para compreendê-lo, aumentando a probabilidade de que a evolução seja satisfatória.

Efetuei a repertorização da paciente, com posterior estudo comparativo dos sintomas apresentados pela mesma e os sintomas dos medicamentos com melhor pontuação na repertorização, pelo estudo em diversos livros de matéria médica homeopática. Após profunda e criteriosa análise, optei por um único medicamento, que, no meu entendimento, estaria mais adequado ao tratamento da paciente. Ou seja, a totalidade sintomática despertada por este medicamento, em indivíduos saudáveis (sintomas compilados em matérias médicas homeopáticas) seria a mais semelhante ao conjunto de sintomas apresentado por esta paciente.

OBSERVAÇÕES

A Homeopatia possui uma concepção diferenciada, em termos de ser vivo, saúde, doença, diagnóstico, terapêutica e cura. Por isso, adotei o critério de não revelar o medicamento prescrito à paciente, a fim de evitar induções equivocadas. Sempre é necessário ressaltar que o tratamento homeopático deve ser específico para o indivíduo doente, não para a doença que ele apresenta, seja de ordem física ou comportamental (como é o caso desta paciente), levando-se em consideração a sua unidade (o doente é concebido como um todo indivisível) e individualização, pois cada paciente deve ser abordado e compreendido como um ser único, original e exclusivo. Portanto, cada caso é um caso diferente, autêntico e inédito. Samuel Hahnemann, criador da Homeopatia, no parágrafo 6 do Organon da Arte de Curar, fala em "Observador imparcial, livre de preconceitos". Jame Tyler Kent afirma que "É muito importante para o homeopata estar livre de preconceitos, pois, desta maneira, evita obstáculos que o impeçam de raciocinar, sendo necessário evitar outras opiniões, pois estas opiniões confundem e desfiguram a compreensão dos casos, sendo que, quanto maior a autoridade científica possua o homeopata, menor será o seu preconceito" (KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986, p. 47). Sem Preconceito, neste caso, refere-se ao fato de o homeopata, ao atender um paciente, sempre considerá-lo único e inédito, não deixando-se influenciar por outros casos semelhantes e/ou possuidores de patologias com o mesmo diagnóstico clínico clássico, que, porventura, já tenha atendido anteriormente. Considero ser este o verdadeiro caminho da arte de curar pela Homeopatia, para que possamos alcançar o mais alto grau de excelência em nosso trabalho.

Também adotei o critério de omitir os sintomas repertorizados. Tenho a opinião de que a Homeopatia é uma arte e que o tratamento estabelecido para cada paciente estará de acordo com o conhecimento e a experiência que o homeopata possua. Portanto, considero que a compreensão de cada paciente é muito individual, estando de acordo com o histórico, o estudo (ou seja, a metodologia empregada, tendo por base determinada escola homeopática) e a prática de cada profissional. Em mais de duas décadas de estudo, pesquisa e experiência clínica em Homeopatia, venho desenvolvendo e aprimorando uma metodologia própria, sendo a mesma que empreguei neste estudo para avaliar a eficácia da Homeopatia em caninos e felinos, que realizei durante 8 anos, com resultados altamente satisfatórios. Demonstro, na prática, os fundamentos desta metodologia, através da apresentação de diversos estudos de casos clínicos, alguns, inclusive, em vídeo, no Curso que disponibilizo: "Uma nova visão sobre Homeopatia - proposta de metodologia para uma Homeopatia eficaz".

Esta metodologia própria que utilizo não nasceu por soberba ou vaidade, mas pela mais autêntica necessidade, até pela consciência que tenho de minhas dificuldades e limitações (assim como cada um de nós, seres humanos, também apresenta as suas). É a forma que encontrei de me sentir mais à vontade, com mais condições e encontrando mais facilidade para desempenhar meu trabalho, a fim de alcançar as metas estipuladas, com mais segurança e eficácia. Na verdade, tudo foi ocorrendo muito naturalmente, sem pressão ou atropelos, pois sempre procurei ser muito metódico ao estudar o caso de cada paciente, tendo por finalidade proporcionar ao mesmo saúde, bem-estar e qualidade de vida. Tenho por característica priorizar sempre a qualidade em meu trabalho e a consistência de resultados, mesmo que isso acarrete em uma menor velocidade, com os objetivos sendo alcançados em médio ou longo prazo. Talvez, isso resuma a minha atuação, nestes quase um quarto de século de dedicação ao estudo e trabalho com Homeopatia em Medicina Veterinária, pois sempre considerei uma responsabilidade muito grande estar imbuído da faculdade de tratar e curar os nossos animais. Costumo brincar que o meu maior defeito, a teimosia, também seja a minha maior virtude, a persistência. Decidi estudar Medicina Veterinária não por status, dinheiro ou falta de alternativa, mas porque sempre gostei e me identifiquei com os animais, tratando-os com carinho, respeito e compaixão. E, posteriormente, me especializei em Homeopatia justamente por não me conformar que tantos seres puros e indefesos sejam condenados em diversos sentidos, ou por esgotarem-se os recursos terapêuticos da Medicina Clássica ou, até mesmo, por falta de compreensão, por parte de nós, seres humanos, que os nossos grandes amigos animais também possuem inteligência, sentimentos e emoções. Por exemplo, condenar um animal à eutanásia, seja por qual motivo for, sempre me causou grande revolta, indignação e repugnância. Confesso que não consigo lidar de forma racional com isso! Até porque, na minha opinião, condenar um animal à morte não tem nada de racional! Mas existem outras formas de condenação, como sujeitar um animal a levar sua existência acometido por determinada doença, comprometendo a sua qualidade de vida. Por isso, a minha opção em estudar a Homeopatia, para ajudar os nossos queridos amigos animais a terem uma vida mais digna, saudável e de qualidade. Sem falar na possibilidade de salvá-los de uma morte prematura e irracional.


SEGUNDA AVALIAÇÃO: 19/01/2010 - 1,5 mês após.

* Fobia de Barulho.

“Iniciei em 04/12 a medicação homeopática.”
“Natal e Ano Novo passou meio assustada com os foguetes, fogos, aquele barulho todo!”
“Nas festas desse final de ano, botei ela mais cedo p/ dentro!”
“Com o carro de som, parece menos assustada, pois não está arranhando tanto a janela, pedindo p/ entrar, como antes!”
“Com o barulho do carro de som, melhorou bem mais, não vem mais p/ janela!”
“Com trovoada, continua meio assustada, quando o estrondo é muito violento! Com outras trovoadas mais leves, não se assusta tanto!”
“Com trovões, agora fica olhando; antes, vinha correndo p/ dentro! Não tem mais raspado a janela, como fazia antes!”
“Com foguetes, não vem mais correndo. Quando dá aquele ‘assobio’, que soltaram o foguete, aí fica meio alerta. Parece mais tranquila com o barulho dos foguetes; está aguentando mais tempo, sem entrar.”
“No Ano Novo, ficou na rua após a meia-noite; continuavam a soltar foguetes e a Peta ficou bem na rua, tranquila! Se fosse antes, ela ia logo p/ dentro!”
“Avalio em 50% a sua melhora no medo de trovões!”
“Com o carro de som, teve melhora de 60-70%.”
“Ela reclama, dependendo da intensidade do barulho! Vai p/ janela, arranha a porta e a janela, chora!”
“Com fogos, foguetes, melhora de 50%!”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“Continua um grude comigo; é a minha ‘sombra’! Sempre querendo pôr a pata em mim!”
“Eu não chego a passar a mão na cabeça dela; a Peta é que tem que pôr a para em mim!”
“A Peta é intensa!”
“Tem uma carência muito grande! Não se satisfaz com os afagos que dou p/ ela, quer sempre mais, e mais, e mais...”

* Submissão Passiva.

“Brigou duas vezes com a mãe dela, uma vez estava no cio. Logo após, se isola!”

* Outros.

“Teve fase que a orelha direita sangrava muito; era muito sangue! Levei no veterinário, mas não tinha nenhum corte, ferimento. Tinha um sinal de carrapato, uma manchinha. Recebeu medicação p/ carrapato. Acho que foi entre o Natal e o Ano Novo.”
“Numa época, ela tinha bastante carrapato. Ela já vinha recebendo um carrapaticida há uns 2 meses.”
“Não é muito chegada nos gatos; com os outros cachorros, brinca um pouco, mas é reservada. Tem um cão pequeninho (Maxi, 1 ano), que é a sombra dela.”
“Quando está estressada, perde pelos.”


TERCEIRA AVALIAÇÃO: 25/03/2010 - 2 meses após, total de 4 meses de tratamento homeopático.

* Fobia de Barulho.

“Continua assustada com trovões!”
“Mas, agora, a Peta só pede socorro p/ entrar quando o raio, o trovão é muito violento! Senão, ela fica bem!”
“Não está mais assustada com o carro de som! Com o carro de som, não gritou mais! Teve melhora de 100%!”
“Não pode ouvir sirene de bombeiro: chora e uiva, vem p/ janela (e o outro cachorrinho vem junto). Ela parece um lobo uivando!”
“Com foguetes, não tem mais problema!”
“Com trovões, ela continua melhorando, só se assusta com estrondos muito fortes, daqueles que até a gente se assusta! Está ficando mais tempo sem pedir socorro.”
“Teve um episódio, que ela entrou, porque os estrondos eram horríveis! Depois que passou, a deixei na área, porque os trovões não eram mais tão fortes e ela ficou bem tranquila, bem quietinha e relaxada! Antes, ela se assustava com esses trovões ‘normais’, mas agora, não!”
“Antes da Homeopatia, com trovões e carro de som, a Peta ficava totalmente descontrolada, arranhava a janela, queria entrar, ficava com a respiração ofegante! Agora, só se assusta desse jeito se o trovão for muito intenso, daqueles que ‘treme tudo’. Antes, ela ficava nesse estado bem mais seguido!”
“Minha avaliação é que está bem menos intenso o medo que ela tem dos barulhos! No mais, está bem; o carro de som não atrapalha mais, ela nem dá bola! Com foguetes, se assusta muito pouco agora. Reação a trovoadas, diminuiu.”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“Continua pedindo colo, atenção, é um grude! A Peta é muito grudenta comigo, é a minha ‘sombra’!”
“Continua sendo a minha ‘sombra’, está sempre atrás de mim!”
“Gostaria que diminuísse a ansiedade dela, de receber carinho. Ela quer mais e mais e mais...”

* Submissão Passiva.

“Só ficou braba com a mãe dela duas vezes, talvez estivesse no cio.”

* OUTROS.

“Está comendo bem!”
“Arrumou outro cachorrinho de ‘sombra’ dela! Desde março/2009, adotei esse cachorrinho, o Maxi, chegou com uns 3 meses de idade. Brincam os 3, tem ainda a outra cadelinha. A Peta está sempre junto com o Maxi, até dormem juntos. Não modificou o comportamento dos medos e de estar grudada em mim, após a chegada do Maxi.”
“A orelha não sangrou mais.”
“Hoje, quando saímos de casa, estava bem ‘elétrica’; ficou nervosa no trânsito, aí fui conversando com ela e foi se acalmando!”
“Quando dorme, fica com a ponta da língua p/ fora.”
“O cio é regular, mas parece que está ficando um pouco mais alterado, pois o sangramento já não é tão intenso.”
Opacidade de córnea bilateral: s/a.


QUARTA AVALIAÇÃO: 13/07/2010 - 3,5 meses após, total de 7,5 meses de tratamento homeopático.

* Fobia de Barulho.

“Continua com medo de foguetes! Aí eu ponho p/ área de serviço e fica bem, tranquila!”
“Teve período em que estava bem mais calma.”
“Com a Copa do Mundo ficou mais agitada! Tem medo com trovoadas.”
“A Peta passou por período em que estava bem mais tranquila; a piora coincidiu com a Copa do Mundo.”
“Teve uns dias de ventania, ficava na porta, assustada, querendo entrar! O tempo estava se armando p/ temporal.”
“Durante o período que recebeu o medicamento, estava tranquila!” (Obs.: última dose foi administrada há 2 meses atrás.)
“Fiquei 20 dias fora, viajando; quando voltei, a Peta estava pior!”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“Continua grudada em mim! Mas teve época que esteve mais tranquila, não tão grudada!”
“Hoje a Peta está excitada, está um grude máximo!”

* Outros.

“Entrou no cio e isolou-se dos outros cães, não queria dormir no canil. Outro cão é castrado. Dormiu embaixo do banco. Quase duas semanas de isolamento. O cio terminou há 5-6 dias.”


QUINTA AVALIAÇÃO: 05/10/2010 - 2,5 meses após, total de 10,5 meses de tratamento homeopático.

* Fobia de Barulho.

“No domingo, soltaram muitos foguetes, arranhou a porta, mas logo se acalmou! Não dei bola p/ ela, aí ela voltou p/ os fundos e ficou quietinha. Antes, mesmo quando os foguetes paravam, queria entrar desesperadamente! Agora, quando os foguetes pararam, se acalmou!”
“Com trovões, tem que ser dos muito violentos p/ se assustar. Está melhorando do medo de temporais e trovões; não está tão assustada! Antes, se ouvia trovoada, já saía correndo!”
“Está enfrentando melhor os foguetes e trovões; a Peta está melhorando!”
“Avalio em torno de 50% a melhora do medo de barulhos! Acho que está começando a ficar normal! Está mais tranquila, aceitando melhor a situação, adaptando-se mais facilmente!”
“AS CRISES DE PÂNICO POR ESTRONDOS NÃO ACONTECEM MAIS! Só quando trovoadas são muito fortes, em que todos ficam com medo!”
“Quanto ao medo de barulhos, as melhoras estão ocorrendo gradativamente! Não está mais aflita! Não vejo mais as marcas das suas patas nas janelas e na porta, está bem mais calma!”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“Quando dirijo, não me atrapalha mais com a pata, fica quietinha! Só a respiração fica ofegante, tremendo; na volta, está mais tranquila, dorme!”
“Continua sempre querendo mais carinho!”
“Se mete na frente dos outros cães; é só eu passar a mão na cabeça dos outros cachorros, ela já se mete na frente, querendo toda a atenção p/ ela!”
“Com estranhos, continua a mesma coisa; se dão trela, quer subir no colo das pessoas, pedir carinho c/ a pata.”

* Ansiedade de Separação.

“Daquela ansiedade de estar junto, de ser a minha sombra, está mais tranquila! Antes, ficava o tempo todo atrás de mim; agora, fica esperando quietinha na área de serviço, que eu abra a porta p/ ela! Antes, a Peta ficava o tempo todo atrás de mim!”
“Não me segue mais como uma ‘sombra’ pelo pátio.”
“Está deixando de ser a minha sombra; mas, se saio na rua, é uma festa, fica em volta!”

* Submissão Passiva.

“Eu não preciso nem gritar com ela, é só dizer: ‘Quem foi que fez isso?’, aí a Peta já vai p/ a sua casa, com o rabo entre as pernas. Ela se acha culpada de tudo!”
“Agora ela enfrenta a mãe dela por comida, põe ela p/ correr! Isso começou a acontecer de 1 mês p/ cá! Não fazia isso antes!”

* Vômitos.

“As crises de pânico por estrondos não acontecem mais! Vomitava quando entrava em pânico; nunca mais aconteceu!”

* Outros.

“Brinca muito com o cachorrinho pequeno e a mãe dela!”
“Continua preocupada com os outros bichos. Achou que o cão menor (Maxi) tinha machucado um gatinho, ficou preocupada; mas viu que era brincadeira e relaxou!”
“De uma semana p/ cá, está lambendo muito as patas de trás, no MPD.”


SEXTA AVALIAÇÃO: 15/03/2011 - 5 meses após, total de 1 ano e 4 meses de tratamento homeopático.

* Fobia de Barulho.

“Com barulhos, está mais corajosa! Só fica assustada quando o estrondo é muito forte! Antes, quando começa a trovejar, já queria entrar. Está bem mais tranquila com os foguetes e trovões!”
“Da última avaliação p/ cá, melhorou ainda mais!”
“Nas festas do final do ano, passou tranquila! Passei em casa. Nos outros anos, eu passava fora; quando voltava, estava tudo bagunçado, sujo...Numa vez que ela passou fora de casa, foi um horror, entrou em pânico!”
“Nestas festas de final de ano, a Peta passou muito bem. AVALIO EM 80% A MELHORA DELA COM OS ESTRONDOS!”
“Dou nota 8 p/ o tratamento homeopático!”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“A carência aumentou um pouco. É a minha ‘sombra’! Não tenho dado tanta atenção p/ ela porque voltei a trabalhar há 1 ano. Agora, 2 dias por semana tenho folga!”
“Acho até que a carência aumentou, mas passei a trabalhar fora. Ela fica mais carente quando eu chego, à medida que o tempo passa, vai se acalmando!”
“A Peta não tem medida! Quer mais carinho, sempre mais...”
“Se os outros cães vem p/ perto de mim, ela mete-se na frente p/ pedir carinho.”
“É ciumenta, possessiva; acho que está intenso!”

* Submissão Passiva.

“Está agressiva com a mãe dela, se ‘pegaram’ mesmo, foi feio! Geralmente, uma vez por ano acontece! Acho que é por disputa de território. A mãe dela acha que o território é dela, não deixava a Peta entrar no canil. Normalmente, a Peta botava o rabo entre as pernas e saía. Afastou-se totalmente do bando.”
“Na questão de submeter-se à mãe dela, as desavenças ocorrem por disputa de território; ficam rosnando uma p/ outra, isso é recente. A Peta ultimamente está tentando se impor mais, rosna p/ mãe dela, já não submete-se tanto! Agora, ela tenta ir comer nos pratos dos outros.”

* OUTROS.

“Max, o cachorrinho, estava sempre atrás dela; meio que se afastou dela, agora.”
“Voltou a dormir dentro do canil.”


SÉTIMA AVALIAÇÃO: 13/09/2011 - 6 meses após, total de 1 ano e 10 meses de tratamento homeopático.

* Fobia de Barulho.

“Continua igual, carente, medrosa! Arrumei cão menor, que chora com os raios e trovões! É o companheiro dela, e a Peta entra no ‘embalo’ dele! Uivam com a sirene dos bombeiros.”
“Estava mais tranquila, antes!”
“Talvez a Peta esteja assim p/ acompanhar o outro, que vem primeiro na porta, depois vem a ‘mãezona’, p/ fazer companhia.”
“Não sei se teve retrocesso no medo de barulhos, ou entra no embalo do pequeno!”
“O problema é a sirene dos bombeiros, não é polícia, nem ambulância.”

* Comportamento de Busca de Atenção.

“Carentona!”
“Acho que está mais carente, principalmente no cio. Fica mais ao meu lado.”
“Ciumenta e possessiva!”

* Ansiedade de Separação.

“P/ a Peta comer, eu tenho que estar do lado dela! Se saio de perto, ela vai atrás de mim!”

* Submissão Passiva.

“Tem se estressado com a mãe dela, por disputa de território; ficam se rosnando uma p/ outra, se pegaram!”
“Quando a Peta entra no cio, a outra fica enlouquecida, podem até se machucar, se eu não estiver em casa!”
“Se uma olha p/ outra, ficam rosnando o tempo todo, uma cuida do prato da outra.”
“Só não vai comer nos pratos dos outros cães se eu estiver junto, cuidando!”
“O que mais me preocupa é a agressividade com a mãe dela! Antes era a mãe que era mais agressiva, agora é a Peta que é agressiva!”
“Mãe dormindo do lado de fora por causa dela.”

* Outros.

“De um mês p/ cá (último cio), fica encolhida em frente do prato; come um pouco e para!”
“Passou uns 4 dias sem comer à noite (já tinha passado o cio).”

Para continuar lendo este artigo, clique em:

CASO DE FOBIA DE BARULHO EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA - PARTE II



Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

www.celsopedrini.com.br

CONTATO: celsopedrini@terra.com.br