CASO DE DISTROFIA MUSCULAR EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA



CASO DE DISTROFIA MUSCULAR EM CANINO TRATADO PELA HOMEOPATIA


M.V. Celso Affonso M. Pedrini

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Espécie: Canina.
Raça: Poodle.
Sexo: Feminino.
Data de Nascimento: 30/07/1992.
Idade na Primeira Avaliação: 7 anos e 9 meses.
Data da Primeira Avaliação: 17/04/2000.
Período de Acompanhamento: 2 Anos e 4 Meses.
Atendimento domiciliar.
Diagnóstico Relacionado à Queixa Principal: Distrofia Muscular.


* Introdução.

Atendi esta paciente sob forma de atendimento domiciliar. Sua tutora estava bastante desiludida com o tratamento convencional pois, após a paciente passar por diferentes profissionais, não ocorreu uma melhora significativa da mesma. Pelo contrário, o seu quadro agravou-se ainda mais, sendo, por fim, indicada a eutanásia da paciente. Entretanto, sua tutora, inconformada com esta sentença de morte para a sua amiguinha, recorreu, como último recurso, ao nosso tratamento homeopático.


PRIMEIRA AVALIAÇÃO: 17/04/2000.

* Queixa Principal: Claudicação e incoordenação motora, devido à atrofia muscular em membros posteriores; em crise, ocorrência de quedas, com impossibilidade de caminhar.

* Incoordenação motora e claudicação.

Iniciou no final do ano de 1996, com a chegada de outro cão (filhote). Até então, era a única fêmea, mimada. Em uma ocasião, este cão fugiu, e a paciente passou a apoiar o membro posterior esquerdo no chão, o que normalmente não ocorria.
Passa por um período muito grande com o MPE levantado, sem apoiá-lo no chão; proprietária relata que chega a levar uns 6 meses para "baixa-lo".
Claudicação é contínua: "Está sempre com a perna alta!"
Exame radiográfico: s/a. "Depois de um tempo, fizemos outro raio x e apareceu bico de papagaio. Seria consequência do quadro dela?"
"Para fazer xixi, apoia-se nas patas da frente, fica meio agachada, meio de pé."
"Esse quadro todo acabou causando atrofia de seus membros posteriores. Por isso é que ela não consegue andar direito."
"Ela apresenta atrofia de seus membros posteriores por causa da claudicação."
"A sua pior crise foi em julho do ano passado: fomos viajar e ficou sozinha em casa, não se mexia. Quando ela fica muito tempo sozinha é que apresenta estes sintomas."
"A crise é desencadeada por umidade."
"Não apresenta sintomas de dor."
"Na crise, caminha e cai, cai sentada; fazendo cocô, cai em cima, se suja toda, não consegue levantar, é um horror. Ela entra em pânico, aí é que não levanta mesmo! Leva uns 2 dias para este quadro passar, gradativamente."
"Para fazer xixi, quando está em crise, levanta e faz de pé; fora da crise, apoia o MPE."
"Eu noto que no verão, quando está calor, o problema diminui."
"Eu gostaria que este problema estacionasse, que ela não piorasse ainda mais!"
"Quando vai prá estética, na volta entra em crise, despenca. Quando contrariada, cai, não caminha. Eu acho que ela sente-se agredida, abandonada! Isso é que desencadeia a crise!"
"Não consegue subir em cadeiras e sofás; desce degraus, às vezes, cai, mas não consegue subir."

* Mimada.

É muito apegada com os seus donos.
Não admite ficar no colo de ninguém, quer é o colo da dona; também vai para o colo de seu dono, mas prefere mesmo é o colo de sua dona.
"Ela entra em pânico se não nos vê!"
"Se não quer comer, vira a cara, pode até ser um filé! Eu acho que é para chamar a atenção... Ela gosta de fazer chantagem!"
"Está sempre junto conosco, vai sempre atrás de nós!"
"Ela não fica no chão, só no colo!"
"Antes, quando viajava, a levava junto; agora, faz em torno de um ano que não a levo mais."

* Possessiva.

"Ela é muito possessiva comigo! quando está no meu colo, fica me segurando com a sua patinha!"
Não deixa outros cães da casa chegarem pero de seu prato.
sempre foi independente, mas antes era mais.

* Nervosismo.

"Ela se coça quando fica nervosa; tem dermatite!"
“Quando fica nervosa, despenca, patas caem, não quer comer... Nós imploramos para que ela coma, damos comida na boca dela!"”

* Transtornos por Abandono, Desejo de Companhia.

"Entra em pânico se não nos vê! Quer ficar sempre junto de nós. Se puder, está sempre conosco!"
"Raramente fica sozinha em casa, mas se isso acontece, não faz arte, só fica meio triste."
"Entra em crise quando volta da estética."

* Insistente, Teimosa.

"Ela sabe o que quer. Não obedece quando quer alguma coisa."
"Ela é que decidiu ir fazer xixi e cocô na rua."

* Relação com Estranhos.

Late para pessoas e cães que passam na rua. Mesmo quando está em crise, vai até o portão com a maior dificuldade."
“Não vai no colo de estranhos. Faz aquele chorinho característico só para as pessoas que conhece."

* Relação com outros Cães.

"É totalmente indiferente aos outros cães da casa. Não os aceita, não quer que cheguem perto, mas também não briga. Não aceita que eles subam na nossa cama; mas ela dorme na cama."
"Rosna para os outros cães, aí eles respeitam; mas não briga."
"Tem ciúme dos outros cães."
Durante a consulta, ela estava no colo de sua dona, quando apareceu um outro cão, da raça Maltês, todo faceiro, querendo também subir no colo da dona, e a paciente ficou olhando "de lado", demonstrando não estar gostando da situação. Quando ele pediu para subir, apoiando-se na dona, a paciente latiu braba para ele. Esta situação, além de evidenciar o egoísmo característico da paciente, também demonstrou a questão da exclusividade exigida por ela.

* Relação com os Donos.

"Quer sempre estar junto com a gente!"
"Quando chegamos, ela sempre vai nos receber no portão, com festa, late bastante! Se está em crise, ela pode até cair e ir se arrastando, mas sempre vai nos receber."
"Ela observa quando acordamos, para ficar junto. Ela respeita, espera acordarmos."
"No carro, fica quieta no meu colo. Se está no banco do carona, tem que ficar de mão comigo! Ela parece muito insegura!"
"Quando saímos de casa, não vai atrás chorando."
"Se contrariada, fica só olhando, não dá bola para xingamentos."

* Prurido.

"Ela tem dermatite."
Crises de prurido quando passa por alguma situação que a deixe nervosa. Nessas ocasiões, também aumenta a claudicação.
Associado às crises.
"Tem otite, coça os dois ouvidos; piora quando está em crise."

* Outros.

"Ela foi adotada com 1 ano de idade. Os antigos donos queixavam-se que ela era muito possessiva, temperamental."
"Em um período teve aumento de peso, talvez pelo excesso de corticóides que recebeu para tratar o problema nas pernas. Agora, o peso diminuiu mais."
"Estalos na boca de noite, cerra os dentes, como se os mordesse. Parece que a arcada dentária sai do lugar. Isso acontece dormindo e acordada."
"É chata para comer, sempre foi assim. Prefere comida, mas coloco um pouco de ração junto."
"Nunca cruzou, foi castrada após o segundo cio; depois da cirurgia, levou 24 horas para acordar."
"Há 1 ano, começou a ter crise de fazer xixi dormindo. Foi feita reposição hormonal; 24 horas depois os sintomas sumiram."
"Já teve um 'falso' cio."
"Apresenta vômitos por corticóides."


CONSIDERAÇÕES

Tive formação unicista clássica, baseada em uma concepção vitalista, em que o objetivo consiste em encontrar um único medicamento capaz de colocar em ordem a força vital do paciente, através de um profundo e minucioso estudo da totalidade de seus sintomas. Ou seja, deve-se eleger um medicamento homeopático específico para tratar o doente em questão. Assim, é preciso compreender cada indivíduo doente em sua totalidade, buscando individualiza-lo. Portanto, o tratamento homeopático deve ser específico para o doente, como um todo, não apenas para a doença que ele manifesta. E foi exatamente isto que fiz em relação a esta paciente. Chamarei este medicamento, que tem por objetivo tratar a paciente em sua totalidade, de Medicamento "A".

Entretanto, as graves crises de incoordenação motora e claudicação, que traziam um grande prejuízo à saúde e bem-estar da paciente, além de comprometer substancialmente a sua qualidade de vida, levaram-me a buscar também um medicamento específico para tratar o quadro em questão, através do estudo dos sintomas apresentados pela paciente. Que será chamado de Medicamento "B".


ALGUMAS OBSERVAÇÕES PERTINENTES

Clique Aqui.


Contato Telefônico: 26/05/2000.

"No início, notei que ela melhorou mais, principalmente depois que começou a tomar o medicamento 'A'."
"Depois ela começou com altos e baixos"
"Ela caminha travada, não consegue comandar as perninhas."
"Mas o temperamento parece melhor."
"Piorou da dermatie nos últimos 10 dias; quando me vê, se coça!"


SEGUNDA AVALIAÇÃO: 15/06/2000 - 2 meses após a Primeira Avaliação.

"Quando toma o Medicamento 'A', eu acho que ela fica mais esperta, os olhos ficam com mais brilho!"
"Com o Medicamento 'B', ela está conseguindo caminhar melhor, agachar-se melhor. Raramente faz xixi de pé, já está conseguindo se abaixar. Às vezes, até levanta a perna, o que não fazia."
"Ela sempre foi chata para comer, mas, ultimamente, tem comido bem."
"Ela não toma os remédios homeopáticos desde o dia 3 deste mês."
"Mas não notei nenhuma recaída; só alguns dias que passou meio 'enjoadinha'."
"O temperamento não teve maiores alterações."
"Na estética, agora fica numa 'boa' com as meninas; com uma delas, nem grita mais. Se a menina manda ela ficar quieta, obedece; mas comigo faz chantagem!"
"Eu noto que está mais agarrada comigo. Só vai pro meu colo! Fica me segurando com a patinha quando está no meu colo."
"Tomou a primeira dose em 27/04. Na semana seguinte, levei ela na estética e as meninas que trabalham lá já notaram que ela estava mais animada, com um outro brilho no olhar, com outra vivacidade!"
"Parece que quando o tempo está mais úmido, chovendo, piora o problema da claudicação. Também pelo fato dela ficar muito tempo parada."
"Da dermatite, está igual. Quando fica nervosa, se coça. Semana passada, chegou a arrancar o pelo, até sangrou! Tem cheiro forte.""
"Dos ouvidos, está bem."
"Agora está mais reservada, pede para ir para a cadeira, gosta de tomar sol; como não consegue subir ou descer de cadeiras, pede, chama. Antes, ela se jogava... Agora fica esperando que alguém a tire da cadeira. Chama para ir na rua fazer xixi e cocô."
"Fica chamando de noite, para fazer suas necessidades e por sede."
"Ela janta, depois pede para subir na cadeira. Ela demonstra com clareza as suas vontades, ela sabe muito bem o que ela quer!"
"Quando está comendo, nenhum cachorro chega perto."
"Quando está com fome, fica dengosa! Quando sente alguma ameaça ao que é dela, quer proteger a sua comida; aí avança no outro cachorro."
"Aqueles estalos na boca, ainda tem, mas é raro acontecer."
"Uma coisa bem interessante, é que ela demonstrou vontade de brincar com a bolinha, queria pegar a bolinha do outro cachorrinho. Fazia muito tempo que ela não brincava."
"Eu considero que, no geral, apresentou melhoras. Foram satisfatórias as reações que ela teve ao tratamento homeopático!"
"Ela parece que já não está tão arqueada."
"Pede para que eu faça carinho no seu pescoço."
"Tem um degrau no banheiro que ela sempre tinha dificuldade; agora está pedindo para ajuda-la a subir e descer."
"Eu estou estimulando para que ela suba no sofá e ela mesma se ajuda a subir. Não fazia isso antes de começar o seu tratamento."
"Para subir na cama do outro cachorro, um cocker, agora pede com mais insistência."
"Às vezes, fica ofegante, mas é por causa da ansiedade, não tem paciência de esperar as coisas."
"Continua ansiosa. Ela fica como pedindo alguma coisa pra mim."
"Agora ela fica se posicionando para subir no meu colo; não fazia isso antes."

* Avaliação da Evolução dos Sintomas.

Ficou mais esperta, com mais vivacidade, com brilho nos olhos, voltou a querer brincar.
Consegue flexionar os membros posteriores para urinar.
Postura corporal melhorou um pouco, parece não estar tão arqueada.
Está se ajudando a subir no sofá (com a ajuda da dona).
Posiciona-se para subir no colo da dona.
Relaciona-se melhor com as funcionárias da estética, até obedece uma delas. Elas notaram sua melhora na segunda semana de tratamento.
Está com mais paciência, chama quando precisa subir ou descer de cadeiras, fica esperando alguém ajuda-la.
Estalos na boca diminuíram.
Sintomatologia cutânea permaneceu. Episódio de prurido, com sangramento.
Conforme a avaliação da sua tutora, no geral a paciente apresentou melhoras, sendo satisfatória a sua resposta ao tratamento homeopático.


TERCEIRA AVALIAÇÃO: 10/10/2000 - 4 meses após, total de 6 meses de tratamento homeopático.

"Está tudo na mesma, 'rancenta', comportamento não modificou."
"Ela só está mais solta, apesar de continuar possessiva, sempre em cima de mim. Porém, está com um pouco mais de individualidade, sem tanta dependência minha."
"Se o Cocker avança no seu território, morde a orelha dele, que não revida, pois é mansinho."
"O que mais me aborrece é a coceira que ela tem. A coceira parece de estresse."
"Caminha bem, está comendo bem e fazendo suas necessidades adequadamente!"
"Quando chegamos em casa, já não é mais aquela choradeira."
"Nós viajamos e ela ficou bem, suportou tranquilamente a nossa ausência, alimentou-se direitinho, conviveu bem com a pessoa que ficou com ela. Antes do tratamento homeopático, se fôssemos viajar, ela literalmente 'despencava' tinha crises horríveis, de ficar se arrastando, sujava-se toda nas fezes e urina... Era um horror! Hoje, graças ao seu tratamento, ela está bem mais segura, comportou-se muito bem na nossa ausência e, o que é melhor, não adoeceu!
"Na última dose que tomou, os outros cachorros passaram a ir atrás dela, não sei se eliminou algum cheiro."
"Apresentou grandes melhoras! Melhorou ainda mais do problema locomotor. Agora, ela já desce sozinha da cadeira, não pede mais para descer; só para subir é que ainda pede. Está mais independente, passeia mais sozinha, de forma espontânea!"
"Ela está muito bem, manteve-se bem!"
"Já consegue quase correr, está bem melhor."
"Depois das últimas medicações que tomou, evoluiu bastante, passou a este patamar."
"Felizmente, não teve nenhuma crise neste período!"
"Tem dias que praticamente não come, mas é dengo, para chamar a atenção!"
"Continua muito apegada comigo, no colo, fica me segurando com a patinha; mas não é mais daquele jeito exagerado, que ficava chorando o tempo todo, com medo que eu a tirasse de perto de mim! Antes, era muito mais possessiva, agora isso amenizou bem mais, parece estar mais equilibrada!"
"O problema da dermatite piorava quando todo o quadro locomotor piorava também! Há uns 15 ou 20 dias, teve um quadro considerável de prurido."
"Apresenta manchas escuras na barriga."
"Fica com feridas, dou banho com shampoo medicinal, aí fica com crostas secas."
"O problema é que ela toma banho e uns 4 dias depois já está com um cheiro muito forte; aí precisa de outro banho."
"Isso aconteceu de 15 a 20 dias pra cá; antes disso, estava estabilizada, não tinha sintomas cutâneos. De umas 3 semanas pra cá é que piorou a coceira, as feridas e o cheiro forte! Não mudou a alimentação, nem teve qualquer outra mudança em sua rotina."
"Não teve mais otite."
"Com os outros cães, está a mesma coisa... Acho até que está admitindo mais a proximidade deles. Se o Cocker vai na sua cama, primeiro fica braba, não quer saber da presença dele em seu território, mas depois vai aceitando, não o põe mais para correr; no fim, acaba aceitando numa boa a sua presença. Ela também vai deitar na cama do outro."

* Avaliação da Evolução dos Sintomas.

Está mais solta, continua querendo a companhia de sua dona, mas demonstra mais a sua individualidade. Continua possessiva com a dona, mas em um grau menor, não fica mais chorando o tempo todo, requerendo a sua companhia.
Está aceitando mais compartilhar seu território com os outros cães da casa.
Está bem melhor do quadro locomotor. Está caminhando bem. Consegue quase correr. Desce sozinha da cadeira, passeia sozinha, sem precisar de ajuda.
Não apresentou nenhuma crise. Mesmo no período em que donos viajaram, comportou-se muito bem, não apresentando retrocesso no quadro. Antes do tratamento homeopático, quando os donos viajavam, apresentava graves crises em seu quadro locomotor.
Apresentou sintomas cutâneos há cerca de 3 semanas atrás: prurido, erupções, crostas e forte odor.
Neste 4 meses, após a última prescrição, primeiro evoluiu bastante; depois o quadro estabilizou.


Contato Telefônico: 12/01/2001.

Está tudo bem com ela.
A novidade é que está correndo!


QUARTA AVALIAÇÃO: 24/04/2001 - 6,5 meses após, total de 1 ano de tratamento homeopático.

" A última dose do Medicamento 'A' foi em 04 de abril; a do Medicamento 'B', foi em 22 de março."
"Eu noto que ao aproximar-se a data de tomar os medicamentos está no limite, parece até querer mostrar sinais de regressão, em relação aos sintomas originais, de dificuldade em caminhar. Não seria melhor dar os medicamentos com uma maior frequência?"
"Continua possessiva, dependente. Entretanto, meu marido viajou há 2 meses e ela comportou-se muito bem, não demonstrou sentir sua falta (apesar de ser muito agarrada com ele).
"Come muito bem, até na ausência dele. Se fosse antes, já ia passar a não comer direito.
"A única alteração em sua saúde é que ela apresenta uma dermatite periódica."
"Está caminhando muito bem, até corre! Pede para subir no sofá."
"Continua melhorando, porque chega a correr, até com mais desenvoltura!"
"Conseguiu até subir no meu colo."
"Faz direitinho as suas necessidades."
"A dermatite está mais localizada no membro anterior esquerdo e na região costal direita."
"Eu noto que apresenta crises de dermatite relacionada ao estresse, quando muda a rotina da casa, quando tenho que dar atenção aos hóspedes. Pra ela, eu tenho que ser só sua, não tenho que ficar dando atenção aos outros cachorrinhos. Ela é estressada, não é daquelas que só come e dorme." (Obs.: sua dona disponibiliza hospedagem para cães)
"Quando a adotei (tinha uns 6-7 meses de idade), os antigos donos a deram pelo temperamento muito possessivo dela. Ela sempre foi assim, mas antes do tratamento era muito pior, ficava o tempo todo atrás de mim. Ela sempre teve o temperamento difícil."
"Ela me recrimina quando não estou dando atenção pra ela; ela quer é carinho, põe a patinha prá me segurar."
"Mas eu acho que a questão da possessividade estabilizou-se.
"As crises de dermatite não são seguidas; teve uma boa evolução de outubro de 2000 pra cá; só agora, há uns 10 dias, que voltou."
"Faz ferida de tanto coçar, chega a sangrar; depois ponho cicatrizante e passa. Não tem um horário específico que esteja pior."
"Se impõe com outros cachorros, não tem medo, mesmo que sejam maiores; até com o Chow Chow ela se impõe, quer namorar com ele!"
"Lá na estética, antes não podia ficar sem me ver, que começava a gritar desesperadamente, o tempo todo. Agora, ela já fica sozinha, fica solta, sobe e desce os degraus. Mesmo se não estou por perto, fica quietinha, está bem mais segura!"
"O apetite dela está muito bom!"

* Avaliação da Evolução dos Sintomas.

Está apresentando uma evolução extremamente positiva em seu quadro inicial de claudicação e incoordenação motora: está caminhando muito bem, até corre; locomove-se com mais desenvoltura.
O quadro de ansiedade de separação diminuiu sensivelmente: seu dono viajou e a paciente aceitou naturalmente a situação; já suporta de forma adequada a ausência de sua dona.
Apetite: ok.
Nos últimos 6 meses, apresentou apenas uma crise de natureza cutânea.


QUINTA AVALIAÇÃO: 18/09/2001 - 5 meses após, total de 1 ano e 5 meses de tratamento homeopático.

"Em comparação ao que era, está muito bem!"
"Ela desce com mais facilidade do que sobe em cadeiras; algumas, com mais facilidade."
"Gosta de tomar sol; quando cansa, aí vai procurar outro lugar para ficar!"
"Aquele problema da alergia aparece esporadicamente, associo com o estresse; ocorre nas regiões mais escuras da pele e se morde! Ela sempre teve essa alergia na pele."
"A alergia é mais no dorso; o resto do corpo se coça, mas não intensamente. Mas não tem pulga, vai toda a semana para a estética."
"Ela adora comer uns 'palitos' pra cachorro; eu suspeito que contenha corante, talvez isso cause alergia!"
"Ela está bem melhor da locomoção! Chega a correr, dentro de suas possibilidades, pois tem as perninhas atrofiadas; sobe e desce os degraus da escada. Imagina se ia conseguir fazer isso antes!"
"No mais, tem uma ótima qualidade de vida: come bem (come só ração), dorme bem, faz suas necessidades adequadamente! O que mais uma cachorrinha da idade dela, com os graves problemas de saúde que teve, ia querer? Está ótima! E graças ao seu tratamento homeopático! Nós agradecemos muito!"
"Ela mantém uma rotina certinha: faz cocô na hora certa, de manhã quando levanta."
"Outra coisa muito boa, é que não faz mais aquela gritaria quando eu saio! Ela fica bem tranquila, conformada com a situação."
"Chegou uma outra cachorrinha filhote há 2 meses: se relaciona bem com ela!"
"Ela convive bem com os hóspedes (outros cachorrinhos), passou a se relacionar muito bem com eles; mas tem o território dela bem demarcada, não gosta de dividir a sua cama com ninguém!"
"Se os outros querem entrar em seu território, meio que rosna, mas não impede!"
"Ela é muito inteligente, entende tudo o que eu falo!"
"Também não abre mão da cadeira dela na mesa; sempre vai para a mesma cadeira na mesa de jantar! Não gosta muito que sentem na sua cadeira."
"Não apresentou retrocessos na melhora. Não apresenta nenhuma reação ao tomar os medicamentos."

* Avaliação da Evolução dos Sintomas.

No geral, apresentou elevação no grau de melhorias, sem apresentar retrocessos.
Locomove-se com mais facilidade, corre, sobe em escada e cadeiras.
Melhora de 100% em relação à ansiedade de separação.
Passou a relacionar-se melhor com os outros cães da casa e hóspedes.
Esporadicamente, crises de prurido.
Dentro de seu quadro, apresenta uma excelente qualidade de vida.
Sua tutora está extremamente satisfeita com o nosso tratamento homeopático.


Contato Telefônico: 07/12/2001.

Proprietária relata prurido, eritema cutâneo e queda de pelos. Quadro iniciou há 3 dias.


Contato Telefônico: 15/12/2001.

Está bem melhor: a coceira diminuiu uns 70%."
"As lesões melhoraram bastante. Antes a pele estava vermelha e com feridas; agora está bem melhor.


Contato Telefônico: 22/12/2001.

"Ainda se coça um pouco, mas em locais isolados."
"Ainda apresenta uns pontos vermelhos."
"Mas está bem melhor do quadro cutâneo; apenas não está totalmente curada."


Contato Telefônico: 12/02/2002.

"Tem espirros por causa do ventilador, com corrimento nasal."
"Em 24 de janeiro teve uma crise de rinite alérgica."
"Coça e lambe a pele; regiões que está meio cor de rosa."


Contato Telefônico: 08/04/2002.

"Está com feridas nas patinhas; coça e morde."


Contato Telefônico: 05/06/2002.

"Reclama muito, está exigente!"
"Desde a última dose, melhorou muito do problema na pele: ainda coça, mas não com tanta intensidade."
"Apresenta caspas em todo o corpo, meio transparentes, mais finas."
"Coça, mas não tem lesão; parece coçar por ansiedade."
"Quando está em crise de coceira, fica com aquele cheiro forte característico."


Contato Telefônico: 06/07/2002.

"Está num 'coça coça' só; faz feridinhas."


Contato Telefônico: 30/07/2002.

"Choraminga, olha pra mim, como pedindo alguma coisa."
"Está possessiva!"
"A pele está vermelha na altura do peito e do dorso."
"Coça dia e noite, mas só faz lesão nas costas; mordeu tanto que chegou a sangrar. Mas não tem erupções na pele."
"No mais, está ok! Manteve as mehoras!"


Contato Telefônico: 05/09/2002.

"Coça e tem umas manchas vermelhas, principalmente na barriga e nas pernas, perto do pé."
"A orelha está com uma cor rosa forte e bem quente."
"Ontem tomou banho com sabão de coco; hoje, está toda mordida, com lesões."
"No geral, parou bastante de coçar; avalio em uns 50% a melhora, que aconteceu gradativamente."
"O problema dela é a coceira, que ocorre de vez em quando. Mas, no geral, está muito bem, manteve as melhoras!"


A seguir, vamos abordar três aspectos muito importantes no quadro desta paciente: distrofia muscular, ansiedade de separação e prurido.


CONSIDERAÇÕES SOBRE A DISTROFIA MUSCULAR

A distrofia muscular é uma doença primária do músculo esquelético, acarretando em degeneração progressiva e regeneração muscular limitada. Em cães, a origem pode ser hereditária, sendo a causa mais comum relacionada à deficiência da proteína distrofina. Os sintomas clínicos decorrem de necrose do tecido muscular, compreendendo astenia, intolerância ao exercício, atrofia muscular, fraqueza generalizada, hipertrofia da língua, sialorreia, diminuição da capacidade de abrir os maxilares, dificuldade na apreensão e deglutição de alimentos, megaesôfago, cansaço fácil, andadura alternante anormal, caracterizada por passadas rígidas e curtas. Ocorre a atrofia da maior parte da musculatura esquelética, com perda paulatina da massa muscular e desenvolvimento de contraturas que, de forma frequente, levam a deformidades esqueléticas. Em relação ao tratamento, ainda não existe cura ou um tratamento específico para a distrofia muscular que tenha origem genética. Em seres humanos, o emprego de esteróides ou drogas imunossupressoras com o objetivo de retardar o curso da doença tem se mostrado ineficaz. Na Medicina Humana, as pesquisas são direcionadas em várias frentes, como terapias farmacológicas, terapias gênicas e utilização de células tronco. Em cães, o prognóstico em relação à expectativa de vida está na dependência da gravidade das manifestações clínicas, podendo o indivíduo doente sobreviver por muitos anos mediante tratamento de suporte apropriado. Entretanto, cães acometidos por distrofia muscular desenvolvem com frequência cardiopatia, indo a óbito por falência cardiorrespiratória. (Cf. ARAÚJO, K. P. C., et. al. Aspectos Clínicos das Distrofias Musculares em Cães. uece.br/cienciaanimal/dmdocuments/artigo8_2009.pdf)

Quanto à nossa paciente, a sua proprietária nos procurou com o diagnóstico de atrofia muscular, tendo sido submetida por muitos anos a tratamento convencional, especialmente com corticóides, sem apresentar uma evolução positiva. Por último, foi indicada à eutanásia, pois o quadro estava tornando-se cada vez mais grave e os recursos da Medicina Veterinária Clássica haviam se esgotado. Assim, a paciente apresentava um quadro de claudicação e incoordenação motota, devido à atrofia muscular, especialmente em membros posteriores. Lembrem o que sempre afirmo: o tratamento pela Homeopatia deve ser específico para o doente, não para a doença (seja ela qual for). E, para tratar o doente, precisamos compreendê-lo como um todo, através de um minucioso e profundo estudo de seus sintomas. E foi assim que procedi em relação à abordagem e tratamento desta paciente.

Na primeira avaliação, realizada em 17/04/2000, a sua proprietária relatou que o quadro iniciou há cerca de 3 anos e meio, após a adoção de um filhote. Para a Medicina Convencional, este dado é irrelevante, mas para a Homeopatia ele torna-se crucial para a compreensão das suscetibilidades desta paciente. Na abordagem homeopática, isto é denominado sintoma biopatográfico, que consiste no episódio a partir do qual a paciente adoeceu. Esta informação está imbuída de uma importância extraordinária para compreendermos esta paciente e, a partir desta compreensão, tratá-la adequadamente e com sucesso. Nesta ocasião, sua tutora relatou que a paciente apresentava um quadro de claudicação, incoordenação motora, com atrofia muscular em membros posteriores, além de passar um longo período sem apoiar o MPE. Com isso, tinha sua deambulação prejudicada, não conseguindo subir em cadeiras e sofás, tendo muita dificuldade em subir escadas, com quedas frequentes, além de caminhar com uma postura arqueada. Em uma crise (que foi ocasionada por uma viagem de sua dona - outro dado importante, que abordaremos mais adiante), teve quedas, apresentando dificuldade para manter-se em pé e um quadro de paralisia; as crises também acontecem quando volta da estética, ao ser contrariada e com o clima úmido.

Na segunda avaliação, realizada dois meses após, sua responsável afirmou que a paciente estava conseguindo caminhar melhor, com mais desenvoltura, flexionando os membros posteriores com mais facilidade, posicionando-se melhor para urinar e sua postura corporal estava menos arqueada. Além disso, relatou estar mais esperta, com "brilho no olhar", interessou-se por brincadeiras (o que não acontecia há muito tempo), estando com mais vivacidade e disposição, opinião corroborada pelas funcionárias da estética que frequenta assiduamente, sendo que apenas uma semana após iniciar o tratamento, essas mudanças já foram notórias.

Na terceira avaliação, realizada 4 meses após, melhorou ainda mais, a claudicação diminuiu significativamente, passou a caminhar com mais desenvoltura e sem quedas, chegando até a correr, estando mais independente, conseguindo até a descer sozinha das cadeiras.

Na quarta avaliação, realizada em 24/04/2001, 1 ano após o início de nosso tratamento homeopático, a sua tutora relata que a paciente está muito bem, apresentando melhoras contínuas, com uma evolução extremamente positiva em relação ao quadro inicial, locomovendo-se com mais desenvoltura e conseguindo correr.

Na quinta avaliação, realizada 5 meses após, o grau de melhora aumentou ainda mais, sem a ocorrência de retrocessos, locomovendo-se com mais facilidade, correndo, conseguindo subir em cadeiras e os degraus da escada com mais desenvoltura. Além disso, melhorou vertiginosamente a sua qualidade de vida.

Nesta ocasião, a sua tutora gravou um depoimento em vídeo sobre a evolução do quadro de distrofia muscular, após a paciente ter sido submetida ao nosso tratamento homeopático. A seguir, transcreveremos esse depoimento (Obs.: por uma questão de ética, omitiremos os nomes da paciente e sua responsável, chamando-as de K. e Y., respectivamente):

"Meu nome é Y. e esta é a K. A K. que é amiga do Dr. Pedrini. Cheguei ao Dr. Pedrini depois de várias tentativas com Alopatia. A K. apareceu com um problema degenerativo, segundo os veterinários que a atenderam, que ela não caminhava. Podem verificar que ela é atrofiada, tem as perninhas bem atrofiadas. Ela se arrastava que nem um sapinho... E (os veterinários anteriores) tratavam ela com cortisona, mas a cortisona estava trazendo diversos problemas pra ela. Foi, então, quando me indicaram o Dr. Pedrini. Fizemos a primeira avaliação, isso faz um ano e meio, aproximadamente. Ela começou com a Homeopatia e, desde então, ela tem mostrado melhoras bem sensíveis. E está cada vez melhor. Hoje, eu posso considerá-la quase normal, dentro do seu quadro... Ela já sobe em cadeiras, ela desce das cadeiras, ela corre... Tem momentos que ela corre mais do que eu, chega a me atropelar! Come bem, coisa que ela não comia. Ela é mais segura de si! Em todos os aspectos, eu posso fazer uma avaliação desse 1 ano e meio, uma vez que ela esteve 4 anos doente... Em 1 ano e meio fazendo tratamento com Homeopatia, eu faria uma avaliação de 80% (de melhora)! Somos muito gratas ao Dr. Pedrini, não porque estou dando este depoimento, mas porque muitos dos veterinários já haviam me aconselhado que eu deveria sacrificá-la, porque ela já não tinha condições de ter uma vida razoável. E eu confiei, apostei tudo na Homeopatia... Eu só tenho coisas boas pra dizer! (A paciente estava no colo de sua dona, depois desceu, subindo e descendo de sofás e cadeiras, movimentando-se com desenvoltura e correndo; por fim, sua tutora complementou:) Para uma menina que devia ser sacrificada, eu acredito que estamos em um caminho muito certo!"


CONSIDERAÇÕES SOBRE A ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

A ansiedade de separação é uma resposta de mal-estar que os cães podem vivenciar quando afastados da pessoa (ou pessoas) a quem são mais apegados, comumente seus tutores, sendo que esse mal-estar pode resultar em distúrbios comportamentais na ausência, ou na ausência percebida do tutor, tais como episódios de destruição, vocalização e excreção. A ansiedade de separação é um componente dos distúrbios inerentes a separação, que podem ter diferentes motivações subjacentes, incluindo medo, ansiedade, apego excessivo aos donos e falta de estimulação ou interações apropriadas. (Cf. HORWITZ & NEILSON, 2008, p. 234)

A terapêutica da ansiedade de separação inclui manejo, técnicas de modificação comportamental e a utilização de drogas. Um dos fármacos comumente indicados é o cloridrato de clomipramina. A terapia farmacológica pode levar de 2 a 4 semanas para alcançar sua eficácia, sendo previsto diversos meses de tratamento. (Cf. HORWITZ & NEILSON, 2008, pp. 239-242)

Entre as reações adversas / efeitos colaterais frequentes da Clomipramina destacam-se: sonolência, fadiga, sensação de inquietação, aumento de apetite, vertigens, tremores, cefaleia, mioclonia, secura da boca, sudorese, constipação, alterações da acomodação visual e/ou visão borrada, distúrbios da micção, náusea, ganho de peso, distúrbios da libido e da potência (Cf. www.medicinanet.com.br).

A paciente manifestava a sua ansiedade de separação sendo muito apegada à sua tutora, na estética se a perdesse de vista começava a gritar desesperadamente; seu quadro piorava ao ficar muito tempo sozinha, sendo que, em uma ocasião que a sua dona viajou, ela apresentou uma grave crise relacionada ao seu quadro de distrofia muscular. Com o transcorrer do tratamento homeopático, manifestou maior independência, aceitando com mais naturalidade a ausência de sua dona, inclusive na estética; em especial, nas ocasiões em que a sua tutora afastava-se por um tempo mais prolongado, como em uma viagem, manteve-se bem, não entrando em crise. Após praticamente 1,5 ano de tratamento homeopático, sua tutora avaliou em 100% a sua melhora em relação à ansiedade de separação.

Ao compararmos o tratamento homeopático com a terapia farmacológica convencional, constatamos uma ampla vantagem do primeiro, tanto na questão da eficácia quanto em relação às reações adversas / efeitos colaterais originados por esta última. Desde que, é claro, sejam respeitadas algumas premissas básicas, como a concepção de saúde e doença em Homeopatia, com o tratamento sendo específico para o doente, em sua totalidade, e não para a doença.


O DOENTE CONCEBIDO COMO UMA UNIDADE

Samuel Hahnemann, o criador da Homeopatia, estruturou o sistema terapêutico que emprega o princípio da semelhança em uma concepção vitalista, sob forte influência de Paul Joseph Barthez (1734-1806), da escola de Montpellier, com uma visão ternária, em que o ser vivo é constituído por corpo, espírito e força vital. Hahnemann sustenta que a força vital é a responsável por manter todas as partes do organismo em harmonia, tanto em suas sensações quanto em suas funções, sendo que a perturbação dessa força vital seria a responsável pela doença, com a manifestação de sintomas em todo o organismo. Por semelhança de sintomas, o medicamento homeopático agiria na força vital perturbada, restaurando a sua harmonia, com o desaparecimento dos sintomas e o restabelecimento do estado de saúde. Essa é a visão de Hahnemann: a totalidade dos sintomas (sendo o doente concebido como uma unidade) deve ser o único guia para a escolha de apenas um medicamento que, ao ser experimentado em indivíduos saudáveis, apresente o quadro de sintomas o mais semelhante possível ao quadro de sintomas do doente em questão.

Jame Tyler Kent afirma que a força (energia, princípio) vital está presente em todas as partes do organismo, sustentando que as manifestações orgânicas são consequência de uma desordem primária da força vital. Para curar o doente, seria preciso recorrer ao histórico clínico para obter aqueles sintomas que o representam em seu estado de enfermidade, e não considerar apenas as alterações em seus tecidos orgânicos, que são os resultados daquela desordem primária. Assim, toda a doença teria origem em uma noxa excitante dinâmica, pois, dessa forma, poderia causar uma perturbação na força vital, sendo esta a verdadeira natureza interior da doença, que reconheceremos apenas pela totalidade dos sintomas cuidadosamente observados. Kent chega a afirmar que o homeopata que não consegue diferenciar os sintomas puros que representam a natureza da doença em dado doente, dos sintomas que representam o resultado dessa doença, nunca praticará a Homeopatia com êxito. (Cf. KENT, 1986)

Kent deixa claro a importância dos conceitos de unidade, governo, hierarquia e natureza da doença para a correta abordagem e tratamento pela Homeopatia:

"O dever do homeopata é o de curar o doente. Seu dever não é somente curar os resultados da doença, mas a própria doença, e quando o homem tenha restaurado a saúde, a harmonia haverá se restabelecido não somente em seus tecidos e em suas funções, mas também em seu próprio ser. Assim, pois, é dever do homeopata por em ordem o interior da economia, quer dizer, a energia vital. As mudanças dos tecidos se referem ao corpo e são os efeitos da doença propriamente dita, 'não há doenças mas doentes', disso se deduz que as doenças conhecidas com diferentes nomes, não são senão formas materiais dos resultados da doença. Em primeiro lugar, há um governo desordenado cuja ação desequilibrada procede de dentro para fora, do centro para a periferia, e acaba por materializar-se com diversas alterações patológicas nos tecidos. A ideia de governo deve ser compreendida na prática homeopática para o tratamento do doente e não somente levar em consideração as lesões encontradas nos tecidos." (KENT, 1986, p. 17)

Kent também esclarece os conceitos de cura, supressão e metástase mórbida:

"A ideia geral que muitos têm da cura é que ela consiste no desaparecimento da manifestação patológica, por exemplo, o desaparecimento de uma erupção cutânea seria uma cura. (...) Vejamos fatos de observação clínica: um doente que depois de um tratamento tenha desaparecido uma erupção da pele ou qualquer outro estado patológico, volta logo após pouco tempo, mas desta vez com piores manifestações e alterações profundas nos tecidos que podem ser comprovadas. O que aconteceu é que o que estava na superfície do corpo, a erupção, ou aquele estado mórbido de aparência banal, com um diagnóstico dado que mais parecia um processo natural de exoneração, foi derivado para o interior do doente e agora ele é diagnosticado como outra doença, processo que aparece com maior gravidade. Portanto, curar não é somente eliminar o estado patológico que aparenta ser a doença.
Restabelecer a saúde é colocar em ordem o ser humano doente. Eliminar os sintomas não significa cura alguma para o doente, de fato, eliminar a erupção (...) ou qualquer outra manifestação local, ou ainda a eliminação de todo um grupo de sintomas, não equivale a restabelecer a saúde do homem doente. Se depois do desaparecimento dos sintomas, a pessoa não se sente completamente restabelecida em sua saúde, isso não pode ser chamado de cura. (...) O doente tratado com os medicamentos homeopáticos experimenta uma íntima sensação de melhoria interna cada vez que desaparece um sintoma externo, que é o que verdadeiramente ocorre no processo de cura.
Sabe-se que se está produzindo a cura do doente porque há meios que demonstram claramente a sua melhoria. Como sabemos que foram os seus estratos íntimos e profundos os que primeiro entraram em desordem e não seus tecidos, serão também primeiro aqueles que entrarão em ordem antes que as manifestações externas. Em primeiro lugar no homem está a sua emoção, logo seu entendimento e vontade, sendo que em último lugar está o seu exterior, desde o centro de sua circunferência, até seus órgãos, sua pele, suas unhas, etc. Sendo assim, a cura deve proceder do centro para a periferia, e ao dizer do centro para a periferia entendemos: de cima para baixo, de dentro para fora, dos órgãos mais importantes aos que são de menor importância, da cabeça para as mãos e os pés. Todo médico homeopata sabe que se os sintomas desaparecem nestas direções, não reaparecerão jamais. Também sabe que se desaparecem na ordem inversa ao seu aparecimento, são eliminados de uma maneira definitiva." (KENT, 1986, pp. 21-22)

Até agora, falamos de uma força vital existente em seres humanos. Mas, e nos animais? Seria possível tratar os animais com Homeopatia, utilizando este modelo vitalista? Juan Gómes afirma que é possível aplicar os princípios da Homeopatia nos animais, pois a força vital é universal, sendo a mesma em todos os seres vivos, e suas manifestações ocorrem em todos eles, da mesma maneira. Dessa forma, todas as doenças dos animais, sejam agudas ou crônicas, físicas ou mentais, graves ou não, podem ser tratadas através do método homeopático. (GÓMES, 1998)

Considerando o caso de nossa paciente, observamos que ela iniciou o processo de distrofia muscular após a introdução de um cachorrinho mais novo na residência. Este é o seu sintoma biopatográfico, que significa o episódio a partir do qual a paciente adoeceu. Evidencia também a sua suscetibilidade, ou seja, um estado anterior de sensibilidade, de predisposição a ser afetada por determinados acontecimentos, que possuam a capacidade de provocar uma perturbação em sua força vital, manifestando esta perturbação através de sintomas, de acordo com a sua constituição, dependente de fatores de caráter genético e hereditário.

A noxa excitante dinâmica (utilizando os termos referidos por Kent), ou seja, o fator que provocou o seu adoecimento, foi a adoção de um filhotinho, por parte de sua tutora, por quem a paciente sempre foi muito apegada. Isto foi a causa da perturbação da sua força vital, sendo esta a verdadeira natureza de sua doença. Os sintomas do quadro de distrofia muscular (atrofia de membros posteriores, claudicação, incoordenação, motora, etc.) representam a alteração em seus tecidos orgânicos, sendo o resultado da desordem de sua força vital. Os sintomas apresentados pela paciente são decorrentes de sua suscetibilidade constitucional, em função de fatores de ordem genética e hereditária, aparecendo primeiramente nos órgãos de menor resistência, que é o seu ponto fraco constitucional.

De acordo com Célia Barollo, todos os indivíduos:

“De acordo com sua constituição genético-hereditária, possuem órgãos ou aparelhos mais frágeis do que outros, de menor resistência (todos tem o seu tendão de Aquiles) e assim, quando a EV (Energia Vital) se desequilibra, surgem os sintomas e sinais físicos e/ou mentais que diferem de um para outro (cada um tem a doença que pode ter e não a que quer ter).” (BAROLLO, 1995)

Tratamos esta paciente mediante esta visão vitalista, efetuando um cuidadoso, profundo e minucioso estudo da totalidade dos sintomas apresentados pela mesma, sem deixar de considerar todas as circunstâncias envolvidas em seu processo de adoecimento. Além de empregarmos um medicamento para trata-la em sua totalidade (o seu possível "simillimum"), também utilizamos um outro medicamento voltado ao quadro locomotor apresentado pela paciente. Como consequência, vimos uma evolução extremamente positiva, com melhorias graduais e consistentes desde o começo de nosso tratamento. Essas melhoras ocorreram em sua totalidade, pois, além dos sintomas locomotores, apresentou sensíveis melhorias em seu comportamento e qualidade de vida. Periodicamente, apresentava sintomas cutâneos, sob forma de prurido, talvez justificados pelo direcionamento da cura ocorrer de dentro para fora, do centro para a periferia, dos órgãos mais importantes para os menos importantes, conforme a concepção vitalista, defendida por Kent.

Este é um caso bastante representativo de que o doente deve ser compreendido como uma unidade, pesquisando-se os possíveis fatores de ordem psíquica e emocional (que os animais demonstram através de seu comportamento) causadores da doença, sendo que, para termos êxito no tratamento homeopático, devemos direcionar o tratamento para o doente. Assim, com um tratamento específico para o doente, não para a doença, teremos condições de trabalhar em alto nível em Homeopatia, proporcionando resultados amplamente satisfatórios e eficazes.


BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, K. P. C., et. al. Aspectos Clínicos das Distrofias Musculares em Cães. uece.br/cienciaanimal/dmdocuments/artigo8_2009.

BAROLLO, Célia Regina. Aos que se tratam pela Homeopatia. 7ª ed. São Paulo, Ed. Typus, 1995.

GÓMES, Juan Agustin. Homeopatia Para Sus Animalitos. Buenos Aires, Ed. Kier, 1998.

HAHNEMANN, Samuel. Organon da Arte de Curar. 6ª Ed. São Paulo, Ed. Robe, 2001.

HORWITZ, Debra F. & NEILSON, Jacqueline C. Comportamento canino & felino. Porto Alegre, Ed. Artmed, 2008.

KENT, Jame Tyler. Homeopatia Doctrina. Caracas, Universidade Central da Venezuela, 1986.



Dr. Celso Affonso Machado Pedrini

Médico Veterinário

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